segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Elegildo, um cidadão muito arretado

Encontro o João Silvino da Conceição, sempre cabrito e nunca ovelha, antenado todo diante das eleições do próximo dia 5 de outubro, quando novos prefeitos e um bocado de vereadores serão eleitos no Brasil. Ele me informa que já escolheu os seus candidatos, depois de uma conversa muito porreta que teve com o Elegildo, na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, onde eles freqüentam os cultos dos domingos, sob a batuta do dinâmico deão Sérgio Andrade.
Perguntado se poderia revelar as “dicas” recebidas do Elegildo, Silvino não se faz de rogado:
1. Eliminar os candidatos de partidos-picaretas, que somente vêm a público em época de eleição. “Dize-me em quem votas e eu direi que tipo de cidadão tu és”, um ditado danado de bom.
2. Nunca se deve votar apenas pelo rosto bonitinho, ou carinha engraçadinha. Ou pelo andor.
3. Caridade é bonita. Aproveitamento da miséria dos outros é coisa bem diferente.
4. Desconfiar de quem promete resolver tudo sozinho, tal e qual um Pai Grande, protetor dos “frascos e comprimidos”, na ingenuidade recente de um rapazote interiorano.
5. Observar bem se o candidato tem o “rabo” preso a fatos que contrariaram os interesses dos mais necessitados.
6. Desconfiar de quem explora a vida pessoal dos demais candidatos. Crítica política é uma coisa, agressões gratúitas e pessoais são outros quinhentos.
7. Evitar boca-de-urna, já levando pro caminho da urna as suas escolhas.
8. Saber que não basta apenas votar. Tem que acompanhar a atuação dos eleitos.
O João Silvino me disse ainda que o Elegildo chegou pra ficar de vez. Para fazer diminuir cada vez mais o número de eleitores abobados, aqueles que votam errado ou votam nulo.
E ressaltou todo serelepe: - Daqui pra frente, vou sempre ouvir cada vez mais o Elegildo. Para nunca mais me deixar enganar pelos demagogos de carteirinha.
Percebendo que a acomodação é um atentado contra as recomendações do Homão da Galiléia, nosso Irmão Libertador, fui conversar com o Elegildo, sendo muito bem recebido na sua residência, um quartinho pequenino que lhe foi concedido pelo meu irmão Epitácio Gueiros, administrador da Catedral. Durante o papo, acompanhado de um suco de mangaba feito a capricho, o Elenildo me mostrou os Dez Mandamentos de um caminhar efetivamente cristão em busca de um contexto mais humano e solidário para o nosso Pernambuco. Com a devida permissão dele, explicito-os: 1. Jamais ser revolucionário morto; 2. Não confiar nos que pensam ter esboços mágicos e respostas definitivas; 3. Não temer, em momento algum, discutir, discordar, debater e projetar cenários-amanhãs; 4. Nunca fingir dialogar, transparecendo espírito amargo e dogmático; 5. Respeitar as instituições legislativas e judiciárias, jamais permitindo, pela omissão, que elas resvalem para a classificação “coisas bolorentas e inúteis”; 6. Entender que o ativismo das minorias é reflexo das necessidades de um novo sistema de produção; 7. Difundir sempre que os movimentos reivindicatórios das comunidades são mais que necessários e desejáveis, posto que despertadores para futuros menos injustos; 8. Incentivar, legitimando, a diversidade, com todos tendo direito a vez e voz; 9. Sempre impossibilitar as tiranizações civis, militares e eclesiásticas; 10. Compreender e difundir sem esmorecer a Mensagem Libertadora de Jesus de Nazaré, que sacrificou-se para que “todos tivessem vida e vida em abundância”.
Segundo Elegildo, a sobrevivência dos anéis e dos dedos de todos estão na razão direta da vontade política da participação de todo mundo. E é ele mesmo quem ressalta: “o ditado ‘pimenta no abre-te-sésamo dos outros é refresco’ é alerta para gregos e troianos. A hora mundial é de muito refletir para um agir rápido e consistente, solidário e nunca-suicida.
(Publicado no Portal da Globo Nordeste – Colunistas 360)

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