Como uma feliz coincidência, após assistir Quando Nietzsche Chorou, um DVD de notável qualidade, quando o filósofo tem o seu pedido de casamento recusado por Lou-Andréas-Salomé, uma russa de extraordinários dotes. Um convite feito ao telefone, pelo João Silvino da Conceição: tomar uns refrigerantes no Le Fondue do Beto, na Praia da Boa Viagem. Para botar a conversa em dia, na companhia de Valéria e Pierre, casal sem salamaleques, ele empreendedor de eventos artísticos, ela profissional graduada do mais importante banco oficial brasileiro.
Na noitada feliz, Dia dos Namorados, os três casais, afinadíssimos em assuntos os mais diferenciados, mataram saudades, mesclando assuntos, sempre utilizando, ao gosto de cada um, o papel crítico do riso definido por Henri Bergson, em O Riso – Ensaio sobre a Significação do Cômico: “denunciar a esclerose que se instala nos organismos e reeducar os corpos para a fluidez, a plasticidade, a graça”. Em nós próprios e nos outros, principalmente naqueles que se acham muitos furos acima do Mal, o Bem imbricado à exaustão em seus interiores de Pequenos Príncipes já inseridos, sob justíssimos aplausos, nos rincões celestiais.
Servida a primeira rodada de carne e queijo e de novo à tona o conteúdo do DVD assistido, o João Silvino anunciou sua última leitura, um livro de menos de cem páginas, escrito por uma paulista, Rosana Suarez, mestre e doutora em Filosofia, atualmente responsável pela disciplina Filosofia Contemporânea na PUC do Rio de Janeiro.
De título Nietzsche Comediante e editado pela 7Letras, 2007, algumas passagens foram pelo João comentadas, a colocação das carapuças sendo vedadas em quaisquer circunstâncias, ainda que algumas sendo denunciadas por olhares fulgentes dos comensais. Segundo ele, a Rosana Suarez revela em seu texto brilhante que “o elogio do riso está presente nos mais belos trechos de Nietzsche”. Ela reproduz o aforismo 5 de Além do Bem e do Mal: “Esse espetáculo nos faz sorrir, a nós, de gosto exigente, que achamos muita graça em observar os truques sutis”.
O papo contagiou até a mesa do lado, quando outro casal, ele arquiteto e ela psiquiatra, solicitou incorporação à conversa, segundo ele “altamente oportuno para casal desacompanhado de seus amigos”. Um casal de paulistas, que estava desejando ampliar o seu astral, posto que tinha presenciado o Sport ser Campeão do Brasil, no dia anterior. Solicitação imediatamente aprovada por todos, a alegria se ampliando quando a jovem senhora anunciou-se como entusiasta do filósofo alemão. Um encantamento adquirido por ocasião do cumprimento da sua residência médica, efetivada numa clínica especializada para, segundo ela mesmo classificou, “pessoas embotadas que não sabiam gostosamente rir”.
Com alegria sedutora, própria dos que sabem viver, conviver e converter, a jovem psiquiatra revelou um domínio nitzscheano digno de registro. Segundo ela, em seus Fragmentos Póstumos, o filósofo alemão deixou escrito: “Parece que somos alegres porque somos monstruosamente tristes. Nós somos sérios, nós conhecemos o abismo: é por isso que evitamos a seriedade”.
A psiquiatra, então, apresentou duas folhas datilografadas, onde se encontravam dois trechos, um de Ecce Hommo, a autobiografia de Nietzsche, e o outro de A Vontade de Poder, uma coleção de 1067 aforismos, recentemente editada no Brasil pela editora Contraponto. Trechos de livros que integraram um seminário por ela recentemente coordenado, no Rio de Janeiro. O primeiro: “Desconheço outro modo de lidar com grandes tarefas senão o humor. Ele é pressuposto essencial e indício de grandeza. A casmurrice, o ar sombrio, o tom duro na garganta são objeções a um homem, que dirá à sua obra”.
O segundo texto: “Todo instinto soberano faz dos outros seus instrumentos, sua corte e seus aduladores: não se deixa nunca nomear por seu nome indigno: e não tolera outros ditos elogiosos, nos quais não seja louvado indiretamente. Em torno a todo instinto soberano cristalizam-se em geral todo louvor e toda censura em uma ordem fixa e em uma etiqueta. Essa é umas causas da falsidade”. Segundo a nova amiga, os que não possuem humor têm um índice correlacional muito forte com a falsidade. Daí a dinâmica de parte do seminário sobre os textos apresentados.
A despedida foi generosa e muito lamentada a passagem rápida das horas. E-mails foram trocados. E Reflexões ganhou mais duas inscrições. A de dois paulistas que, demonstrando muito humor, também entendem nitzscheanamente que “todo moralista faz parte dos seres que devem ser questionados”.
Todos nós ganhamos mais um casal amigo. Mesmo sendo corintianos...
Na noitada feliz, Dia dos Namorados, os três casais, afinadíssimos em assuntos os mais diferenciados, mataram saudades, mesclando assuntos, sempre utilizando, ao gosto de cada um, o papel crítico do riso definido por Henri Bergson, em O Riso – Ensaio sobre a Significação do Cômico: “denunciar a esclerose que se instala nos organismos e reeducar os corpos para a fluidez, a plasticidade, a graça”. Em nós próprios e nos outros, principalmente naqueles que se acham muitos furos acima do Mal, o Bem imbricado à exaustão em seus interiores de Pequenos Príncipes já inseridos, sob justíssimos aplausos, nos rincões celestiais.
Servida a primeira rodada de carne e queijo e de novo à tona o conteúdo do DVD assistido, o João Silvino anunciou sua última leitura, um livro de menos de cem páginas, escrito por uma paulista, Rosana Suarez, mestre e doutora em Filosofia, atualmente responsável pela disciplina Filosofia Contemporânea na PUC do Rio de Janeiro.
De título Nietzsche Comediante e editado pela 7Letras, 2007, algumas passagens foram pelo João comentadas, a colocação das carapuças sendo vedadas em quaisquer circunstâncias, ainda que algumas sendo denunciadas por olhares fulgentes dos comensais. Segundo ele, a Rosana Suarez revela em seu texto brilhante que “o elogio do riso está presente nos mais belos trechos de Nietzsche”. Ela reproduz o aforismo 5 de Além do Bem e do Mal: “Esse espetáculo nos faz sorrir, a nós, de gosto exigente, que achamos muita graça em observar os truques sutis”.
O papo contagiou até a mesa do lado, quando outro casal, ele arquiteto e ela psiquiatra, solicitou incorporação à conversa, segundo ele “altamente oportuno para casal desacompanhado de seus amigos”. Um casal de paulistas, que estava desejando ampliar o seu astral, posto que tinha presenciado o Sport ser Campeão do Brasil, no dia anterior. Solicitação imediatamente aprovada por todos, a alegria se ampliando quando a jovem senhora anunciou-se como entusiasta do filósofo alemão. Um encantamento adquirido por ocasião do cumprimento da sua residência médica, efetivada numa clínica especializada para, segundo ela mesmo classificou, “pessoas embotadas que não sabiam gostosamente rir”.
Com alegria sedutora, própria dos que sabem viver, conviver e converter, a jovem psiquiatra revelou um domínio nitzscheano digno de registro. Segundo ela, em seus Fragmentos Póstumos, o filósofo alemão deixou escrito: “Parece que somos alegres porque somos monstruosamente tristes. Nós somos sérios, nós conhecemos o abismo: é por isso que evitamos a seriedade”.
A psiquiatra, então, apresentou duas folhas datilografadas, onde se encontravam dois trechos, um de Ecce Hommo, a autobiografia de Nietzsche, e o outro de A Vontade de Poder, uma coleção de 1067 aforismos, recentemente editada no Brasil pela editora Contraponto. Trechos de livros que integraram um seminário por ela recentemente coordenado, no Rio de Janeiro. O primeiro: “Desconheço outro modo de lidar com grandes tarefas senão o humor. Ele é pressuposto essencial e indício de grandeza. A casmurrice, o ar sombrio, o tom duro na garganta são objeções a um homem, que dirá à sua obra”.
O segundo texto: “Todo instinto soberano faz dos outros seus instrumentos, sua corte e seus aduladores: não se deixa nunca nomear por seu nome indigno: e não tolera outros ditos elogiosos, nos quais não seja louvado indiretamente. Em torno a todo instinto soberano cristalizam-se em geral todo louvor e toda censura em uma ordem fixa e em uma etiqueta. Essa é umas causas da falsidade”. Segundo a nova amiga, os que não possuem humor têm um índice correlacional muito forte com a falsidade. Daí a dinâmica de parte do seminário sobre os textos apresentados.
A despedida foi generosa e muito lamentada a passagem rápida das horas. E-mails foram trocados. E Reflexões ganhou mais duas inscrições. A de dois paulistas que, demonstrando muito humor, também entendem nitzscheanamente que “todo moralista faz parte dos seres que devem ser questionados”.
Todos nós ganhamos mais um casal amigo. Mesmo sendo corintianos...

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