sábado, 25 de novembro de 2006

SOS Pinto

Pelo noticiário internético de hoje, o mundo inteiro tomou conhecimento: um monge budista tailandês, 35 anos, decepou seu pênis com uma machadinha depois que teve uma ereção durante sua meditação. O homem se recusou a ter o membro implantado, alegando que estava renunciando aos prazeres da carne.
Apavorado, um amigo de longa data, o Pierre, me chega de sopetão na minha salinha de estudos, na Universidade. As pernas bem fechadas, tronco semi-curvado a la frei Damião, olhos arregalados, foi logo cobrando: “Quando é que vão instituir o SOS Pinto, uma Ong para salvaguardar os interesses dos que ficam, na maior parte da vida útil , de cabeça baixa?. Não se pode ser omisso, ficando de pernas cruzadas, diante das giletadas, mordidas, foiçadas, águas ferventes, torcidas propositais e unhadas mórbidas que estão no noticiário jornalístico diário”.
Surpreendido com o medo estampado nas duas cabeças do visitante, solicitei um chá bem frio para ele (quente ele poderia tomar como uma intenção mórbida!) e busquei puxar um assunto menos cacete. Pedi esclarecimentos, assegurando-lhe que estava pronto para o que desse e viesse, pau pra toda obra.
O que eu ouvi merece a criação, em regime de urgência, de uma Ong específica, especializada no combate aos que atentam para a integridade física de um dos responsáveis, sejamos diretos e duros, pela perpetuação da espécie humana, que paulatinamente vem se assenhoreando da História Cósmica. Os relatos, sob hipótese alguma, não deixam água na boca. Não respeitam qualquer tamanho, vitimando encapuzados e carecas. Maculando até os derredores, simples containers de material liquefeito.
E o amigo de longa data ainda revelava um outro inconveniente: todos os dirigíveis não tinham caixa preta, impossibilitando qualquer anotação acerca do acontecido durante os preliminares procedimentos de subida.
Imaginei algumas iniciativas atenuadoras: 1. proibição, nos locais adequados e específicos, de portar qualquer instrumento cortante, estrangulante ou perfurante, inclusive dentaduras e pontes; 2. instalação, nas portas de entrada dos ambientes lovelescos, daqueles detectores de metais utilizados nos aeroportos e bancos, recolhendo-se canivetes suiços, beliros, tesourinhas, alicates de unhas, correntes de todos os tamanhos, fios dentais, alfinetes, canetas de pena, cadarços de sapatos e fivelas de todas as marcas; 3. posicionar, ao lado de cada uma dessas portas, funcionária devidamente capacitada, que ajustaria os tamanhos das unhas dos visitantes, deixando-as em grandeza inofensiva.
Na área judicial, acredito que as mais diversas varas também ficarão sensibilizadas com a problemática, devendo erguer-se duramente na defesa das vítimas de dentadas erradicadoras, decepações, decepações com esmagamentos, estrangulamentos e beliscões dolosos, culposos e chuposos.
Os seguros-saúde com certeza reformatarão suas apólices, autorizando remendos, restaurações e transplantes de pintos novos e velhos, cada solicitação avaliada por uma junta cujos membros entendam do riscado, sabendo rapidamente decidir sem frigir os ovos.
Que o SOS Pinto se agigante, para, de cabeça erguida, seguir adiante nas suas missões desbravadoras, cuspindo sempre apesar dos perigos. Pois adentrar é preciso, embora viver não o seja tanto.
Quanto ao que aconteceu com o jovem monge budista, para os que crêem todo cuidado é pouco com o tipo de meditação utilizada ...

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