Todos conhecem o complexo de vira-lata, expressão utilizada pelo pernambucano Nelson Rodrigues, que assim classificava os bípedes metidos a seres humanos que abanavam euforicamente o rabo diante de qualquer meia pataca metida a autoridade, desmanchando-se em mesuras descabidas. E que se satisfaziam com qualquer mil-réis de atenção pré-fabricada, sem nunca se importar para as intenções do gesto, geralmente egolátricas, patologia do contemplado pela babação.
O João Silvino da Conceição, cristão que nem eu, “independência futebol clube” a todo vapor, como requerem os balizamentos de uma salutar cidadania, me disse, certa feita, que sentia muita pena dos vira-latas bípedes, fossem eles de que área fossem, civil, militar ou eclesiástica. Mas que sentia uma ojeriza da gota serena dez vezes mais taluda daqueles que se aproveitavam dos vira-latas despersonalizados de carteirinha, também de cidadania desclassificatória, sempre suspirosos por afagos puxa-saquísticos.
Segundo João, todo vira-lata é portador de elevada mediocridade revestida de lantejoulas que camuflam o caráter. E quem deles se aproveita é pegajoso, sacripanta fantasiado de beato, que não sabe jamais refrear os entusiasmos bajulatórios dos seus derredores, proporcionados em visitações públicas, em cultos religiosos ou simples encontros sociais. A adulação manifesta por um vira-lata para com um viciado em elogios babosos quase sempre neste último provoca êxtases orgásmicos pra lua de mel alguma botar defeito.
A teoria vira-lática do João Silvino da Conceição é de arrepiar cabelos de reis, rainhas, peões, cavalos e bispos, independentemente das cores do tabuleiro e da sua data de fabricação. Diz ele que, na sua caminhada terrestre, já mais pra ômega do que pra alfa, jamais viu um vira-lata com uma compostura cidadã mínima para justificar seu interior racional de ser humano. E baseando-se num livrinho português, do lusitano Alberto Pimenta, o João Silvino lista os princípios paradigmáticos da sua teoria: 1. Vira-lata existe em todos os ambientes, especialmente nos que facilitam a sua atividade bajulatória. Nos gabinetes políticos, nos quartéis, nos recintos religiosos, sempre haverá vira-latas alisando despudoradamente os bagos da chefia; 2. Todo vira-lata pretende chegar a todos os lugares sem sair pra lugar nenhum; 3. Os vira-latas sabem comunicar-se muito eficazmente uns com os outros, favorecendo a ampliação dos elogios pelos mais diversos meios de comunicação; 4. Todo vira-lata detesta a criticidade dos neuronialmente bem dotados, sempre buscando novos pretextos para babadas bem sucedidas, a maioria delas de grotesco ridículo; 5. O vira-lata está se lixando para a advertência feita, um dia, por Antoine de Saint Exupéry, a de “ser um parlapatão imbecial que vem e censura a palmeira por ela não ser cedro e o cedro por ele não ser palmeira e, de tanto misturar os papéis, o que ele faz é tender para o caos”; 6. O vira-lata, na área eclesial, quando apelidado de bunda-mole sacristioso, imagina-se altamente elogiado, posto que está se “imolando cordeiristicamente” pela chefia que o utiliza sem dó nem piedade; 7. Todo vira-lata não entende porque os humanismos solidários não devem ser jamais baralhados com pieguismos paspalhões, que apenas conservam legiões na ignorância e na irreflexão, qualquer palmadinha nas costas se convertendo em apoteóticos agora-a-coisa-vai; 8. Todo vira-lata jamais levará na devida conta a reflexão de Baltasar Gracian: Os que mais se orgulham de suas proezas são os que menos têm motivos para tanto. Contente-se em fazer, deixando os comentários para os demais.
A teoria vira-lática do Silvino da Conceição traz uma recomendação final saudável: a de sempre procurar manter os interiores corporais limpos em todas as ocasiões, mesmo nas aparentemente vitoriosas, evitando odores desagradáveis no derredor.
O João Silvino da Conceição, cristão que nem eu, “independência futebol clube” a todo vapor, como requerem os balizamentos de uma salutar cidadania, me disse, certa feita, que sentia muita pena dos vira-latas bípedes, fossem eles de que área fossem, civil, militar ou eclesiástica. Mas que sentia uma ojeriza da gota serena dez vezes mais taluda daqueles que se aproveitavam dos vira-latas despersonalizados de carteirinha, também de cidadania desclassificatória, sempre suspirosos por afagos puxa-saquísticos.
Segundo João, todo vira-lata é portador de elevada mediocridade revestida de lantejoulas que camuflam o caráter. E quem deles se aproveita é pegajoso, sacripanta fantasiado de beato, que não sabe jamais refrear os entusiasmos bajulatórios dos seus derredores, proporcionados em visitações públicas, em cultos religiosos ou simples encontros sociais. A adulação manifesta por um vira-lata para com um viciado em elogios babosos quase sempre neste último provoca êxtases orgásmicos pra lua de mel alguma botar defeito.
A teoria vira-lática do João Silvino da Conceição é de arrepiar cabelos de reis, rainhas, peões, cavalos e bispos, independentemente das cores do tabuleiro e da sua data de fabricação. Diz ele que, na sua caminhada terrestre, já mais pra ômega do que pra alfa, jamais viu um vira-lata com uma compostura cidadã mínima para justificar seu interior racional de ser humano. E baseando-se num livrinho português, do lusitano Alberto Pimenta, o João Silvino lista os princípios paradigmáticos da sua teoria: 1. Vira-lata existe em todos os ambientes, especialmente nos que facilitam a sua atividade bajulatória. Nos gabinetes políticos, nos quartéis, nos recintos religiosos, sempre haverá vira-latas alisando despudoradamente os bagos da chefia; 2. Todo vira-lata pretende chegar a todos os lugares sem sair pra lugar nenhum; 3. Os vira-latas sabem comunicar-se muito eficazmente uns com os outros, favorecendo a ampliação dos elogios pelos mais diversos meios de comunicação; 4. Todo vira-lata detesta a criticidade dos neuronialmente bem dotados, sempre buscando novos pretextos para babadas bem sucedidas, a maioria delas de grotesco ridículo; 5. O vira-lata está se lixando para a advertência feita, um dia, por Antoine de Saint Exupéry, a de “ser um parlapatão imbecial que vem e censura a palmeira por ela não ser cedro e o cedro por ele não ser palmeira e, de tanto misturar os papéis, o que ele faz é tender para o caos”; 6. O vira-lata, na área eclesial, quando apelidado de bunda-mole sacristioso, imagina-se altamente elogiado, posto que está se “imolando cordeiristicamente” pela chefia que o utiliza sem dó nem piedade; 7. Todo vira-lata não entende porque os humanismos solidários não devem ser jamais baralhados com pieguismos paspalhões, que apenas conservam legiões na ignorância e na irreflexão, qualquer palmadinha nas costas se convertendo em apoteóticos agora-a-coisa-vai; 8. Todo vira-lata jamais levará na devida conta a reflexão de Baltasar Gracian: Os que mais se orgulham de suas proezas são os que menos têm motivos para tanto. Contente-se em fazer, deixando os comentários para os demais.
A teoria vira-lática do Silvino da Conceição traz uma recomendação final saudável: a de sempre procurar manter os interiores corporais limpos em todas as ocasiões, mesmo nas aparentemente vitoriosas, evitando odores desagradáveis no derredor.

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