Sou amplamente favorável ao deletamento da imposição celibatária para os irmãos sacerdotes que desejariam constituir família, também continuando em suas caminhadas evangelizadoras, atendendo chamamento vocacional. Assim, considero uma estratégia hipócrita a acolhida acenada pelo papa Bento XVI para os clérigos anglicanos conservadores, os quais poderiam continuar casados sob a guarida da Santa Sé, embora numa área bem demarcada, como se bem diferenciados fossem, sem os direitos plenos dos da casa, muitos dos quais de caminhadas comportamentais bastante dúbias. Uma decisão que ofende sem dó nem piedade a dignidade de milhares de ex-padres romanos, hoje casados e muito bem casados, que jamais atrofiaram sua vocação de bem divulgar a Mensagem do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador.
Tenho a convicção interior, nunca possível de uma mínima comprovação, que a aversão do Vaticano às mulheres se alicerça num pensamento de Santo Agostinho (354 – 450), contida em Solilóquio: “Nada é tão poderoso para enfraquecer o espírito de um homem quanto os carinhos de uma mulher”. Uma reflexão aceita até hoje, dada a experimentação vivenciada pelo futuro bispo de Hipona, ao provar os carinhos de uma mulher que com ele partilhou o leito por algum tempo como concubina. Logicamente que muito antes dele desenvolver o conceito de igreja identificada como Cidade de Deus, um dos seus trabalhos mais lidos, que exerceu imensa influência na visão e no comportamento do homem medieval. Os irmãos calvinistas, por exemplo, o consideram um dos pais teológicos da Reforma Protestante.
Para quem não sabe, foi Gregório VII, papa de 1073 a 1085, que introduziu na Igreja o celibato obrigatório para os seus sacerdotes. E creio que assim procedeu com a melhor das intenções, à época desejando selecionar os mais capacitados para o clero. Sugestionado talvez pela reflexão de Agostinho, sobre o depauperamento causado nos homens por mulheres sedutoras, tal e qual o acontecido com inúmeros abiscoitados, desde a cantada dada pela Eva no desatento Adão, na história machista que anuncia os primeiros instantes de uma metafórica Criação do Mundo.
Atualmente, o celibato obrigatório pode estar nos seus instantes históricos finais, dada a onda de pedofilia que muito vem preocupando as autoridades romanas. Segundo o pesquisador José Reis Chaves, acusações de pedofilia estão ocupando amplos espaços nos noticiários internacionais, os quais poderão influenciar novas diretrizes da Igreja Romana. Segundo Reis, o Homem de Nazaré deixou claro que há eunucos de vários tipos, mas que os verdadeiros são os feitos pelo Reino dos Céus. E reflexiona: “todavia, quando um jovem recebe o Sacramento da Ordem, tornando-se padre, ele não se transforma, como que por encanto, num desses eunucos santos. E eis aí a questão. Esse padre pode entrar numa forte crise existencial, pois que sua vocação sacerdotal pode ter sido uma ilusão, ou seja, fruto de um idealismo próprio da imaturidade dos jovens. E, assim, ele está sujeito a aventuras amorosas, ou então, mais raramente, passará a sofrer distúrbios psicológicos, que podem levá-lo às tendências homossexuais ou pedófilas”.
Mas como já anunciava o Eclesiastes 1,8 que “não há nada de novo debaixo do sol”, o celibato jamais foi fator purificante do caminhar sacerdotal. Que o diga a vida do papa Leão X, que considerava a corte pontifícia um centro de diversão, como admite até a Enciclopédia Católica. Segundo o historiador Joseph McCabe, ele era “um obsceno, frívolo e cínico”. Adorava rapazinhos e era chegado a umas boas talagadas etílicas. Conforme Nigel Cawthorne, outro pesquisador especializado, Leão X “adquiriu a reputação de um completo extravagante. Entre outras coisas, jogava baralho com seus cardeais, permitia que o público se reunisse para assistir e atirava pilhas de moedas de ouro para a plateia cada vez que ganhava uma partida”. Só faltando perguntar Quem quer dinheiro?, indagação inventada séculos depois por um tupiniquim animador de auditório.
Não será o celibato que ensejará uma maior ou menor pureza nas denominações religiosas. Abandonar ao Deus dará os sacerdotes romanos que preferiram casar a abrasar-se, seguindo recomendação paulina, embora vocacionados para uma Missão Salvifica, quando por outro lado acolhe, por interesses desnobilitantes, os casados reacionários de outras denominações, é consolidar uma homérica hipocrisia, defeito único abominado pelo Homão da Galileia, quando da sua estadia entre nós.
Tenho a convicção interior, nunca possível de uma mínima comprovação, que a aversão do Vaticano às mulheres se alicerça num pensamento de Santo Agostinho (354 – 450), contida em Solilóquio: “Nada é tão poderoso para enfraquecer o espírito de um homem quanto os carinhos de uma mulher”. Uma reflexão aceita até hoje, dada a experimentação vivenciada pelo futuro bispo de Hipona, ao provar os carinhos de uma mulher que com ele partilhou o leito por algum tempo como concubina. Logicamente que muito antes dele desenvolver o conceito de igreja identificada como Cidade de Deus, um dos seus trabalhos mais lidos, que exerceu imensa influência na visão e no comportamento do homem medieval. Os irmãos calvinistas, por exemplo, o consideram um dos pais teológicos da Reforma Protestante.
Para quem não sabe, foi Gregório VII, papa de 1073 a 1085, que introduziu na Igreja o celibato obrigatório para os seus sacerdotes. E creio que assim procedeu com a melhor das intenções, à época desejando selecionar os mais capacitados para o clero. Sugestionado talvez pela reflexão de Agostinho, sobre o depauperamento causado nos homens por mulheres sedutoras, tal e qual o acontecido com inúmeros abiscoitados, desde a cantada dada pela Eva no desatento Adão, na história machista que anuncia os primeiros instantes de uma metafórica Criação do Mundo.
Atualmente, o celibato obrigatório pode estar nos seus instantes históricos finais, dada a onda de pedofilia que muito vem preocupando as autoridades romanas. Segundo o pesquisador José Reis Chaves, acusações de pedofilia estão ocupando amplos espaços nos noticiários internacionais, os quais poderão influenciar novas diretrizes da Igreja Romana. Segundo Reis, o Homem de Nazaré deixou claro que há eunucos de vários tipos, mas que os verdadeiros são os feitos pelo Reino dos Céus. E reflexiona: “todavia, quando um jovem recebe o Sacramento da Ordem, tornando-se padre, ele não se transforma, como que por encanto, num desses eunucos santos. E eis aí a questão. Esse padre pode entrar numa forte crise existencial, pois que sua vocação sacerdotal pode ter sido uma ilusão, ou seja, fruto de um idealismo próprio da imaturidade dos jovens. E, assim, ele está sujeito a aventuras amorosas, ou então, mais raramente, passará a sofrer distúrbios psicológicos, que podem levá-lo às tendências homossexuais ou pedófilas”.
Mas como já anunciava o Eclesiastes 1,8 que “não há nada de novo debaixo do sol”, o celibato jamais foi fator purificante do caminhar sacerdotal. Que o diga a vida do papa Leão X, que considerava a corte pontifícia um centro de diversão, como admite até a Enciclopédia Católica. Segundo o historiador Joseph McCabe, ele era “um obsceno, frívolo e cínico”. Adorava rapazinhos e era chegado a umas boas talagadas etílicas. Conforme Nigel Cawthorne, outro pesquisador especializado, Leão X “adquiriu a reputação de um completo extravagante. Entre outras coisas, jogava baralho com seus cardeais, permitia que o público se reunisse para assistir e atirava pilhas de moedas de ouro para a plateia cada vez que ganhava uma partida”. Só faltando perguntar Quem quer dinheiro?, indagação inventada séculos depois por um tupiniquim animador de auditório.
Não será o celibato que ensejará uma maior ou menor pureza nas denominações religiosas. Abandonar ao Deus dará os sacerdotes romanos que preferiram casar a abrasar-se, seguindo recomendação paulina, embora vocacionados para uma Missão Salvifica, quando por outro lado acolhe, por interesses desnobilitantes, os casados reacionários de outras denominações, é consolidar uma homérica hipocrisia, defeito único abominado pelo Homão da Galileia, quando da sua estadia entre nós.
(Publicado no site da revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco)

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