O jornal O Globo, em sua edição de sábado passado 14, trouxe uma declaração do presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, que merece aplausos pela coragem demonstrada, diferentemente dos apupos, acompanhados imaginariamente de ovos podres, que deveriam ser endereçados às autoridades que buscaram cinicas justificativas para o apagão acontecido: ministros, presidente e ministra-candidatinha, chamada Dilminha por melosos babões amanteigados. O presidente da Eletrobrás não quis violentar a verdade, optando por uma declaração honesta.
Segundo Muniz Lopes, “nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá, estado de São Paulo, que levou à queda das três linhas de 750 quilovolts (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ‘ilhamento’ do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isso não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que ligam Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado Erat, que existe exatamente para levar ao ’lhamento’”.
Num ontem não distante, ousei serenamente, sem qualquer alvo específico, alertar os leitores acerca dos prejuizos causados por uma vaidade doentia, imensamente prejudicial, fatal em alguns casos. Recebi quase duas dezenas de e-mails. Alguns poucos encarecendo maneiramento nas pauladas, a maioria desejando pistas para identificar alguns “doentes”. Uns apontaram A, outros B, uma quase dúzia apontando lobinhos e lobões, buscando encontrar convergências entre perucas, Maranhão, Caetés, apagões e aduladores, todos ansiosos por uma dica mínima.
O objetivo das petelecadas cutucadoras foi o de ver um Recife mais de pés no chão, menos hedonista, mais acelerador da chegada de promissores futuros, menos falando para o mundo e mais consistente nos seus diferenciados campos do saber e do futebol, apesar dos juízes salafrários da CBF.
O meu interesse foi o de também alertar uma sociedade, a brasileira, acerca de uma perniciosa mania, em ampliação desde a implantação do Plano Real. A de, tal e qual os que nunca tinham saboreado mel, arrotar mil e uma grandezas, sem os atos concretos que as justifiquem, asfixiando iniciativas que possibilitariam uma respeitabilidade planetária recheada de competência e lhaneza.
Nas farmácias homeopáticas do Nordeste, uma excelente vacina, a preços módicos, se encontra à disposição dos “vaidéticos”, aqueles que se imaginam capazes de derrubar sozinhos até tarifas de energia elétrica. Uma cápsula de Simankol, manhã cedo e antes do desjejum, atenua bastante os efeitos perversos causados pelo virus da vaidade excessiva. Além de manter em alto nível a curiosidade, emulando uma salutar aprendência século 21.
Contam os monges budistas uma parábola genial. Numa excursão, um jovem rico, corado e muito independente subiu ao alto de uma montanha, encontrando um ninho de águia. Retirando dele um ovo, alojou-o em casa sob uma galinha sua, chocadora de uma meia dúzia de outros tantos. O resultado foi o nascimento de um filhote de águia no meio dos pintainhos. Bem criada, a aguiazinha não sabia sequer que não integrava a categoria. Contentou-se com a sua sina, muito embora, vez por outra, ânsias interiores provocassem o seu interior, como que a dizer “devo ser algo mais que uma simples galinha”.
A falsa galinha jamais tomou qualquer iniciativa, até contemplar uma águia sobrevoando o galinheiro em missão caçadora. Aí a convicção aflorou imediatamente: “Não sou galinha. Não nasci pra viver em galinheiro. Meu destino é o céu, ainda que não seja de brigadeiro”. E alçou vôo, deslumbrando-se, imaginando-se muito águia, até proprietária de air-bus, embora conservando toda a sua formação de galinha. Resultado: tornou-se águia, sem jamais ter abandonado sua mentalidade de galinha.
Com base na parábola acima, todo vaidoso é uma águia deslumbrada com cuca de galinha. Sem descobrir seu verdadeiro EU, fantasia-se, empavona-se, vangloria-se tolamente sob o manto de uma impunidade-carcaça que não o incrimina, embora o torne incapaz de implementar grandes obras com a naturalidade dos realmente notáveis.
Os contaminados pela vaidade patológica, os “vaidéticos”, não se controlam. Necessitam sempre de automassagens, jamais renegando os rasgados elogios dos aduladores. Mesmo que a partir de uma explicação fajuta de um apagão provocado pela natureza e também pela não entrada em operação de um sistema chamado Erat. Por incompetência gerencial de algum xeleléu nomeado sem qualificações técnicas.
(Publicada, a partir de hoje, 16/11/2009, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife - PE, www.revistaalgomais.com.br)
Segundo Muniz Lopes, “nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá, estado de São Paulo, que levou à queda das três linhas de 750 quilovolts (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ‘ilhamento’ do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isso não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que ligam Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado Erat, que existe exatamente para levar ao ’lhamento’”.
Num ontem não distante, ousei serenamente, sem qualquer alvo específico, alertar os leitores acerca dos prejuizos causados por uma vaidade doentia, imensamente prejudicial, fatal em alguns casos. Recebi quase duas dezenas de e-mails. Alguns poucos encarecendo maneiramento nas pauladas, a maioria desejando pistas para identificar alguns “doentes”. Uns apontaram A, outros B, uma quase dúzia apontando lobinhos e lobões, buscando encontrar convergências entre perucas, Maranhão, Caetés, apagões e aduladores, todos ansiosos por uma dica mínima.
O objetivo das petelecadas cutucadoras foi o de ver um Recife mais de pés no chão, menos hedonista, mais acelerador da chegada de promissores futuros, menos falando para o mundo e mais consistente nos seus diferenciados campos do saber e do futebol, apesar dos juízes salafrários da CBF.
O meu interesse foi o de também alertar uma sociedade, a brasileira, acerca de uma perniciosa mania, em ampliação desde a implantação do Plano Real. A de, tal e qual os que nunca tinham saboreado mel, arrotar mil e uma grandezas, sem os atos concretos que as justifiquem, asfixiando iniciativas que possibilitariam uma respeitabilidade planetária recheada de competência e lhaneza.
Nas farmácias homeopáticas do Nordeste, uma excelente vacina, a preços módicos, se encontra à disposição dos “vaidéticos”, aqueles que se imaginam capazes de derrubar sozinhos até tarifas de energia elétrica. Uma cápsula de Simankol, manhã cedo e antes do desjejum, atenua bastante os efeitos perversos causados pelo virus da vaidade excessiva. Além de manter em alto nível a curiosidade, emulando uma salutar aprendência século 21.
Contam os monges budistas uma parábola genial. Numa excursão, um jovem rico, corado e muito independente subiu ao alto de uma montanha, encontrando um ninho de águia. Retirando dele um ovo, alojou-o em casa sob uma galinha sua, chocadora de uma meia dúzia de outros tantos. O resultado foi o nascimento de um filhote de águia no meio dos pintainhos. Bem criada, a aguiazinha não sabia sequer que não integrava a categoria. Contentou-se com a sua sina, muito embora, vez por outra, ânsias interiores provocassem o seu interior, como que a dizer “devo ser algo mais que uma simples galinha”.
A falsa galinha jamais tomou qualquer iniciativa, até contemplar uma águia sobrevoando o galinheiro em missão caçadora. Aí a convicção aflorou imediatamente: “Não sou galinha. Não nasci pra viver em galinheiro. Meu destino é o céu, ainda que não seja de brigadeiro”. E alçou vôo, deslumbrando-se, imaginando-se muito águia, até proprietária de air-bus, embora conservando toda a sua formação de galinha. Resultado: tornou-se águia, sem jamais ter abandonado sua mentalidade de galinha.
Com base na parábola acima, todo vaidoso é uma águia deslumbrada com cuca de galinha. Sem descobrir seu verdadeiro EU, fantasia-se, empavona-se, vangloria-se tolamente sob o manto de uma impunidade-carcaça que não o incrimina, embora o torne incapaz de implementar grandes obras com a naturalidade dos realmente notáveis.
Os contaminados pela vaidade patológica, os “vaidéticos”, não se controlam. Necessitam sempre de automassagens, jamais renegando os rasgados elogios dos aduladores. Mesmo que a partir de uma explicação fajuta de um apagão provocado pela natureza e também pela não entrada em operação de um sistema chamado Erat. Por incompetência gerencial de algum xeleléu nomeado sem qualificações técnicas.
(Publicada, a partir de hoje, 16/11/2009, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife - PE, www.revistaalgomais.com.br)

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