terça-feira, 6 de maio de 2008

As Pegadinhas do Leonardo

Um livro já muito me impressionou: A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião, de Pierre Barbet (1925-1995). Durante mais de vinte anos, o médico francês estudou o assunto, revelando as atrocidades cometidas contra o Galileu assassinado humilhantemente na cruz como agitador e subversivo.
As conclusões do Dr. Barbet, baseadas no Sudário de Turim, causaram um impacto significativo. Segundo ele, na face do sepultado havia sinais de contusões, o nariz estava fraturado na cartilagem, descolado do osso; no corpo foram contados 120 sinais de golpes de açoite, produzidos por dois flageladores, um de cada lado da vítima; o flagelo utilizado foi o que se usava no Império Romano, composto de duas ou três correias de couro, terminando em pequenos ossos de pontas agudas, ou em pequenas travas de chumbo com duas bolas nas extremidades; duas chagas marcavam o ombro direito e o omoplata esquerdo; o peito muito saliente denotava a terrível asfixia suportada durante a agonia; os pulsos apareciam perfurados, tendo o prego perfurante secionado em parte o nervo mediano, fazendo contrair o polegar para dentro da palma da mão; pela a curvatura das pernas e as perfurações nos pés, tem-se a nítida impressão de que o esquerdo foi sobreposto ao direito e presos ao madeiro por um único prego; os dois joelhos estavam chagados; havia um sinal de sangramento, produzido por uma grande ferida, no lado direito do tórax; por fim, havia 50 perfurações na fronte, cabeça e nuca, compatíveis com uma coroação de espinhos.
Algumas sutilezas são notáveis, como a dos dois objetos circulares colocados sobre os olhos. Trata-se de duas moedas: a primeira, o dilepto lituus, produzido na Palestina no governo de Pôncio Pilatos entre os anos 29 e 32 d.C. A segunda moeda identificada foi cunhada por Pilatos em homenagem a Júlia, mãe do imperador romano Tibério, em 29 d.C. Colocar moedas sobre os olhos do morto, para manter as pálpebras fechadas, fazia parte dos ritos funerário judaicos da época de Jesus.
Entretanto, inúmeros não concordam com a origem do Sudário. Segundo eles, não teriam sido aqueles sinais sobre o pano pintados por algum genial falsificador, para que os homens acreditassem tratar-se de um pano sagrado? Dentre os vários testes aplicados, cumpre destacar fotos e microscopia eletrônica, raio-X, espectroscopia, carbono-14 (1988), fluorescência ultravioleta, termografia e análises químicas. Inúmeros textos já foram divulgados, alguns bem consistentes.
Para os que se interessam pelo assunto, um livro foi entregue recentemente ao mundo de língua portuguesa: O Sudário de Turim, de Lynn Picknett e Clive Prince, pesquisadores especialistas em sociedades secretas, heresias, origens da cristandade e conspirações. O subtítulo é o mote desenvolvido ao longo de quase quatrocentas páginas: Como Leonardo da Vinci Enganou a História. E traz, como alerta inicial, uma advertência do próprio Leonardo (1452-1519), como que dirigida para os crente da época: “Ó míseros mortais, abri os olhos!!
Com o carbono-14 revelando 99,9% de certeza de que o Sudário se originara entre 1000 e 1500, a intenção de Lynn Picknett e Clive Prince é encontrar o genial autor do efeito do negativo, a mais fascinante característica do pano que mede 4,4m de comprimento, 1,1m de largura e 0,03mm de espessura. Segundo os autores, mesmo que o Sudário fosse genuíno, a presença de cromossomos X e Y no DNA efetivado “provariam que o indivíduo era o produto da procriação humana normal, e não de um miraculoso nascimento virginal”.
De onde veio o Sudário? Que gênio o teria produzido? Os autores buscam provar a autoria de Leonardo da Vinci, também autor da Última Ceia, da igreja de Santa Maria delle Grazie, Milão. Uma pintura que já provocou inúmeras discussões sobre a identidade da jovem que se encontra à direita do Nazareno, de gargantilha dourada ao pescoço.
O Sudário e a Última Ceia devem ser sinalizações do Da Vinci para os pósteros. Ele pode ter sido o precursor das atuais pegadinhas...
(Publicado pelo Portal da TV Globo - Nordeste)

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