Gosto que me enrosco de apreciar posicionamentos de gente notável, de QI gota serena, nunca puritano nem moralista, tampouco travestido de religiosidade fingida. Inteligência distanciada das posturas sem-caráter dos viciados em empregar parentes e apaniguados em atividades remuneradas de sacristia e derredores.
Acredito ter encontrado um modo de combater as hipocrisias que, em épocas várias de cada ano, mormente as mais religiosoas, emergem com intensidade, incomodando pra caramba os que abjuram acrobáticos fingimentos e melosas adulações. E que enchem, a cada dezembro, por exemplo, todos os sacos dos papais-noéis, sobrecarregando as pobres renas e seus trenós.
Para os que se imaginam senhores do mundo, a la Bush, um pulha eleito por uma sociedade que ainda não dimensionou o quanto está sendo deplorada pelos povos civilizados, a estocada de Ludwig Wittgenstein, o mais irrequieto filósofo do século XX, é mais que oportuna: “Não tente cagar mais alto do que o seu rabo”. Uma ferroada de muita aplicabilidade atual, nos setores mais diferenciados, eclesiásticos inclusive.
Outro dia, num restaurante de classe média, as conversas em altos brados de algumas mesas carregadas de parvoíces, daquelas que estão revestindo solenidades e festas de formatura, fizeram uma senhora da nossa sociedade, sessentona de muita classe, casada e de cuca desfrescurizada exclamar: ”Meu Deus, quanta idiotice junta!! E eu pensava que só quem gostava de bunda era penico”. Os aplausos do entorno silenciaram a mesa-estrebaria.
Na Universidade Federal de Pernambuco, em aula que se findava, um arroto acanalhadamente deselegante deixou os sadios alunos presentes petrificados, sem um riso sequer estampado. A docente, sem perder a ternura, logo esclareceu: ”Gente amiga, informo que o adestramento de cavalos se faz com uma competência ímpar no Regimento Dias Cardoso, aqui bem pertinho. Sem necessidade de ferraduras”. Até hoje, o animal se ressente da gracinha feita. Segundo os colegas, o ajumentado jamais possuirá um currículo. Só prontuário.
Ao término do julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição Vaticana, uma frase por ele dita ecoa até hoje nos ouvidos dos que teimam em esconder as verdades embaixo dos tapetes: “Talvez vosso medo de impor-me esta sentença seja maior que o meu de aceitá-la”. A leitura de um livro recente – O Papa e o Herege, Michael White, Record, 2003 -, relatando todas as fases do processo, descoberto pelo cardeal Angelo Mercati nos arquivos pessoais de Pio XI, aguça a necessidade de se continuar combatendo os contratempos impostos pelos que detestam transparência e claridade. Integrem eles as igrejas, as polícias, o executivo, a política, o poder judiciário e as estruturas de uma mídia cada vez mais inteligentemente investigativa. São inimigos de sol, posto que adeptos da mais negra obscuridade.
No seu instingante Criatividade e Grupos Criativos, Domenico de Masi homenageia Gilberto Freyre, quando este dizia: “Se dependesse de mim, eu não estaria nunca plenamente maduro nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental”. Quando observo alguns se dizendo amadurecidos, de pronto imagino que um mórbido estado d’alma neles já se estabeleceu. O “estou realizado” é cancro da pior espécie. De difícil cura, antecipa a morte mental e retarda, para os crentes, a construção do Reino. Pior que ele só os hidroceléticos, aqueles que deixam a gente com o saco estropiado.
Acredito ter encontrado um modo de combater as hipocrisias que, em épocas várias de cada ano, mormente as mais religiosoas, emergem com intensidade, incomodando pra caramba os que abjuram acrobáticos fingimentos e melosas adulações. E que enchem, a cada dezembro, por exemplo, todos os sacos dos papais-noéis, sobrecarregando as pobres renas e seus trenós.
Para os que se imaginam senhores do mundo, a la Bush, um pulha eleito por uma sociedade que ainda não dimensionou o quanto está sendo deplorada pelos povos civilizados, a estocada de Ludwig Wittgenstein, o mais irrequieto filósofo do século XX, é mais que oportuna: “Não tente cagar mais alto do que o seu rabo”. Uma ferroada de muita aplicabilidade atual, nos setores mais diferenciados, eclesiásticos inclusive.
Outro dia, num restaurante de classe média, as conversas em altos brados de algumas mesas carregadas de parvoíces, daquelas que estão revestindo solenidades e festas de formatura, fizeram uma senhora da nossa sociedade, sessentona de muita classe, casada e de cuca desfrescurizada exclamar: ”Meu Deus, quanta idiotice junta!! E eu pensava que só quem gostava de bunda era penico”. Os aplausos do entorno silenciaram a mesa-estrebaria.
Na Universidade Federal de Pernambuco, em aula que se findava, um arroto acanalhadamente deselegante deixou os sadios alunos presentes petrificados, sem um riso sequer estampado. A docente, sem perder a ternura, logo esclareceu: ”Gente amiga, informo que o adestramento de cavalos se faz com uma competência ímpar no Regimento Dias Cardoso, aqui bem pertinho. Sem necessidade de ferraduras”. Até hoje, o animal se ressente da gracinha feita. Segundo os colegas, o ajumentado jamais possuirá um currículo. Só prontuário.
Ao término do julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição Vaticana, uma frase por ele dita ecoa até hoje nos ouvidos dos que teimam em esconder as verdades embaixo dos tapetes: “Talvez vosso medo de impor-me esta sentença seja maior que o meu de aceitá-la”. A leitura de um livro recente – O Papa e o Herege, Michael White, Record, 2003 -, relatando todas as fases do processo, descoberto pelo cardeal Angelo Mercati nos arquivos pessoais de Pio XI, aguça a necessidade de se continuar combatendo os contratempos impostos pelos que detestam transparência e claridade. Integrem eles as igrejas, as polícias, o executivo, a política, o poder judiciário e as estruturas de uma mídia cada vez mais inteligentemente investigativa. São inimigos de sol, posto que adeptos da mais negra obscuridade.
No seu instingante Criatividade e Grupos Criativos, Domenico de Masi homenageia Gilberto Freyre, quando este dizia: “Se dependesse de mim, eu não estaria nunca plenamente maduro nem nas idéias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental”. Quando observo alguns se dizendo amadurecidos, de pronto imagino que um mórbido estado d’alma neles já se estabeleceu. O “estou realizado” é cancro da pior espécie. De difícil cura, antecipa a morte mental e retarda, para os crentes, a construção do Reino. Pior que ele só os hidroceléticos, aqueles que deixam a gente com o saco estropiado.

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