quarta-feira, 28 de maio de 2008

Modernil

Fico a imaginar, no meu gabinete de trabalho, uma situação inusitada: um propagandista de produtos farmacêuticos ultra eficazes, distribuindo generosamente, no auditório majestoso de Lambeth 2008, na Inglaterra, ofertas grátis de um xarope recentemente patenteado. Modernil é uma possante fórmula de combate à morosidade e ao marasmo de entidades religiosas. Sua fórmula foi produzida por especialistas em mudanças organizacionais, com resultados comprovados em todo o mundo desenvolvido do século XXI. Sem efeitos colaterais, a aplicação de Modernil restaura evangelizações efetivas, atualiza gerenciamentos pastorais, melhora o desempenho dos que ministram ofícios religiosos e multiplica a assiduidade dos participantes.
O sucesso comprovado do Modernil está lastreado na sua composição: 75% de elemento humano, 10% de instalações físicas, 7% de móveis e utensílios, 5% de recursos financeiros, 2% de material de escritório e 1% de conservantes. Sua utilização produz alívio imediato nos seguintes sintomas: reunite (mania de fazer reuniões que não dão em nada), formulariose (excesso de formulários), arquivose (mania de tudo arquivar), relatoma (obsessão por relatórios), copiarréia (destempero xerográfico), e sinistrose (ojeriza a otimismo). Além de inúmeros outros males que mutilam a dinâmica organizacional das instituições, independentemente de tamanho e geografia da área servida.
Algumas iniciativas estratégicas deverão ser adotados para que o Modernil atue efetivamente: motivar e envolver pessoas duas a três vezes por semestre, em eventos que proporcionem uma sadia convivialidade, abjurando-se os enfados tartarugais e as mesmices que desestimulem; racionalizar o trabalho, sem afetações fingidas nem proteções espúrias; analisar a dinâmica da instituição a cada 180 dias dias, comprovando a sua consistência e propósitos; reduzir para 1% o conservadorismo cego e as pastorais inócuas; criar incentivos internos essencialmente emuladores; repensar as relações com todas as dioceses e províncias; avaliar as relações com pastores e pastoreados, sem arroubos apologéticos; introduzir o ritmo QPE - Qualidade, Produtividade e Excelência em cada área da instituição, fazendo jús às doações recebidas; manter em contínua elevação a excelência evangelizadora de todas as regiões; formular objetivos e desafios conseqüentes a cada cinco anos, não mais dez, dada a velocidade mutacional dos tempos; e usar doses maciças de solidificado bom senso, abjurando em definitivo nepotismos e egolatrias, puritanismos e moralismos baratos.
Para se tirar um melhor proveito do Modernil, recomenda-se ainda outros posicionamentos: a) Introduzir uma cultura de fraternidade sem discriminação nem bloquismos, envolvendo inclusive os setores que se posicionam diferentemente; b. Implementar em definitivo a postura EEI - Evangelização Efetivamente Inclusiva; c. Incentivar a implantação e o desenvolvimento de uma permanente conscientização de ação pastoral, eliminando desperdícios estouvamentos; d. Emular a emersão de novas idéias e novos talentos, criando uma imagem denominacional positiva; e. Diferenciar sem pestanejar modernidade (atualização antenada) de modernosidade (cavilações hipócritas); f. Eliminar os procedimentos não discutidos colegiadamente; g. Reduzir custos sem afetações protecionistas; h. Erradicar resistências, travando o bom combate, incentivando todos no uso mais ativo das suas habilidades e conhecimentos; i. Conduzir os mais aptos para posicionamentos missionários, entendendo toda crise como um desafio a mais a ser superado; j. Perceber em cada companheiro de missão um agente de mudança, a favorecer o caminhar de todos para patamares mais superiores.
Tempos atrás, Paul Harvey já dizia que “em tempos como estes, é bom lembrar que sempre houve tempos como estes”. Pensamento arrematado por outro talento, que jamais comungou com a bazófia dos tá-lento, o admirável Peter Drucker: "As únicas coisas que evoluem sozinhas em uma instituição são a desordem, o atrito e o desempenho ruim."

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