No último feriadão, resolvi colecionar algumas reflexões do Rubem Alves, contidas no seu último livro Ostra Feliz Não Faz Pérola, Planeta, 2008. Pensamentos que são certamente irrelevantes para os cientificamente muito doutos, aqueles situados acima das humanidades contemporâneas, especialistas em quase coisa alguma. Tão acima dos meros mortais que revelam uma estupidez desconcertante, a dar razão ao próprio Rubem Alves, no primeiro pensamento dos escolhidos: "A honestidade dos estúpidos é mil vezes mais perigosa que a mentira dos inteligentes. É da honestidade dos estúpidos que surgem os fanáticos. Os fanáticos são pessoas honestas que acreditam nos seus pensamentos e nada os dissuade do seu caminho. E porque acreditam na verdade dos seus pensamentos tudo fazem para destruir aqueles que têm idéias diferentes". Nas Religiões, por exemplo, com seus dogmas, tidos como verdades absolutas, indiscutíveis, os estúpidos se fecham às premissas dialogais que consolidam emergências elucidativas, que ampliam enxergâncias que favorecem conversões, beneficiando evangelizações ecumênicas que se estruturam sem imposições parentais nem chiliquitismos fundamentalistas.
As reflexões do Rubem Alves são das mais variadas espécies. A seleção feita seguramente não é a melhor, tampouco direcionada aos que se encontram sob suspeita de caráter duvidoso, as carapuças enfiadas sendo tarefas das consciência intranqüilas.
1. Somos humanos apenas enquanto brilha em nós a esperança da alegria. Uma advertência que merece ser vista sob outras palavras: Todo puritano e moralista não possui alegria contagiante, sempre olhando tudo como se tudo estivesse podre, menos ele e seus derredores, inúmeras vezes repletos de bostelas irreversíveis.
2. A literatura nos libera da solidão e traz alegria. Professor que ministra doze livros para o aluno ler num período ínfimo de tempo é um pedantocrata que através da sua idiotia magisterial deseja sedimentar um conceito de erudito perante apalermados, os críticos já dispersados por conta própria.
3. Diante de plástico fixado em vidro de automóvel (Propriedade exclusiva de Jesus): Será que esses blasfemos não têm medo de que Deus os castigue com a maldição que lançou sobre o exército dos filisteus? Ele atacou o exército com uma praga de hemorróidas. Fico a imaginar se o castigo fosse aplicado hoje ...
4. Transcrevendo a oração de uma criança: Deus, que os maus não sejam tão maus e que os bons não sejam tão chatos. Um chute portentoso nos bagos dos metidos a sócios de Deus. Quiçá sósias.
5. Será que para se ter sentimentos religiosos é preciso abandonar a inteligência? Uma indagação muito aplaudida pelos “cabritos”, ainda que as “ovelhas” sem criticidade, apenas acocoramentos, não percebam a diferença. Ou que ainda não assimilaram o pedido de Paulo por uma renovação das suas mentes (Rm 12,2).
6. A tradição protestante não promete milagres, cultiva a razão, estimula a ciência e é profundamente ética. Perguntar não ofende: os anglicanos são mais protestantes ou mais romanos? Ou a média é a medida ideal das partes melhores das duas bandas?
7. As convicções são as principais armas do Diabo. Será que o Raul Seixas poderá ser considerado, no século XXV, um homem inspirado por Deus, dada sua letra sobre Metamorfose Ambulante?
8. O perigo é que a Igreja, em decorrência de acreditar-se possuidora da verdade, vá se distanciando cada vez mais da realidade, da ciência, das questões éticas do momento, da política e da própria realidad do seu povo. Corre o perigo de se tornar um gueto que ninguém leva a sério. Por que a Igreja resiste tanto em acompanhar o andar da carruagem planetária, percebendo-se também em contínua evolução, levando sempre em consideração uma multiculturalidade cada vez mais atomizada?
9. Quem perdoa tudo é porque não se importa com nada. Haverá uma correlação positiva e perfeita entre a reflexão acima e um cinismo perdoador que se amplia a olhos vistos no mundo ocidental?
10. Santo Agostinho observou que cada um deseja a paz que lhe seja conveniente. Muitos maiorais anseiam conviver com a paz dos cemitérios, para ninguém reclamar das suas patacoadas e omissões administrativas. Os mais conscientes tornam-se, então, necessários alertas contra as baboseiras que emergem, mesmo percebendo sem temor a raivosidade dos sem-caráteres flagrados.
11. Excesso de leitura pode fazer mal à inteligência. Já dizia Schopenhauer que a leitura só é boa quando é bovina, quando leva à ruminação.
12. Para ser ver bem não basta ter bons olhos. É preciso ter uma imaginação sensível. Discernir sobre o nunca certo e o quase errado, mesmo que o errado apenas beneficie os íntimos da corte, eis a receita que amplia belezas, renova esperanças, restabelece sorrisos e confianças, emula iniciativas catapultadoras, aquelas que nos lançam para amanhãs ainda não integralmente visíveis.
13. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começar a viver mais perto de Deus, sem as amarras imposta pelas denominações, um excelente começo. Desapetrechando-se do apreendido por imposição escolar ou eclesiástica para assimilar cenários mais compatíveis com uma contemporaneidade evolucionária por derradeiro. Livrar-se das sedimentações cognitivas próprias dos que nunca abriram suas gaiolas. Abrir-se mais com os que não assumiram a máscara dos adultos. Determinar novos limites para seus derredores, para ampliar os pensamentos, dando guarida fraterna aos mais despretenciosos.
As reflexões do Rubem Alves são das mais variadas espécies. A seleção feita seguramente não é a melhor, tampouco direcionada aos que se encontram sob suspeita de caráter duvidoso, as carapuças enfiadas sendo tarefas das consciência intranqüilas.
1. Somos humanos apenas enquanto brilha em nós a esperança da alegria. Uma advertência que merece ser vista sob outras palavras: Todo puritano e moralista não possui alegria contagiante, sempre olhando tudo como se tudo estivesse podre, menos ele e seus derredores, inúmeras vezes repletos de bostelas irreversíveis.
2. A literatura nos libera da solidão e traz alegria. Professor que ministra doze livros para o aluno ler num período ínfimo de tempo é um pedantocrata que através da sua idiotia magisterial deseja sedimentar um conceito de erudito perante apalermados, os críticos já dispersados por conta própria.
3. Diante de plástico fixado em vidro de automóvel (Propriedade exclusiva de Jesus): Será que esses blasfemos não têm medo de que Deus os castigue com a maldição que lançou sobre o exército dos filisteus? Ele atacou o exército com uma praga de hemorróidas. Fico a imaginar se o castigo fosse aplicado hoje ...
4. Transcrevendo a oração de uma criança: Deus, que os maus não sejam tão maus e que os bons não sejam tão chatos. Um chute portentoso nos bagos dos metidos a sócios de Deus. Quiçá sósias.
5. Será que para se ter sentimentos religiosos é preciso abandonar a inteligência? Uma indagação muito aplaudida pelos “cabritos”, ainda que as “ovelhas” sem criticidade, apenas acocoramentos, não percebam a diferença. Ou que ainda não assimilaram o pedido de Paulo por uma renovação das suas mentes (Rm 12,2).
6. A tradição protestante não promete milagres, cultiva a razão, estimula a ciência e é profundamente ética. Perguntar não ofende: os anglicanos são mais protestantes ou mais romanos? Ou a média é a medida ideal das partes melhores das duas bandas?
7. As convicções são as principais armas do Diabo. Será que o Raul Seixas poderá ser considerado, no século XXV, um homem inspirado por Deus, dada sua letra sobre Metamorfose Ambulante?
8. O perigo é que a Igreja, em decorrência de acreditar-se possuidora da verdade, vá se distanciando cada vez mais da realidade, da ciência, das questões éticas do momento, da política e da própria realidad do seu povo. Corre o perigo de se tornar um gueto que ninguém leva a sério. Por que a Igreja resiste tanto em acompanhar o andar da carruagem planetária, percebendo-se também em contínua evolução, levando sempre em consideração uma multiculturalidade cada vez mais atomizada?
9. Quem perdoa tudo é porque não se importa com nada. Haverá uma correlação positiva e perfeita entre a reflexão acima e um cinismo perdoador que se amplia a olhos vistos no mundo ocidental?
10. Santo Agostinho observou que cada um deseja a paz que lhe seja conveniente. Muitos maiorais anseiam conviver com a paz dos cemitérios, para ninguém reclamar das suas patacoadas e omissões administrativas. Os mais conscientes tornam-se, então, necessários alertas contra as baboseiras que emergem, mesmo percebendo sem temor a raivosidade dos sem-caráteres flagrados.
11. Excesso de leitura pode fazer mal à inteligência. Já dizia Schopenhauer que a leitura só é boa quando é bovina, quando leva à ruminação.
12. Para ser ver bem não basta ter bons olhos. É preciso ter uma imaginação sensível. Discernir sobre o nunca certo e o quase errado, mesmo que o errado apenas beneficie os íntimos da corte, eis a receita que amplia belezas, renova esperanças, restabelece sorrisos e confianças, emula iniciativas catapultadoras, aquelas que nos lançam para amanhãs ainda não integralmente visíveis.
13. Se nada se espera de mim, estou livre para ser aquilo que nunca fui. Começar a viver mais perto de Deus, sem as amarras imposta pelas denominações, um excelente começo. Desapetrechando-se do apreendido por imposição escolar ou eclesiástica para assimilar cenários mais compatíveis com uma contemporaneidade evolucionária por derradeiro. Livrar-se das sedimentações cognitivas próprias dos que nunca abriram suas gaiolas. Abrir-se mais com os que não assumiram a máscara dos adultos. Determinar novos limites para seus derredores, para ampliar os pensamentos, dando guarida fraterna aos mais despretenciosos.
No mais, reler Lv 11,6-8 e 18,22 e 19,19 e 20,14 e 21,18-21 e 19,27 e 25,44; e Ex 21,7 e 35,2. Para melhor defender os direitos dos seres humanos, independentemente de sua orientação sexual. E para melhor compreender a Bíblia como livros escritos por seres humanos sujeitos às limitações próprias de qualquer autor ou copista.

Nenhum comentário:
Postar um comentário