sábado, 7 de junho de 2008

Presente de Valor

Na última Páscoa, recebi de amigo fraternal uma lembrança pernambucaníssima: o livro Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à Prática Educativa, do nunca esquecido Paulo Freire, edição Paz e Terra, onde o mestre “nos ensina a ensinar partindo do ser professor”, testemunho de Moacir Gadotti, também um docente de muito compromisso social.
Agradecendo sensibilizado o presente - já lido e relido inúmeras vezes desde sua primeira edição, em 1996 - reproduzo, aqui, o que declarei num recente pronunciamento no Conselho Estadual de Educação: "Hoje, todo dirigente de bom tirocínio, não pode deixar de dizer presente diante das velocíssimas mutações que se estão verificando nos contextos nacional e mundial. Isto significa um questionamento sereno da sua própria organização, sobre o seu próprio diagnóstico e prognóstico, sobre suas próprias realizações, sobre seu ritmo de desenvolvimento, sobre seu nível de organização frente às demais instituições".
Todo dirigente sem nostalgias puritanosas, não desconhece a necessidade de promover uma contínua contemporaneidade direcional, nunca se olvidando dos versos para mim enviados pela Djanira Gondim, profissional ouro de lei: “Não pode alcançar os astros / Quem leva a vida de rastros / Quem é poeira do chão”.
As regiões desenvolvidas do mundo enfrentarão, nos próximos anos, períodos prolongados de estagnação econômica se não ampliarem a produtividade na área do conhecimento. Mormente do conhecimento humanístico, posto que ele será cada vez mais demandado nas análises e configurações dos modernos e complexos sistemas organizacionais.
Nas áreas ainda em desenvolvimento, como a nossa, não saberemos ultrapassar os obstáculos epistemológicos mais elementares se não desenvolvermos uma agressiva política educacional, atentando para as demandas de um social em contínua ebulição.
Um alerta nunca menosprezado pelos mais antenados: "Quem tem um mapa mais rico, se orienta melhor no mundo. Quem tem mapa limitado fica mais freqüentemente enrolado. Mas quem possui e sabe usar uma bússola, será o merecedor de todos os louros ".
Para quem deseja tornar-se historicamente bem situado e datado, nada como uma balizamento mestre: “o aparentemente impossível de agora é a única possibilidade que sobra".
Com maturidade se anda e se finca estacas sólidas. Sem elas, o desmanche será inevitável, restando apenas engrossar as fileiras do GLST – Grupo Lambança Sem Tacógrafo, conjunto de abiscoitados metidos a autoridade, repleto de diplomas e certificados no local de trabalho, ares doutorais e ações medíocres.

Nenhum comentário: