Para quem só vive de pulinhos aeróbicos em celebrações religiosas, sem saber bem os porquês das coisas, dos fatos e das estratégias usadas pelos evangelizadores nos primeiros anos do Cristianismo, um texto mostra com nitidez e honestidade investigatória o perfil bíblico dos doze discípulos do Homão de Nazaré, incluindo Matias, o que substituiu Judas Iscariotes. De autoria de Aramis DeBarros, Doze Homens, uma Missão, editado pela Hagnos, traz ainda uma introdução que analisa com detalhes as condições culturais, políticas e religiosas vigentes no século I da era cristã. As razões que levaram os saduceus a reagirem fortemente à presença evangelizadora dos apóstolos, a lapidação pública de Estêvão, a prioridade dos apóstolos em permanecer em Jerusalém, os aspectos facilitadores da difusão da fé cristã no mundo greco-romano, a desumana exclusão social do Império Romano, cuja faixa mais abastada e mais influente era chamada de classe senatorial, “cujos membros eram respeitosamente tratados como illustres, clarissimi ou spectabiles”, “só a eles cabendo o direito ao uso distintivo da faixa púrpura na toga”, tal e qual ainda se utiliza nos tempos de agora, mormente por aqueles que necessitam se sentir diferenciados.
As trajetórias de Bartolomeu, Mateus, Simão Zelote, Judas Iscariotes, Tomé, André, Filipe, Judas Tadeu, João, os dois Tiagos e Simão Pedro são criteriosamente pesquisadas. Muito esclarecendo a história dos primeiros tempos apostólicos, quando os desafios eram múltiplos, as hostilidades se agigantavam e a Mensagem do Homão não poderia ser esquecida, tampouco relegada.
No livro do DeBarros, encontra-se a explicação do beijo de Judas em Jesus no Jardim do Getsêmane. Dada a semelhança muito forte entre Tiago, filho de Alfeu, e Jesus, tornou-se necessário bem certificar-se quem deveria ser feito prisioneiro. Segundo DeBarros, “Tiago Menor é representado pela arte cristã primitiva e medieval como, talvez, o mais belo dos apóstolos”.
O autor de Doze Homens, uma Missão efetiva três perguntas bastante instigantes: “Como e por que a história, a secular e a eclesiástica, permitiu que boa parte da vida e da obra desses gigantes do cristianismo caísse no obscurantismo?; Por que o registro escrito de suas façanhas não é proporcional à relevância que esses homens ostentavam na Igreja primitiva?; e, a terceira, Por que os relatos remanescentes sobre os apóstolos apresentam-se tão fragmentados, confusos e, freqüentemente, amalgamados com narrativas lendárias ou fantásticas?” Os fatores inibidores da historicidade dos doze são cinco, segundo DeBarros: a modéstia e a simplicidade dos apóstolos; a ausência de uma perspectiva histórica duradoura; desinteresse da história secular pelo cristianismo primitivo; o advento da sucessão apostólica; e a crescente rivalidade entre a igreja oriental e a ocidental e a corrida pelas relíquias.
No livro é explicitada a caça às relíquias da época. Descambando para uma crassa idolatria, onde até Constantino, que se autoproclamou Pontificex Maximus dos cristãos, mandou enterrar um machado tido como usado por Noé na construção da arca, três outras relíquias são citadas, criadas pelos sabidões da época: uma pena extraída da asa do anjo Gabriel, uma porção láctea do sagrado seio de Maria e um frasco contendo ungüento de nardo puro usado em Jesus por Maria, a irmã de Lázaro.
A Introdução ao Mundo Apostólico, parte primeira do livro, é encerrada com a narrativa da visão estratégica utilizada pelos apóstolos. Uma estratégia reconhecida, posteriormente por Paulo de Tarso, em sua Carta aos Romanos: “Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre alicerce de outro” (15,20). Uma igreja que crescia sem maquinações com os poderosos de então.
As trajetórias de Bartolomeu, Mateus, Simão Zelote, Judas Iscariotes, Tomé, André, Filipe, Judas Tadeu, João, os dois Tiagos e Simão Pedro são criteriosamente pesquisadas. Muito esclarecendo a história dos primeiros tempos apostólicos, quando os desafios eram múltiplos, as hostilidades se agigantavam e a Mensagem do Homão não poderia ser esquecida, tampouco relegada.
No livro do DeBarros, encontra-se a explicação do beijo de Judas em Jesus no Jardim do Getsêmane. Dada a semelhança muito forte entre Tiago, filho de Alfeu, e Jesus, tornou-se necessário bem certificar-se quem deveria ser feito prisioneiro. Segundo DeBarros, “Tiago Menor é representado pela arte cristã primitiva e medieval como, talvez, o mais belo dos apóstolos”.
O autor de Doze Homens, uma Missão efetiva três perguntas bastante instigantes: “Como e por que a história, a secular e a eclesiástica, permitiu que boa parte da vida e da obra desses gigantes do cristianismo caísse no obscurantismo?; Por que o registro escrito de suas façanhas não é proporcional à relevância que esses homens ostentavam na Igreja primitiva?; e, a terceira, Por que os relatos remanescentes sobre os apóstolos apresentam-se tão fragmentados, confusos e, freqüentemente, amalgamados com narrativas lendárias ou fantásticas?” Os fatores inibidores da historicidade dos doze são cinco, segundo DeBarros: a modéstia e a simplicidade dos apóstolos; a ausência de uma perspectiva histórica duradoura; desinteresse da história secular pelo cristianismo primitivo; o advento da sucessão apostólica; e a crescente rivalidade entre a igreja oriental e a ocidental e a corrida pelas relíquias.
No livro é explicitada a caça às relíquias da época. Descambando para uma crassa idolatria, onde até Constantino, que se autoproclamou Pontificex Maximus dos cristãos, mandou enterrar um machado tido como usado por Noé na construção da arca, três outras relíquias são citadas, criadas pelos sabidões da época: uma pena extraída da asa do anjo Gabriel, uma porção láctea do sagrado seio de Maria e um frasco contendo ungüento de nardo puro usado em Jesus por Maria, a irmã de Lázaro.
A Introdução ao Mundo Apostólico, parte primeira do livro, é encerrada com a narrativa da visão estratégica utilizada pelos apóstolos. Uma estratégia reconhecida, posteriormente por Paulo de Tarso, em sua Carta aos Romanos: “Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre alicerce de outro” (15,20). Uma igreja que crescia sem maquinações com os poderosos de então.
(Jornal do Commercio, 28 de novembro de 2007)
