quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pinguços Famosos

Tem gente que vive falando mal do presidente Lula, classificando-o como o maior pinguço do mundo. Uma injustiça pra lá de gigantesca, posto que gente muito mais famosa que ele é merecedora da premiação. Lula é um brasileiro igual a milhões de outros tantos, que apenas gosta de tomar uma bicada vez por outra, fora do expediente e longe dos olhares maledicentes dos curiosos de plantão. Sempre bancando suas lapadas do próprio bolso, sem prejudicar em nada o contribuinte brasileiro, que paga religiosamente seus impostos sabendo que o que está sendo arrecadado será bem aplicado, inclusive no Congresso Nacional.
Saindo do fingido imaginário acima e entrando na História da Humanidade, milhões desejariam conhecer os protagonistas dos maiores porres da humanidade, porres equivalentes aos praticados por Noel Rosa e Walt Disney, aquele que criou um rato, um pato e bebeu feito um gambá. Além dos encharcamentos homéricos praticados por Lima Barreto, Alexandre, o Grande, Jean Paul Sartre, para citar aqui uma pequena amostra. Deixando de fora o grandão Rasputin, que era gigantesco nas carraspanas e também no trabuco colossal que portava entre as pernas desde nascimento, enfeitiçador de fiéis, rainhas, princesas e até de alguns monarcas, bispos e príncipes entendidos no acolhimento afetivo das armas de atraentes atletas do ramo.
A editora Panda Books, com a finalidade de contribuir com a verdade histórica, lançou um delicioso livrinho, de nome engraçadíssimo – Hic!stórias – os maiores porres da humanidade -, de Ulisses Tavares, um historiador poeta que já vendeu, só na área lúdica, mais de oito milhões de exemplares, com 106 livros publicados, sendo ainda professor de pós-graduação de méritos amplamente reconhecidos pelos acadêmicos sóbrios.
Na orelha primeira do livro, Percival Maricato, editor da revista Bares e Restaurantes, uma das apreciadas pelos pinguços socialites de assiduidade alcoólica acima da mediana, declara que uma das primeiras preocupações dos fundadores da escrita foi eternizar a fórmula da cerveja. E cita até a Babilônia, onde se amputava as mãos dos que praticavam corrução ou misturavam alguma coisa às bebidas alcoólicas, ficando Maricato a imaginar se tal moda fosse aplicada nos setores da vida nacional brasileira. Segundo ele, a quantidade de manetas que nós veríamos na nossa área política seguramente provocaria a falência dos serviços de manicure nos vetustos legislativos, no passado recantos de debates sobre nobilitantes ideais republicanos.
Segundo Ulisses Tavares, “pior que bêbado irritado é um abstêmio religioso, fundamentalista fanático, disposto a explodir bares com tudo dentro, inclusive você, que falou mal da crença dele”. E cita o bafafá gota serena contado em Gênesis 19, quando a população enfurecida diante do prenúncio de uma punição severa pelas esculhambações praticadas, consideradas pelos historiadores modernos como um autêntico PAC – Pra Ampliar Comilança – exigiu de Ló a entrega de dois visitantes seus, os quais queriam “conhecer” sem dó nem piedade, num “créu enrabolátrico” fatal. Até o próprio Ló, depois de salvo, com suas duas filhas, do fogareu gigantesco, terminou praticando um “duplo créu gerador”, depois de espertamente embebedado pelas gulosas garotas, que desejavam assegurar a descendência mediante um lá-e-lô estritamente caseiro.
Segundo a historiografia dos pinguços, logo depois de iniciada a colonização do Brasil, descoberto por um Cabral que não era educador, sempre se encontrava um tempinho para se tomar uma “lapada”, costume que se conserva até hoje, mesmo nas viagens internacionais de air-bus, presidenciais e particulares. E o tira-gosto preferido, naquelas épocas primeiras, era pedacinhos assados de corpos humanos inimigos, alguns dos quais geraram a idéia do fabrico da linguiça. Diz o autor de Hic!stórias – os maiores porres da humanidade que “muitas escrotidões ocorreram e ainda não foram parar nos livros estudados nas escolas sobre a história do Brasil. E quando forem, vão mostrar que as atrocidades cometidas hoje pelos manés e cachorras são fichinha perto de nossos primeiros tempos.”
Para não mais importunar a paciência do leitor, que já deve estar pronto para tomar umas, ofereço uma informação de utilidade preventiva: um homem jovem, sadio, metido a cabra macho, aguenta tomar, uma após outra, no máximo, oito garrafas de pinga.
No interior de Sergipe, vendedores sabidões promovem anualmente um torneio para saber quem é o Pinguço-Rei. Segundo Ulisses Tavares, autor do livro de leitura imperdível, “nos últimos 15 anos, os vencedores não receberam o dinheiro do prêmio”, embora as missas de sétimo dia deles estivessem repletas de admiradores. Que sempre os reverenciam no Dia de Finados tomando várias.
PS. A simploriedade de um delegado de polícia que arbitrou em R$ 1.000,00 a fiança libertadora de um belga que, embriagadíssimo, atropelou e matou, infelicitando parentes que estavam de bem com a vida, é digna de gargalhadas se não fosse tão trágica. Em terra de nanico, imagina-se sempre que todo estrangeiro é ainda nosso colonizador. Se fosse algum brasileiro negro e pobre que tivesse atropelado e morto alguém ...
(Publicada no site da revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco)

Nenhum comentário: