Acredito piamente que as lorotagens e os engasgos gramaticais do presidente Lula são frutos de uma inteligência que de há muito já percebeu que as oposições, especialmente às sediadas no Congresso Nacional, estão taticamente desarvoradas, salvo as mínimas exceções bravias. E que as consagrações avaliatórias recebidas pelas pesquisas várias testemunham o acerto da sua tática verborrágica, com seu assistencialismo distributivista, que plenamente ratifica uma sabedoria explicitada pelo ex-arcebispo metropolitano de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara: “Muitos imaginam que o povo não pensa. O povo pensa...”
Não acredito que a atuação do presidente se restrinja tão somente às falações, sorrisos e palmadinhas nas costas, bonezinhos vários, abracinhos de crianças e adeuses de emblemáticos quatro dedos. Estou convencido que, nos serões acontecidos no gabinete presidencial, regados a sucos diversos, bolachas e biscoitos, alguns dados quantitativos internacionais são atentamente analisados, ensejando ampliações e restrições estruturais para os quatro cantos do planeta: de 1980 a 2006, o PIB da Ásia foi mutiplicado por 4, o da China por 3, o da Europa por 2, enquanto a parte dos EEUU no PIB mundial permaneceu igual a 21%; que 9 dos 12 maiores portos do mundo estão localizados no litoral asiático do Pacífico; que cerca de 2/3 dos diplomados norte-americanos em ciências e engenharia em 2006 são de origem asiática; a China foi, em 2006, o primeiro consumidor mundial de cobre, ferro, níquel, chumbo e alumínio; que as transações financeiras internacionais representaram, em 2006, 80 vezes o volume do comércio mundial, contra apenas 3,5 em 1997; as exportações representam cerca de 13% do PIB mundial, fato não acontecido desde 1913; o Banco Central Russo dispõe de mais de 250 bilhões de dólares de reserva; os assalariados norte-americanos estão cada vez mais endividados; na Califórnia, onde o salário mínimo por hora gira em torno de oito dólares, uma em cada cinco crianças vive abaixo da linha da pobreza; em 2006, 41 milhões de norte-americanos não receberam qualquer tipo de ajuda, enquanto 31 milhões não possuíam qualquer tipo de seguro; em Nova York, atualmente, mais de 38 mil pessoas dormem, a cada noite, em albergues municipais, entre elas mais de 16 mil crianças; metade dos habitantes do globo não possuem acesso digno à água, tampouco à moradia; e, em 2006, metade da população mundial sobrevive com menos de dois dólares diários.
O presidente Lula sabe que o seu ministério tem titulares de muita competência, José Múcio Monteiro e Sérgio Rezende, para citar só dois pernambucanos. E também tem consciência de ter, como colaboradores diretos, um bom número de num-serve-para-nadas especialistas em oportunidades eleitoreiras, a relação sendo aqui omitida para não enodoar esta página de jornal liderança regional.
Se a minha avó Zefinha estivesse por aqui, diria sem pestanejar que o presidente Lula nasceu “com os fundos para a lua”, posto que os somente assim nascidos estavam predestinados a ter muita sorte na sua caminhada terrestre. Confesso que nada sei sobre para que direção emergiu o bumbum lulístico por ocasião do seu nascimento. Embora saiba, porque todos comentam, que o presidente muito bem aproveitou a alavancada dada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. E que ampliou como ninguém o seu ibope, diante da majestinidade magisterial do ex-presidente, uma inteligência em corpo de chato-de-galocha, expressão também do agrado da Zefinha, minha avó, que mal sabia ler, embora dotada de um tino intuitivo para PhDeus algum botar defeito.
Que o presidente está percebendo os contrastes autofágicos, não tenho a menor dúvida. Que ele tem plena consciência da sua boa estrela, assino embaixo. Que tem uma mulher que não o atrapalha, asseguro em cartório. Mas que não deve ficar desatento aos ventos conjunturais do planeta. Nem dos Brutus que perambulam no seu pedaço.
(Publicado no Portal da Globo Nordeste, Recife, Pernambuco)
Não acredito que a atuação do presidente se restrinja tão somente às falações, sorrisos e palmadinhas nas costas, bonezinhos vários, abracinhos de crianças e adeuses de emblemáticos quatro dedos. Estou convencido que, nos serões acontecidos no gabinete presidencial, regados a sucos diversos, bolachas e biscoitos, alguns dados quantitativos internacionais são atentamente analisados, ensejando ampliações e restrições estruturais para os quatro cantos do planeta: de 1980 a 2006, o PIB da Ásia foi mutiplicado por 4, o da China por 3, o da Europa por 2, enquanto a parte dos EEUU no PIB mundial permaneceu igual a 21%; que 9 dos 12 maiores portos do mundo estão localizados no litoral asiático do Pacífico; que cerca de 2/3 dos diplomados norte-americanos em ciências e engenharia em 2006 são de origem asiática; a China foi, em 2006, o primeiro consumidor mundial de cobre, ferro, níquel, chumbo e alumínio; que as transações financeiras internacionais representaram, em 2006, 80 vezes o volume do comércio mundial, contra apenas 3,5 em 1997; as exportações representam cerca de 13% do PIB mundial, fato não acontecido desde 1913; o Banco Central Russo dispõe de mais de 250 bilhões de dólares de reserva; os assalariados norte-americanos estão cada vez mais endividados; na Califórnia, onde o salário mínimo por hora gira em torno de oito dólares, uma em cada cinco crianças vive abaixo da linha da pobreza; em 2006, 41 milhões de norte-americanos não receberam qualquer tipo de ajuda, enquanto 31 milhões não possuíam qualquer tipo de seguro; em Nova York, atualmente, mais de 38 mil pessoas dormem, a cada noite, em albergues municipais, entre elas mais de 16 mil crianças; metade dos habitantes do globo não possuem acesso digno à água, tampouco à moradia; e, em 2006, metade da população mundial sobrevive com menos de dois dólares diários.
O presidente Lula sabe que o seu ministério tem titulares de muita competência, José Múcio Monteiro e Sérgio Rezende, para citar só dois pernambucanos. E também tem consciência de ter, como colaboradores diretos, um bom número de num-serve-para-nadas especialistas em oportunidades eleitoreiras, a relação sendo aqui omitida para não enodoar esta página de jornal liderança regional.
Se a minha avó Zefinha estivesse por aqui, diria sem pestanejar que o presidente Lula nasceu “com os fundos para a lua”, posto que os somente assim nascidos estavam predestinados a ter muita sorte na sua caminhada terrestre. Confesso que nada sei sobre para que direção emergiu o bumbum lulístico por ocasião do seu nascimento. Embora saiba, porque todos comentam, que o presidente muito bem aproveitou a alavancada dada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. E que ampliou como ninguém o seu ibope, diante da majestinidade magisterial do ex-presidente, uma inteligência em corpo de chato-de-galocha, expressão também do agrado da Zefinha, minha avó, que mal sabia ler, embora dotada de um tino intuitivo para PhDeus algum botar defeito.
Que o presidente está percebendo os contrastes autofágicos, não tenho a menor dúvida. Que ele tem plena consciência da sua boa estrela, assino embaixo. Que tem uma mulher que não o atrapalha, asseguro em cartório. Mas que não deve ficar desatento aos ventos conjunturais do planeta. Nem dos Brutus que perambulam no seu pedaço.
(Publicado no Portal da Globo Nordeste, Recife, Pernambuco)

Nenhum comentário:
Postar um comentário