quarta-feira, 18 de junho de 2008

Saudação a um jovem presidente

Cora Coralina, uma das maiores poetas brasileiras, disse certa feita: “Nossa vida é como uma viagem de trem, / cheia de embarques e desembarques, / de pequenos acidentes pelo caminho, / de surpresas agradáveis com alguns embarques / e de tristezas com os desembarques...”
Hoje, em sessão solenemente simples, um gigante passa o bastão a um outro gigante. E os dois gigantes de longa data perceberam que a Educação somente sobreviverá, nestes primeiros tempos de século, se um efetivo nível de convivialidade entre os seus trabalhadores for alcançado. Um trabalhador da educação que se preze não pode ser um especialista destituído de razoável cultura geral, como também não pode ser um generalista superficial em todos os saberes. Os verdadeiros educadores sempre foram trabalhadores inseridos no binômio contradição x conflitividade.
Recentemente, o economista argelino Jacques Attali, autor de Uma Breve História do Futuro, nos forneceu um balizamento relevante: “o futuro do Brasil dependerá de agora por diante da maneira pela qual ele conseguir curvar-se às regras do sucesso: criar um Estado sólido, um Estado justo, uma democracia transparente, criar um meio-ambiente relacional, suscitar um desejo de um destino comum, favorecer a mais livre criação, construir um grande porto e uma grande praça financeira, formar equitativamente os cidadãos nos saberes novos, desenvolver maciçamente os seus laboratórios de pesquisa, a sua capacidade florestal, o seu sistema financeiro, a sua indústria agro-alimentícia, as energias de substituição, dominar as tecnologias do futuro, elaborar uma geopolítica e fazer as alianças necessárias”.
Na reflexão acima emergem cinco grande desafios para a área educacional: suscitar um desejo de um destino comum; favorecer a mais livre criação; formar equitativamente os cidadãos nos saberes novos; dominar as tecnologias do futuro; fazer as alianças necessárias.
Sejamos sempre mais Leões do Norte, solidários e associativos por excelência. Criativos, jamais miméticos. Brasileiros acima de tudo. A conscientização cidadã é um compromisso histórico dos educadores responsáveis. É tomar posse de uma realidade concreta, postulando uma utopia que exige sólidos embasamentos críticos. Conscientizado é todo aquele que vai para o diálogo com o sentimento de ser parcela, permanentemente percebendo-se inconcluso, jamais dono da verdade ou militante de partido guardador de futuro único. Edificar criativos amanhãs educacionais com as ferramentas disponíveis do presente, eis a desafio de todos nós, Secretaria e Conselho.
Hoje, o segmento especializado em desenvolvimento econômico-social reconhece como essenciais dois vetores: educação básica e instituições indutoras. Quanto mais educação básica de qualidade, maiores os embornais cognitivos edificados. E quanto maior o embornal e mais eficaz a indução provocada pelas instituições, maiores os níveis de cidadania crítica, menores os índices de analfabetismo funcional, melhores os níveis de enxergamento político, mais acentuadas as tesões coletivas na busca de um lugar ao sol para todos.
Muito sucesso, presidente José Ricardo. Este colegiado se encontra à sua disposição. Para que Vossa Excelência, no futuro, não venha a sentir a angústia tornada versos pelo poeta Fernando Pessoa, uma das minhas admirações existenciais: “Fiz de mim o que não soube, / E o que podia fazer de mim não o fiz. / O dominó que vesti era errado. (...) Quando quis tirar a máscara, / Estava pegada à cara. / Quando a tirei e me vi no espelho, / Já tinha envelhecido.”
Senhor Presidente José Ricardo: somos seus companheiros de uma viagem que buscará engrandecer ainda mais o todo pernambucano, sua Educação paulofreireana, seus ontens de glórias, energizados para os amanhãs que já chegaram.
(Saudação feita na posse de José Ricardo Diniz na presidência do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco, em ato presidido pelo secretário Danilo Cabral)

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