A ESSÊNCIA DA ORAÇÃO
O meu amigo frei Betto, uma admiração de muitos anos por mim sentida, costuma afirmar que devemos ter, quando diariamente oramos, um relacionamento cada vez mais amadurecido com o Criador. E repete, de vez em quando, que “a fé cristã não admite a derrota da vida pela morte”.
Outro dia, em Brasília, Priscila Gontijo, uma adolescente de 13 anos, soropositiva, escreveu uma poesia-lição para todo os seus colegas de escola: “Vivo, logo existo / A morte não tem nada a ver / A morte é pra ser vivida / E a vida para reviver”.
Lembremo-nos sempre que a mais desafiadora das práticas religiosas é a da gratuidade amorosa. Deixar que Deus fale em nós, através do Espírito Santo, eis a magnífica lição que o apóstolo Paulo nos deixou (Rm 8, 26-27).
Algumas “regrinhas”, entretanto, necessitam ser seguidas por todos aqueles que, pela oração, nunca desanimam, jamais esmorecendo diante dos tropeços, desilusões e desesperanças, eliminando amuletos, pirâmides, talismãs e fetiches que apenas iludem, nada edificando na direção do Criador. Ei-las: 1. Orar é estar disposto a “perder tempo”, sem nada temer; 2. A oração só acontece quando se está convicto, sem qualquer esforço mental, da presença infinita de Deus; 3. Através da oração, adequamos nossa vontade à vontade de Deus; 4. Oração é uma referência a Deus presente em nossa vida, podendo ser litúrgica, recitativa, meditativa, intuitiva ou simples atenção n’Aquele que é a raiz de todo ser humano e o sentido último de nossa existência; 5. Orando, sempre entender que a presença de Deus mais se expande quanto mais recolhidos estivermos.
Conviver com pessoas amadas é também uma forma de oração. De agradecer ao Pai por ela existir. Uma oração que se pode vivenciar todas as horas, numa iluminação recíproca muito abençoada.
(Publicado no site da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, Recife-Pernambuco)
UM PRESENTE DANADO DE BOM
De amigo, recebi um belo presente: as Obras Completas de Teresa de Ávila. Os escritos de Teresa de Jesus refrigeram aqueles que esperam soluções eclesiais com a velocidade dos correios eletrônicos de agora. Eles ensinam como responder ao Senhor da História, ao Homão da Galiléia, nosso Irmão Libertador.
Autodidata, a formação de Teresa foi exclusivamente doméstica. O seu primeiro livro, A Vida, foi escrito quando se aproximava dos cinqüenta anos. Reformadora dos cenários religiosos do seu tempo, com seu espírito crítico, sua ousadia e seu apaixonado serviço à causa do Senhor, jamais contemporizou com os clérigos e bispos de então.
Contando com a colaboração de São João da Cruz, Teresa de Ávila, também Teresa de Jesus, buscou transmitir aos seus companheiros de apostolado as quatro atitudes fundamentais que devem ser tomadas para saber responder às interpelações de Deus: discernimento teologal, centralização em Cristo, comunhão com a Igreja e uma esperança ativa. Através de tais atitudes, o caminho a ser seguido será o de um continuado amadurecimento/crescimento, partilhando-se o destino de Jesus, morrendo-se filho da Igreja, expondo-se às contradições e às dificuldades através de uma vivência plena de uma espiritualidade encarnada na realidade cotidiana, com a esperança de cumprir bem a missão confiada pelo Filho do Homem.
As cartas de Teresa de Ávila são francas, diretas e desassombradas. Sobre assuntos os mais variados, escreve para nobres e plebeus, pessoas humildes e parentes. Seu estilo é muito agradável. Como na carta enviada, em 19 de novembro de 1576, à Madre Maria, Priora de Sevilla: “Antes que me esqueça. Muito boa teria eu achado sua carta ao Pe. Mariano se não fosse aquele latim. Deus livre a todas as minhas filhas de presumirem de latinistas. Nunca mais lhe aconteça isto, nem consinta”. Uma paulada nas pedantices que já naquela época pululavam por algumas comunidades religiosas.
Um pouco de Teresa, diariamente, revigorará homens e mulheres de nossa Igreja. Que necessitam apaixonar-se mais por Jesus de Nazaré, embebedando-se dos Seus ensinamentos, na construção de amanhãs mais humanos, mais agradáveis a Deus.
(Publicado no Boletim Dominical da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, 31.08.2008)
Outro dia, em Brasília, Priscila Gontijo, uma adolescente de 13 anos, soropositiva, escreveu uma poesia-lição para todo os seus colegas de escola: “Vivo, logo existo / A morte não tem nada a ver / A morte é pra ser vivida / E a vida para reviver”.
Lembremo-nos sempre que a mais desafiadora das práticas religiosas é a da gratuidade amorosa. Deixar que Deus fale em nós, através do Espírito Santo, eis a magnífica lição que o apóstolo Paulo nos deixou (Rm 8, 26-27).
Algumas “regrinhas”, entretanto, necessitam ser seguidas por todos aqueles que, pela oração, nunca desanimam, jamais esmorecendo diante dos tropeços, desilusões e desesperanças, eliminando amuletos, pirâmides, talismãs e fetiches que apenas iludem, nada edificando na direção do Criador. Ei-las: 1. Orar é estar disposto a “perder tempo”, sem nada temer; 2. A oração só acontece quando se está convicto, sem qualquer esforço mental, da presença infinita de Deus; 3. Através da oração, adequamos nossa vontade à vontade de Deus; 4. Oração é uma referência a Deus presente em nossa vida, podendo ser litúrgica, recitativa, meditativa, intuitiva ou simples atenção n’Aquele que é a raiz de todo ser humano e o sentido último de nossa existência; 5. Orando, sempre entender que a presença de Deus mais se expande quanto mais recolhidos estivermos.
Conviver com pessoas amadas é também uma forma de oração. De agradecer ao Pai por ela existir. Uma oração que se pode vivenciar todas as horas, numa iluminação recíproca muito abençoada.
(Publicado no site da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, Recife-Pernambuco)
UM PRESENTE DANADO DE BOM
De amigo, recebi um belo presente: as Obras Completas de Teresa de Ávila. Os escritos de Teresa de Jesus refrigeram aqueles que esperam soluções eclesiais com a velocidade dos correios eletrônicos de agora. Eles ensinam como responder ao Senhor da História, ao Homão da Galiléia, nosso Irmão Libertador.
Autodidata, a formação de Teresa foi exclusivamente doméstica. O seu primeiro livro, A Vida, foi escrito quando se aproximava dos cinqüenta anos. Reformadora dos cenários religiosos do seu tempo, com seu espírito crítico, sua ousadia e seu apaixonado serviço à causa do Senhor, jamais contemporizou com os clérigos e bispos de então.
Contando com a colaboração de São João da Cruz, Teresa de Ávila, também Teresa de Jesus, buscou transmitir aos seus companheiros de apostolado as quatro atitudes fundamentais que devem ser tomadas para saber responder às interpelações de Deus: discernimento teologal, centralização em Cristo, comunhão com a Igreja e uma esperança ativa. Através de tais atitudes, o caminho a ser seguido será o de um continuado amadurecimento/crescimento, partilhando-se o destino de Jesus, morrendo-se filho da Igreja, expondo-se às contradições e às dificuldades através de uma vivência plena de uma espiritualidade encarnada na realidade cotidiana, com a esperança de cumprir bem a missão confiada pelo Filho do Homem.
As cartas de Teresa de Ávila são francas, diretas e desassombradas. Sobre assuntos os mais variados, escreve para nobres e plebeus, pessoas humildes e parentes. Seu estilo é muito agradável. Como na carta enviada, em 19 de novembro de 1576, à Madre Maria, Priora de Sevilla: “Antes que me esqueça. Muito boa teria eu achado sua carta ao Pe. Mariano se não fosse aquele latim. Deus livre a todas as minhas filhas de presumirem de latinistas. Nunca mais lhe aconteça isto, nem consinta”. Uma paulada nas pedantices que já naquela época pululavam por algumas comunidades religiosas.
Um pouco de Teresa, diariamente, revigorará homens e mulheres de nossa Igreja. Que necessitam apaixonar-se mais por Jesus de Nazaré, embebedando-se dos Seus ensinamentos, na construção de amanhãs mais humanos, mais agradáveis a Deus.
(Publicado no Boletim Dominical da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, 31.08.2008)

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