segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Babões na folia, 2010

As arrumações para a Folia de Momo 2010 se iniciaram no dia seguinte à noite do apagão que deixou um bocado de estados brasileiros sem poder ver a cara do Lobão, aquela ovelha maranhense metida a ministro com toda energia, apelidado suprapartidariamente de Dilminho.
Entre as melhores iniciativa, a troça Babões na Folia estrutura suas evoluções, em Afogados, como sempre recheadas de muitas mangações, todas elas baseadas em atitudes risíveis acontecidas nos últimos doze meses sem a menor noção de ridículo. Pelas suas diversas alas, desfilarão inúmeros dirigentes públicos, com suas trejeitadas políticas mais recentes, efetivadas com uma descerimônia de fazer corar frade de pedra, ignorando por completo, face uma descomunal aversão a livros, o explicitado pelo professor Williams Edwards Deming, pai do milagre industrial japonês, um dos papas da gestão pela qualidade: "Muitos esforços e muito trabalho apenas não são suficientes, como tampouco o são novas máquinas, computadores e automação. Poderíamos também acrescentar que estamos sendo arruinados pelos melhores esforços feitos com as melhores intenções, porém sem a orientação de uma teoria administrativa para a otimização do sistema. Não existe substituto para o conhecimento". E mais disse: "A transformação não significa apagar incêndios, resolver problemas ou criar melhorias simplesmente cosméticas. A transformação deve ser feita por pessoas que detenham um profundo conhecimento".
A Babões na Folia mandou confeccionar três faixas abre-alas: 1. "Quem tem um mapa mais rico, se orienta melhor no mundo. Quem tem mapa limitado fica mais frequentemente enrolado"; 2. "Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz... Um caminho é só um caminho."; 3. "Para o verme num rabanete, o mundo inteiro é um rabanete". Todas elas alertando uma classe média que está a carecer de um bussolar mais condizente com as exigências de uma hipermodernidade irreversível, sem os olhos voltados para os ontens que definitivamente já se foram, a vivenciar um hoje sem os dualismos ideológicos que apenas entusiasmam os simplórios de sempre.
A Babões na Folia, com os seus deboches e picardias, chamará a atenção sobre a necessidade de se reincorporar relações perdidas, os bons gostos esquecidos, os níveis culturais despedaçados por um consumismo imediato e asneirista, os despatetamentos da área esportiva, erradicando os cansaços generalizados, incomodativos por derradeiro, rimas perfeitas para as tocaias travestidas de mãe-dos-pobres.
Numa época de tantas carências, de ainda perversa distribuição de renda, onde se está vendendo uma bem embalada ilusão do sucesso nas telas cinematográficas, a denúncia do psicólogo Esdras Guerreiro, ex-docente-visitante do prestigiado Instituto Max-Planck, da Alemanha, se encaixa como uma luva: "As pessoas querem respostas imediatas para as suas aflições . É por isso que as seitas estão crescendo enquanto as religiões tradicionais estão perdendo fiéis. O fenômeno de crer num líder capaz de nos ensinar a remover os obstáculos para os nossos objetivos pessoais não é novo, mas se reforça nos momentos de crise".
Nós, às vezes, ficamos muito seguros do nosso aprendizado do passado. E sentimo-nos bem fundeados sobre coisas que aprendemos quando éramos moços, perdendo, por ingenuidade, o bonde da história. Porque o bonde sempre está em movimento e com uma alienação cada vez maior. E quando as pessoas perdem esse bonde, começam só a olhar para o passado, nostálgicas, sem qualquer reoxigenação. Imaginando tresloucadamente que o céu é bem pertinho da terra. E que nunca mais aparecerão tiranos assassinos como Hitler, Stalin e Mussolini. Principalmente na América Latina.
A classe média brasileira necessita assimilar duas reflexões de dois expoentes da educação brasileira. A primeira é de Paulo Freire, pernambucano que precisa ser mais responsavelmente analisado: “Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho”. A outra é do educador baiano Anísio Teixeira, que assim se posicionava: "Eu não tenho responsabilidade nenhuma com as minhas idéias. Eu tenho, sim, uma responsabilidade com a verdade".
Quem tem acurado grau de maturidade, sabe caminhar. Quem não tem, continua sobrevivendo mal, atrelado ao me-disseram antissocialmente mundano. Sócios efetivos que são da Babões na Folia, da ala Turma do Tabaco Leso.
(Publicada, a partir de hoje, 23/11/2009, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife - PE, www.revistaalgomais.com.br)

Nenhum comentário: