quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Os Supimpas do Reino

Sinto-me anormalmente apequenado, em inúmeras oportunidades, diante de personalidades tidas e havidas como eternamente instaladas por cima da carne seca e que se imaginam notabilíssimas diante de qualquer platéia. Elas conhecem tudo e todos, emitem opiniões alguns decibéis acima dos níveis sociais saudáveis e não deixam escapar oportunidade de dar uma telefonada pelo seu portátil, mesmo que para não dizer coisa alguma. Sedentas de fama, conforto, propriedade e poder, anseiam por um alô de qualquer alguém que amplie a relação dos que lhe são “gente da minha maior intimidade”.
Muito se tem escrito, nos últimos anos, a respeito do “fenômeno da impostura”, descrevendo a neurose de alguns aparentemente bem sucedidos, cujas máscaras, cedo ou tarde, cairão, a incompetência se manifestando. A neurose do aparecer é tanto maior quanto mais consolidada for, no íntimo do mascarado, a sensação plena de ser ele um anão fantasiado de gigante, de voz impostada, roupa bem engomada, a face estampando um emblemático, muito embora ilegítimo, ar de “dono do pedaço”.
Certa ocasião, ouvi de um excelente relações públicas, uma revelação comovedora: “como é triste ganhar a vida desse jeito, fingindo gostar das pessoas e esquecendo-se do que seja amizade verdadeira, descompromissada”. E o que achei de mais desestruturador nele foi o fato dele perceber que a sociedade também sempre finge aceitar tal comportamento.
A Lei de Gerson - levar vantagem em tudo - ainda é a maior lei para inúmeros, a sinceridade não devendo fazer parte do cardápio do “profissional” que deseja rapidamente alcançar sucesso. Sem tempo para nada, obcecado em ganhar, a todo instante, um pouco mais, mesmo que às custas do atropelamento de parentes e amigos.
O hábito da competição a qualquer custo é pernicioso, transforma amigos em inimigos, esmaga sadias convivialidades, menosprezando respeitosos entendimentos, retratando o nível autofágico dos ambientes que elegem o aparente como seus estandartes primeiros.
A pergunta de um profissional calejado, endereçada aos supimpas do reino, pode ser oportuno ponto de partida para uma reengenharia comportamental que semeie neles futuros mais substanciais: “Você se encontra preparado para o dia em que a música parar de tocar e as pessoas começarem a lhe dizer não?“
Todo cuidado é pouco com os supimpas. E aqui vai, para os demais, um bom conselho: “Esperar que um oportunista lhe trate bem só porque você é uma boa pessoa é como esperar que o touro não lhe ataque porque você é vegetariano”.
No mais, sempre seguir adiante, apesar dos sibilantes.

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