quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Regras para Dirigentes

Tenho uma admiração gota serena pelo Peter Drucker, um oitentão muito atualizado. Sem diploma superior de Curso de Administração, sendo conseqüentemente olhado de esguelha pelos “carimbológicos cartoriais”, Drucker sempre soube antecipar-se à chegada de novos tempos. Essencialmente um não-especialista, Drucker não se preocupa com o exercício da administração, mas com a filosofia da administração, na construção de cenários futuros.
Homem de leituras amplas, Drucker é mestre em perguntas simples e devastadoras, daquelas que deixam os “ispecialistas”, aqueles que se imaginam notáveis, só com a cara e a coragem de continuar enxergando o “quase nada”. Uma das suas: Por que todo homem absorto nas rotinas cotidianas do seu serviço possúi uma mente confusa e obstruída por preconceitos e cavilações mentais?
No livro Administrando em Tempos de Grandes Mudanças, editado pela Pioneira, seis regras de gerência para presidentes de República foram por Drucker enumeradas, ressaltando ele que até presidentes fraquinhos foram considerados eficazes por tê-las seguidos à risca, sem mas nem meio mas, enquanto outros, metidos a porta-bandeiras do saberete universal, alguns até sociólogos, perderam eficácia por violarem as “regrinhas”. Para facilitar a vida de muito primeiro-mandatário, federal, estadual, municipal, secretarial inclusive, transcrevo, abaixo, as seis regras gerenciais druckerianas, torcendo para que elas sejam entendidas e devidamente aplicadas pelos que, ainda embananados, necessitam melhorar seus níveis gerenciais de tratamento com a coisa pública. Ei-las: 1. O que precisa ser feito? 2. Concentre-se, não se divida. 3. Nunca aposte numa coisa certa. 4. Não perca tempo administrando detalhes. 5. Não tenha amigos na administração. 6. Eleito, pare de fazer campanha.
São regras que não podem ser “apreendidas” isoladamente, sendo “ingeridas” conjuntamente, para que a eficácia surta efeito em prazo curtíssimo, mudando modos de pensar e agir, independentemente do nível etário do mandatário, posto que a sociedade de trinta anos para cá mudou e muito. E mudou de forma irreversível, deixando uma lição memorável: as ações do presente são a única maneira de fazer o futuro, deixando para trás estagnações operacionais e disputas mesquinhas. Populismos, assistencialismos demagógicos e compadrices não mais se permitem num elenco de ações criativas, competitivas e socialmente alanvancadoras.
É Drucker quem, arretadamente contemporâneo, adverte: “dá-se uma atenção demasiada à tecnologia; pior ainda, à velocidade do dispositivo, nos fazendo perder de vista a natureza fundamental da informação na organização de hoje”. E mais, para petelecar os “divinos”: “Na sociedade do conhecimento, cada vez mais conhecimentos, especialmente avançados, serão adquiridos muito depois da idade escolar e, cada vez mais, através de processos educacionais não centralizados na escola tradicional”...”Muitas instituições ainda acreditam que a maneira de obter dinheiro é proclamar necessidades”.
E quando outro dia, li não sei aonde, um dirigente universitário afirmar que “a universidade é agente de mudanças”, quase me afolozo mentalmente, muito embora o meu “bráulio” tenha ficado com uma baita dor de cabeça...

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