Há uma reflexão do poeta Fernando Pessoa que envio, vez por outra, para leigos e religiosos que se imaginam plenamente puros, como se urinassem água tônica e obrassem massa italiana de qualidade ímpar. O trecho é o seguinte: “Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”.
Em julho, numa das minhas vigílias hospitalares, acompanhando Melba, inspiração e luz do meu caminhar existencial, li uma reflexão do Prof. Dr. Jair Cândido de Melo, ex-reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA, centro de excelência reconhecido internacionalmente: “Quando quiser avaliar uma organização, não se fixe tanto na imponência de seus prédios ou de suas máquinas, observe as pessoas, veja se há brilho em seus olhos ou sorriso em seus lábios; converse com elas e sinta se há entusiasmo em suas falas. Encontrando isso, pode ter a certeza de que a organização está bem”. Um pensar emocionalmente sadio, possuidor de uma correlação positiva quase perfeita com uma afirmação de George Bernard Shaw, irlandês, autor de comédias satíricas que mundializaram seu espírito irreverente e inconformista, que inclusive o fez recusar o Nobel de Literatura de 1925: “O progresso é impossível sem a mudança e aqueles que não conseguem mudar sua mente não conseguem mudar nada”.
Os três pronunciamentos acima permaneceram em meu cotidiano por muitos dias, até quando me recomendaram a leitura de um texto do Dr. Wayne Dyer, Novas Ideias Para Uma Vida Melhor – Descobrindo a Sabedoria do Tao, editado este ano pela Nova Era. Um texto que me proporcionou o reencontro com a frase famosa do Bernard Shaw.
O Dr. Wayne desenvolve uma análise bastante consequente dos 81 versos do Tao Te Ching, escritos por Lao-tzu, guardião dos arquivos imperiais na antiga capital de Luoyang e possuidor de uma deslumbrante história de vida. Segundo historiadores especialistas, Lao-tzu, decepcionado com a decadência proporcionada pelos estados em continuados conflitos bélicos, decidiu migrar na direção do deserto. No desfiladeiro de Hanku, deparou-se com alguém que conhecia a sua reputação de homem sábio, que o incentivou a registrar a essência dos seus ensinamentos. Daí emergindo, através de cinco mil caracteres chineses, o Tao Te Ching, hoje o segundo livro mais traduzido do mundo, só vencido pela Bíblia Sagrada. Segundo os historiadores, o Tao foi escrito entre 460 a.C. e 380 a.C., em réguas de bambu, sendo múltiplas vezes reproduzidas, não sendo mais possível estabelecer a ordem original dos versos.
Para quem não está minimamente familiarizado, o conceito de Tao (Caminho) é algo que somente pode ser apreendido pela intuição. É o que existe e o que inexiste. O Caminho da espontaneidade natural, sendo o Te (a Virtude) a maneira de caminhar espontaneamente, na construção de uma perfeição, onde cada coisa é simplesmente o que é e faz. Assim sendo, o Tao faz tudo ao fazer nada.
O Tao não tem personalidade. Segundo ele, o que vitaliza o universo são dois princípios ou substâncias que atuam em recíprocas interações: o yang (luz, calor, criativo, masculino) e o yin (sombra, frio, receptivo, feminino).
Somente a título de despertar, explicito para os leitores o 34º verso do Tao, com muita sensibilidade analisado, juntamente com os demais, pelo Dr. Wayne: “O Grande Caminho é universal; ele pode aplicar-se à esquerda e à direita. Todos os seres dependem dele para viver; ainda assim ele não se adona deles. Ele realiza seu propósito, mas não faz reivindicações para si mesmo. Ele protege todas as criaturas como o Céu mas não domina. Todas as coisas retornam a ele como para seu lar, mas ele não é o senhor delas; assim, ele ser chamado de ‘grande’. O sábio imita essa conduta: Ao não reivindicar grandeza, o sábio realiza a grandeza”.
Um dia, um meu Irmão, também Libertador, que perambulou pelo deserto, declarou que os Seus ensinamentos propiciavam Verdade e Vida. Estou plenamente convencido da parecença integradora dos dois Caminhos. Cumprindo bem um, estaremos comungando com o que foi mapeado pelo outro. Sábios caminhos para um viver mais condizente com uma Criação estabelecida há milhões de milhões de anos. Pelo Autor do Caminho dos Caminhos.
(Publicada, a partir de hoje, 26.11.2009, no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)
Em julho, numa das minhas vigílias hospitalares, acompanhando Melba, inspiração e luz do meu caminhar existencial, li uma reflexão do Prof. Dr. Jair Cândido de Melo, ex-reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA, centro de excelência reconhecido internacionalmente: “Quando quiser avaliar uma organização, não se fixe tanto na imponência de seus prédios ou de suas máquinas, observe as pessoas, veja se há brilho em seus olhos ou sorriso em seus lábios; converse com elas e sinta se há entusiasmo em suas falas. Encontrando isso, pode ter a certeza de que a organização está bem”. Um pensar emocionalmente sadio, possuidor de uma correlação positiva quase perfeita com uma afirmação de George Bernard Shaw, irlandês, autor de comédias satíricas que mundializaram seu espírito irreverente e inconformista, que inclusive o fez recusar o Nobel de Literatura de 1925: “O progresso é impossível sem a mudança e aqueles que não conseguem mudar sua mente não conseguem mudar nada”.
Os três pronunciamentos acima permaneceram em meu cotidiano por muitos dias, até quando me recomendaram a leitura de um texto do Dr. Wayne Dyer, Novas Ideias Para Uma Vida Melhor – Descobrindo a Sabedoria do Tao, editado este ano pela Nova Era. Um texto que me proporcionou o reencontro com a frase famosa do Bernard Shaw.
O Dr. Wayne desenvolve uma análise bastante consequente dos 81 versos do Tao Te Ching, escritos por Lao-tzu, guardião dos arquivos imperiais na antiga capital de Luoyang e possuidor de uma deslumbrante história de vida. Segundo historiadores especialistas, Lao-tzu, decepcionado com a decadência proporcionada pelos estados em continuados conflitos bélicos, decidiu migrar na direção do deserto. No desfiladeiro de Hanku, deparou-se com alguém que conhecia a sua reputação de homem sábio, que o incentivou a registrar a essência dos seus ensinamentos. Daí emergindo, através de cinco mil caracteres chineses, o Tao Te Ching, hoje o segundo livro mais traduzido do mundo, só vencido pela Bíblia Sagrada. Segundo os historiadores, o Tao foi escrito entre 460 a.C. e 380 a.C., em réguas de bambu, sendo múltiplas vezes reproduzidas, não sendo mais possível estabelecer a ordem original dos versos.
Para quem não está minimamente familiarizado, o conceito de Tao (Caminho) é algo que somente pode ser apreendido pela intuição. É o que existe e o que inexiste. O Caminho da espontaneidade natural, sendo o Te (a Virtude) a maneira de caminhar espontaneamente, na construção de uma perfeição, onde cada coisa é simplesmente o que é e faz. Assim sendo, o Tao faz tudo ao fazer nada.
O Tao não tem personalidade. Segundo ele, o que vitaliza o universo são dois princípios ou substâncias que atuam em recíprocas interações: o yang (luz, calor, criativo, masculino) e o yin (sombra, frio, receptivo, feminino).
Somente a título de despertar, explicito para os leitores o 34º verso do Tao, com muita sensibilidade analisado, juntamente com os demais, pelo Dr. Wayne: “O Grande Caminho é universal; ele pode aplicar-se à esquerda e à direita. Todos os seres dependem dele para viver; ainda assim ele não se adona deles. Ele realiza seu propósito, mas não faz reivindicações para si mesmo. Ele protege todas as criaturas como o Céu mas não domina. Todas as coisas retornam a ele como para seu lar, mas ele não é o senhor delas; assim, ele ser chamado de ‘grande’. O sábio imita essa conduta: Ao não reivindicar grandeza, o sábio realiza a grandeza”.
Um dia, um meu Irmão, também Libertador, que perambulou pelo deserto, declarou que os Seus ensinamentos propiciavam Verdade e Vida. Estou plenamente convencido da parecença integradora dos dois Caminhos. Cumprindo bem um, estaremos comungando com o que foi mapeado pelo outro. Sábios caminhos para um viver mais condizente com uma Criação estabelecida há milhões de milhões de anos. Pelo Autor do Caminho dos Caminhos.
(Publicada, a partir de hoje, 26.11.2009, no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)

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