segunda-feira, 30 de abril de 2007

Um Estudo Notável

De parabéns se encontra a Sociedade Bíblica do Brasil pelo lançamento de A Bíblia e sua história – o surgimento e o impacto da Bíblia, pesquisa documental de Stephen Miller e Robert Huber. Que não escreveram sobre a história que está na Bíblia, mas como a Bíblia foi constituída através dos tempos, de como sobreviveu e como transformou o mundo através dos séculos.
Dividido em partes – A formação do Antigo Testamento, A formação do Novo Testamento, A Bíblia numa Igreja que crescia rapidamente, O Livro da Reforma, A Bíblia no mundo moderno – o estudo proporciona ampla compreensão das diversas etapas formadora das Escrituras Sagradas, o Antigo Testamento tendo sido formado ao longo de mais de 1000 anos, os primeiros relatos dele sendo transmitidos oralmente.
De leitura cativante, a publicação da Sociedade Bíblica do Brasil ressalta que o conteúdo dos textos é da inteira responsabilidade dos autores, a ela somente cabendo “o intúito de servir o Senhor Jesus Cristo e ajudar o leitor a conhecer a história do Livro Sagrado”. Um trabalho de muita valia para quem busca melhor conhecer a caminhada da Bíblia através dos tempos. Vejamos alguns dados interessantes lá contidos:
1. O Salmo 117 é o capítulo que se encontra no meio da Bíblia, sendo também o menor de todos;
2. A pessoa que é mencionada mais vezes na Bíblia é Davi, aparecendo 1.066 vezes na NTLH, embora segundo na Concordância Bíblica Exaustiva, da Hagnos, Davi seja citado 1140 vezes;
3. O livro da Bíblia mais traduzido é o Evangelho Marcos, por ser o Evangelho mais curto e também por ser um relato mais dinâmico da vida e dos ensinamentos do Nazareno;
4. Levantamentos recentes comprovam que uma pessoa lendo a Bíblia em ritmo normal e em voz alta levaria em torno de 100 horas;
5. Quem primeiro traduziu o NT para o português, baseando-se no original grego, foi João Ferreira de Almeida. Nascido em Torre de Tavares, Portugal, em 1628, converteu-se ao Protestantismo em 1644, sendo ordenado ministro na Igreja Reformada Holandesa.
6. Um ex-escravo africano, Samuel Crowther (1809-1892) foi o primeiro Bispo africano da Igreja Anglicana, em 1864, tendo traduzido a maior parte do Novo Testamento para o iorubá, sua língua nativa;
7. O Asilo para Cegos de Nova York, em 1836, vinte anos antes do desenvolvimento do sistema braile, lançou um Novo Testamento com letras em alto-relevo;
8. Na Inglaterra, Maria I, rainha de 1553 a 1558, promoveu o Catolicismo e perseguiu os protestantes, enquanto Elizabeth I, também rainha de 1558 a 1603, promoveu o Protestantismo e perseguiu os católicos;
9. Lutero publica o Novo Testamento em alemão em 1522. Cinco anos depois é fundada, em Marburgo, Alemanha, a primeira Universidade protestante, embora o nome “protestante” somente seja usado, pela vez primeira, em 1529;
10. Desidério Erasmo, mais conhecido como Erasmo de Roterdã, foi um dos que mais influenciaram o pensamento de Martinho Lutero. Um ditado popular, século XVI, já proclamava: “Erasmo botou o ovo e Lutero o chocou”.
Acredito que não basta ouvir a história, sendo necessário entender o seu significado! E foi o próprio Jesus quem convidou seus discípulos a se ocuparem com estudos. Ele lembrou aos seus seguidores a antiga ordem de amar a Deus com o entendimento (Mt 22,37; Mc 12,30; Lc 10,27). E a leitura do livro A Bíblia e sua história – o surgimento e o impacto da Bíblia, contribuição editorial de porte da Sociedade Bíblica do Brasil, fortalecerá em todos os cristãos a necessidade de se ler mais a Bíblia, sendo preciso estudá-la (2Tm 2,15), meditá-la (Sl 1,2), guardando-a bem dentro do coração (Sl 119,11).
João Calvino disse certa feita que “As escrituras são um par de óculos que dissipam a escuridão e nos dão uma clara visão de Deus”. E a ampliação da nossa enxergância somente será efetivada se assimilarmos bem a caminhada das Escrituras.
Só para finalizar: quem era apelidado de “boi mudo” na Universidade de Paris, no século XIII? E que depois ficou mundialmente famoso?

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Vida Universitária

Num seminário de férias realizado numa universidade do norte, um dos temas, Vida Universitária, coube a este norte-riograndense, pernambucanizado na Assembléia Legislativa e recifensizado pela Câmara de Vereadores. O tema poderia ser desenvolvido sob dois prismas. O primeiro, agradante, massageador, triunfalista. O segundo, crítico, buscando contribuir para a melhoria de comportamentos discentes, docentes, administrativos e organizacionais, evitando-se uma obsolescência institucional que mumifica, atrofia a criatividade, acelera o esclerosamento do saber e enseja o Phdeísmo, virus que intoxica o diplomado, deixando-o com um ar de soberba absoluta, “um valor antidemocrático por excelência”, na expressão utilizada por Fernando Savater, filósofo espanhol contemporâneo, num dos seus últimos textos, Os Sete Pecados Capitais.
Com um bocado de quilômetros rodados, por vocação, na área das Ciências da Administração, enumerei algumas das atuais dificuldades enfrentadas por um Coordenador de Curso, ou Diretor de Centro/Faculdade. Umas relacionadas com a instituição de ensino, outras inerentes aos próprios acadêmicos. Outras vinculadas a engessamentos burocráticos e curriculares.
A primeira diz respeito a sacrificados professores temporários, alguns deles com dez, doze anos de provisoriedade, à espera de concurso que os tornem integrados à vida acadêmica.
A segunda dificuldade é a precariedade das bibliotecas, que impossibilitam os interessados de um acesso rápido ao que existe de contemporâneo. A não-atualização dos acervos bibliotecários vitima a criticidade, favorecendo uma cultura de fingimento, traduzida num volume crescente de informações internéticas sem a devida mastigação transformadora para torná-las conhecimento.
Um terceiro obstáculo procede do corpo discente. E a culpa não é deles. O ensardinhamento das salas de aula é um dos fatores desestimulantes. Salas com 70, 80, 120 alunos, por mais que sejam utilizadas modernas técnicas de comunicação, não favorecem uma integração docente/discente compatível com as exigências de um mundo que necessita ser desindividualizado, mais parceria e menos competitividade, mais construção conjunta que samba de uma nota só. Salvo honrosas exceções, raras são as instituições que possuem consistentes programações culturais não-embromatórias, como também segurança efetiva que proporcione o comparecimento dos alunos sem as agonias de um final de noite de alta periculosidade para todos.
Além disso, os ciclos básicos são meras casas de passagem, sem precupações maiores com a integração discente/universidade. Para não falar das desatenções para com jovens de 16/17/18 anos, quase crianças, muitos advindos de escolas que apenas ensinam como ultrapassar, mal, as barreiras do vestibular, para não falar, aqui, das mentes excepcionalmente inteligentes, que anseiam por algo mais denso que o ministrado nos anos anteriores.
Em relação a cotas, aplaudo recente iniciativa da Universidade de Pernambuco, em destinar um percentual das suas vagas para alunos da escola pública, sejam eles de qualquer etnia. Uma iniciativa concreta que amplia a pressão sobre a melhoria das escolas públicas de ensino fundamental e médio.
No mais, compete às entidades supervisoras exercerem funções emuladoras, endurecendo quando necessário, ainda que sem perder a ternura jamais. Sempre diferenciando conceitos vivos de conceitos mortos, Reis buscando segredos dos sapateiros e sapateiros infelizes porque não conseguem ser Reis.
A dinamização da vida acadêmica de uma instituição, excluídas as metidas a de nível superior, requer uma tesão acadêmica permanente, professores, alunos, dirigentes e funcionários. Sem a “celebração permanente da mediocridade”, um ritual de muito agrado dos fingidos e amacacados.
Jornal do Commercio, Recife - PE, 18.04.2007

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Para um amanhã mais feliz

O que eu poderia dizer a uma pessoa amiga, ainda nos umbrais de um novo século? Paz, saúde, felicidade, salário no bolso e coisas que tais, são votos costumeiros, frases pronunciadas ou escritas automaticamente, muitas vezes sem expressar os reais sentimentos do emissor. E se impressas, inúmeras integralmente despersonalizadas, sem qualquer olá pessoal.
Neste início de pós-Semana Santa, Pernambuco de governante novo ainda nos seus primeiros momentos, farei diferente. Enumerarei, abaixo, algumas frases que poderão proporcionar fecundos instantes de muita paz a milhares de pessoas. Frases que devem ser assumidas por quem realmente deseja ser feliz. Lidas, digeridas devagar, saboreadas como se um petisco chocolateano fosse, sem qualquer pressa ou rancor, desprovidas de qualquer preconceito, com uma vontade danada de continuar ingressando no século XXI de alto astral, em paz consigo mesmo, com o derredor, com o Criador, com o Homão de Nazaré e sua sua mãe querida, e com todos os demais extraterrestre, quando se está descobrindo água em terrenos inimagináveis. São algumas pérolas muito preciosas catadas no embornal dos sábios da Mandchúria:
1. Abra seus braços para as mudanças, mas não deixe que elas ultrapassem os seus valores.
2. Ame profundamente, sem medo de se machucar, pois esta é a única maneira de viver plenamente.
3. Lembre-se permanentemente dos 3 R’s: Respeito por si próprio, Respeito pelos outros e Responsabilidade pelas suas ações.
4. Não permita que pequenas disputas machuquem uma grande amizade.
5. Leia mais livros e assista menos TV.
6. Tenha um forte comprometimento e contínua paixão pelo seu trabalho.
7. Nunca zombe dos sonhos dos outros.
8. Fortaleça seu conhecimento, pois este é o único meio de se atingir a imortalidade.
9. Nunca interrompa alguém que lhe estiver elogiando.
10. Uma vez por ano vá a algum lugar onde nunca esteve antes.
11. Se ganhar muito dinheiro, ajude outras pessoas enquanto estiver vivo, posto que essa é a maior de todas as riquezas.
12. Aprenda algumas regras e quebre umas outras tantas.
13. Memorize uma poesia favorita.
14. Fale devagar, mas pense de modo rápido, desabestalhadamente.
15. Lembre-se de que grandes paixões e grandes realizações envolvem grandes riscos.
16. Quando perceber que cometeu um erro, aja rapidamente para corrigi-lo.
17. Passe algum tempo sozinho.
18. Tenha sempre uma visão positiva do mundo e do seu derredor.
19. Tenha responsabilidade sobre sua própria vida, criando um forte diferencial pessoal.
20. Lembre-se sempre que os melhores relacionamentos são aqueles em que o amor é maior que a necessidade.
Com as frases acima, rememoradas dia sim, dia não, poder-se-á sonhar um pouco mais ousadamente, tal e qual os desejos nunca impossíveis de Eduardo Galeano: o aparelho de TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar ou a máquina de lavar roupas; e os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem denominarão qualidade de vida à quantidade de coisas. Com Galeano, também acredito que a educação não será privilégio de quem possa pagá-la, nem a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la; e a justiça e a liberdade, irmãs siamesas e condenadas a viverem separadas, voltarão a se juntar, bem coladinhas, costas contra costas. E em tempo algum os historiadores acreditarão que os países gostam de ser invadidos e bombardeados, mesmo que a pretexto de encobrir, na Casa Branca, uma lambidinha presidencial no triângulo das bermudas de uma estagiária muito safadinha, curtidora de taludos charutos.