Vez em quando dedico umas horas para ler profissionais especializados em bisbilhotar futuros, imbuídos de bolas de cristal. E fico a imaginar a cara-de-bunda de algumas personalidades que “advinharam” no passado com uma segurança de fazer rir estátuas de bronze. Algumas dessas “sabedorias”, eu as tenho em arquivo, frequentemente por mim lido por medida preventiva, para também não resvalar para besteiróis, como os “ispecialistas”, alguns deles economistas, hoje cabreiros diante dos amanhãs radicalmente incertos. Eis uma amostra mínima: "Penso que há, talvez, no mundo um mercado para 5 computadores." (Thomas Watson, presidente da IBM, 1943); "No futuro, os computadores não pesarão mais do que 1,5 tonelada." (Popular Mechanics, prevendo a evolução da ciência, 1949); "Este telefone tem inconvenientes demais para ser seriamente considerado um meio de comunicação. Esta geringonça não tem nenhum valor para nós." (Memorando interno da Western Union, 1876); "Máquinas mais pesadas do que o ar são impossíveis." (Lord Kelvin, presidente da Royal Society, 1895); "Broca para petróleo? Você quer dizer furar o chão para encontrar petróleo? Você está louco." (Operários que Edwin Drake tentou contratar para seu projeto de prospecção de petróleo, em 1859); "A bolsa alcançou um teto que parece permanente." (Irving Fisher, professor de economia, Yale University, 1929, poucos dias antes do crack de 1929); "Aviões são brinquedos interessantes, mas sem nenhum valor militar." (Marechal Ferdinand Foch, professor de estratégia, Ecole Superieure de Guerre, Paris); "Tudo que podia ser inventado já o foi." (Charles Duell, diretor do departamento de patentes dos Estados Unidos, 1899, ao propor o fechamento da sessão de registro de novas patentes); "A teoria dos germes de Louis Pasteur é uma ficção ridícula." (Pierre Pachet, professor de fisiologia em Toulouse, 1872). E, para completar, uma “preciosidade” famosa, de autor multibilionário hoje: "640 K é mais do que suficiente para qualquer um." (Bill Gates, 1981).
Recentemente, algumas “profecias” foram tornadas públicas por George Friedman, fundador da Stratfor, tida como a maior empresa do setor de inteligência do mundo, tendo publicado incontáveis artigos sobre segurança nacional e espionagem, embora nenhum prognóstico tenha sido explicitado por ele sobre a destruição das torres gêmeas, em pleno coração financeiro de Nova York, 11 de setembro de 2001.
Livro muito vendido, segundo o New York Times, Os Próximos 100 Anos – Uma Previsão para o Século XXI, antecede a fragmentação da China em 2020, em 2050 uma Guerra Mundial entre EEUU, Turquia, Polônia e Japão, além do desafio mexicano contra os Estados Unidos em 2100. Uma leitura não enfadonha, às vezes tendenciosa, onde o autor principia ressaltando as acontecências pós verão de 1900, pós verão de 1920, pós 1940, pós a temporada de 1960, pós derrota norte-americana de 1980 no Vietnã e os fatos acontecidos após 2000. Advertindo, com propriedade, que “quando se trata de prever o futuro, a única certeza é que o senso comum vai estar errado”. E ainda dá sutil alfinetada nos que profetizam sobre fatos contemporâneos: “a análise política convencional sofre de uma profunda falta de imaginação”, “completamente cega em relação às mudanças poderosas e de longo prazo que acontecem completamente às vistas de todo mundo”.
Para os estudiosos de cenários futuros, na semana passada o historiador Eric Hobsbawn, membro da Academia Britânica de Ciências, participou do World Political Forum, em Bosco Marengo, Alexandria. E suas conclusões foram acatadas, porque realistas e consequentes. Eis algumas inferências dele: “todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus; o século XXI deverá reconsiderar os seus próprios problemas em termos muito mais realistas; está em curso uma alternativa de enormes proporções das várias economias do Atlântico Norte ao Sul do planeta e principalmente à Asia oriental; a simples ‘imitação do Ocidente’ deixou de ser uma opção possível; no futuro, pode a China vir a ser considerada a salvadora mundial da crise capitalista na qual nos encontramos”. E concluiu sua participação naquele Forum, utilizando idêntica reflexão explicitada em artigo publicado no jornal La Repubblica, de 08 de outubro último, reproduzido pelo Instituto Humanitas da Universidade Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS: “O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade, importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI”.
No mais, é saber fazer a hora, sem nunca esperar acontecer.
PS. Lamentável, sob todos os aspectos, a mediocridade falante da atual campanha salarial do SERPRO, aqui no Recife. Se o futuro do sindicalismo brasileiro estiver diretamente proporcional ao falatório de uma metida a líder sindical de rua que se esgoela diariamente através de um carro de som sem mínima criatividade, a falência já deve ser anunciada.
Recentemente, algumas “profecias” foram tornadas públicas por George Friedman, fundador da Stratfor, tida como a maior empresa do setor de inteligência do mundo, tendo publicado incontáveis artigos sobre segurança nacional e espionagem, embora nenhum prognóstico tenha sido explicitado por ele sobre a destruição das torres gêmeas, em pleno coração financeiro de Nova York, 11 de setembro de 2001.
Livro muito vendido, segundo o New York Times, Os Próximos 100 Anos – Uma Previsão para o Século XXI, antecede a fragmentação da China em 2020, em 2050 uma Guerra Mundial entre EEUU, Turquia, Polônia e Japão, além do desafio mexicano contra os Estados Unidos em 2100. Uma leitura não enfadonha, às vezes tendenciosa, onde o autor principia ressaltando as acontecências pós verão de 1900, pós verão de 1920, pós 1940, pós a temporada de 1960, pós derrota norte-americana de 1980 no Vietnã e os fatos acontecidos após 2000. Advertindo, com propriedade, que “quando se trata de prever o futuro, a única certeza é que o senso comum vai estar errado”. E ainda dá sutil alfinetada nos que profetizam sobre fatos contemporâneos: “a análise política convencional sofre de uma profunda falta de imaginação”, “completamente cega em relação às mudanças poderosas e de longo prazo que acontecem completamente às vistas de todo mundo”.
Para os estudiosos de cenários futuros, na semana passada o historiador Eric Hobsbawn, membro da Academia Britânica de Ciências, participou do World Political Forum, em Bosco Marengo, Alexandria. E suas conclusões foram acatadas, porque realistas e consequentes. Eis algumas inferências dele: “todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus; o século XXI deverá reconsiderar os seus próprios problemas em termos muito mais realistas; está em curso uma alternativa de enormes proporções das várias economias do Atlântico Norte ao Sul do planeta e principalmente à Asia oriental; a simples ‘imitação do Ocidente’ deixou de ser uma opção possível; no futuro, pode a China vir a ser considerada a salvadora mundial da crise capitalista na qual nos encontramos”. E concluiu sua participação naquele Forum, utilizando idêntica reflexão explicitada em artigo publicado no jornal La Repubblica, de 08 de outubro último, reproduzido pelo Instituto Humanitas da Universidade Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS: “O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade, importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI”.
No mais, é saber fazer a hora, sem nunca esperar acontecer.
PS. Lamentável, sob todos os aspectos, a mediocridade falante da atual campanha salarial do SERPRO, aqui no Recife. Se o futuro do sindicalismo brasileiro estiver diretamente proporcional ao falatório de uma metida a líder sindical de rua que se esgoela diariamente através de um carro de som sem mínima criatividade, a falência já deve ser anunciada.
(Publicada no Portal da Globo Nordeste, Recife, Pernambuco)

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