Se eu pudesse, recomendaria a cada um de meus irmãos leitores reservar diariamente, nas suas próximas férias, um tempo para leituras para leituras "desabusantes", aquelas que "despequenizam" interiores, agigantando esperanças num futuro mais dignificante para todos os povos e nações.
As sugestões abaixo, eu as envio para vários gostos e estados d'alma, convicto de não ser dono do mundo, mas tão somente um dos filhos do Dono, de temperamento cabrítico, admirador de carteirinha de um único irmão que é o Libertador de todos nós outros.
- A Realidade das Pequenas Coisas - A psicologia do cotidiano - Francesca Emiliani, SENAC-SP, 2009. A autora, psicóloga social italiana, analisa os pequenos fatos que, aparentemente desapercebidos, alteram humores, balançam o emocional, alterando previsibilidades e trajetórias. Para ela, a vida cotidiana exige dois requisitos basilares: conhecer e pensar. Sem eles, as interpretações e as comparações tornam-se alienados, fantasiosos todos, desestabilizandos caminhares existenciais, favorecendo fundamentalismos religiosos e sectarismos ideológicos. Uma apreensão saudável da cotidianidade é a melhor garantidora de uma salutar caminhada social, profissional e espiritual, cidadanizadora por excelência.
- Galileu, Anticristo, uma biografia – Michael White, Record, 2009. Segundo o jornal The Guardian, “um alerta excepcionalmente profundo sobre os horrores da teocracia – tanto na repressão contra a individualidade como na inevitável estagnação da ciência”. Considerado do mesmo tope de Newton, Einstein e Darwin, a biografia de Galileu é um apanhado das suas extraordinárias realizações científicas, incluindo a monumental trombada por ele dada nos socavões de pouco enxergamento da Igreja de Roma. O embate entre o gênio da ciência e os inquisitoriais da Igreja é minuciosamente explicitado em páginas inesquecíveis. A vida de Galileu pode ser definida como uma caminhada repleta de tramas e intrigas, perpetradas pelos que buscavam manter, à luz da ignorância científica, suas auto-preservações e influências sobre as massas cegadas pelo obscurantismo religioso mais tosco. Uma reflexão de Galileu é mundialmente conhecida: “Não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de sensibilidade, razão e intelecto pretendia que limitássemos seu uso”.
- Novo Testamento – história, escritura e teologia – Daniel Marguerat (org), Loyola, 2009. A idéia do organizador é a de “oferecer ao leitor iniciante uma visão global dos problemas históricos e literários levantados pela redação de cada livro do Nova Testamento, mas sem deixá-lo perdido numa profusão de referências”. Todas as colaborações sendo explicitadas sob concepções evolutivas, não esclerosadas. A coletânea é dividida em seis partes: A tradição sinótica e os Atos dos Apóstolos; A literatura paulina; A tradição joanina; As epístolas católicas; A história do canon; A crítica textual. O manual, ao contrário dos que pensam que a exegese histórico-crítica é uma disciplina imobilizada em seus procedimentos, efetiva uma demonstração evidente de uma renovação das categorias literárias clássicas.
- Formação Ética – Do tédio ao respeito de si – Yves de la Taille, Artmed, 2009. O autor, professor titular da Universidade de São Paulo, francês naturalizado brasileiro e especializado em desenvolvimento moral, divide seu texto em dois grandes blocos. No primeiro, Plano Ético, ele desenvolve uma análise sedutora da cultura do tédio e da cultura do sentido. Na segunda, Plano Moral, ele expões a cultura da vaidade e a cultura do “respeito de si”. Num ainda início de século, onde se fala muito de ética num mundo que parece dela não sofrer influência, o livro proporciona a construção de estratégias educacionais, nos mais variados segmentos sociais, capazes de alterar, mesmo a muito longo prazo, o atual estágio de descalabro moral planetário.
- Satã, uma biografia – Henry Ansgar Kelly, Globo, 2008. O autor, Professor Emérito da Universidade da Califórnia, USA, comprova que, com base nas Sagradas Escrituras, não existe a menor menção a Satã, entendido como poderoso inimigo de Deus. Segundo Kelly, “os demônios citados nos primeiros textos que compõem a Bíblia agem como promotores públicos celestiais, funcionários angélicos encarregados de patrulhar a Terra e testar as virtudes dos homens com a devida autorização divina”. Na orelha do livro está explicitado: “Para Henry Ansgar Kelly, o sombrio carrasco de rabo e chifre não existe: foi inventado por textos escritos séculos depois da Bíblia. O que, segundo o autor, impediu-nos de conhecer o verdadeiro Satã, a quem este livro pretende reabilitar”.
Para que os mentalmente mais raquíticos, leigos e clérigos, não me critiquem por ter dado conhecimento de um livro muito bem estruturado sobre o Danadão, concluo as sugestões de boas leituras, com dois preciosos lançamentos da editora Loyola. Ei-los:
- Deus no pensamento filosófico – Emerich Coreth, Loyola, 2009. Se o ateísmo teórico está em plano secundário, o ateísmo prático continua a ampliar sua influência nos quatro cantos do planeta, onde vive-se e pensa-se sem Deus, a pergunta sobre Deus não estando mais presente no mundo contemporâneo. O autor, um sacerdote jesuíta, expõe um trabalho filosófico de mais de cinquenta anos, sem abordar temas e problemas teológicos, encontrando-se também isento de aparatos científicos. Um texto que merece uma leitura atenta.
- Os filósofos e a questão de Deus – Luc Langlois e Yves Charles Zarka )orgs), Loyola, 2009. Uma questão domina, hoje, os principais centros mundiais de Ciências Humanas: “É possível superar o niilismo, que às vezes assume a figura de novos deuses, cuja forma extrema conduziu o século XX à catástrofe e à barbárie inauditas?” Tal questionamento é complementado por outros dois: “O que resta de um saber sobre Deus, de um saber sobre aquele que ultrapassa todos os saberes?” e “O modo como os filósofos pensarem Deus pode abrir caminhos na direção da alteridade, da transcendência?” A ideia dos organizadores e a de proporcionar um consistente repensar sobre Deus, reinserindo-O na história da filosofia. O trabalho resultou de um colóquio realizado em Quebec, abril de 2002, muito emboraalguns textos tenham sido redigidos posteriormente.
Para não torrar a paciência de muitos, alguns que até arrepiam os cabelos só em contemplar a capa de um livro de Filosofia, eis uma muito oportuna sugestão última:
- Como estudar filosofia – guia prático para estudantes – Clare Saunders, David Mossley, George Ross, Danielle Lamb e Julie Closs, Artmed, 2009. Texto elaborado por professores universitários e revisado tecnicamente pelo Dr. Valério Rohden, pós-doutoramento efetivado na Universidade de Munster, Alemanha, atualmente docente da UFRS e da Universidade Luterana do Brasil. E destinado aos alunos de graduação, também de muita utilidade para graduados, pós-graduados e seminaristas distanciados das lides filosofais, por deficiências próprias ou institucionais. Após uma apreensibilidade consistente dos temas desenvolvidos pelo livro, todos poderão principiar a ler textos filosóficos, preparar-se para debates e discussões, escolher temas paradissertações e ensaios, estruturar argumentos, detectar plágios, assimilar termos técnicos e usar uma biblioteca e a Internet.
As sugestões abaixo, eu as envio para vários gostos e estados d'alma, convicto de não ser dono do mundo, mas tão somente um dos filhos do Dono, de temperamento cabrítico, admirador de carteirinha de um único irmão que é o Libertador de todos nós outros.
- A Realidade das Pequenas Coisas - A psicologia do cotidiano - Francesca Emiliani, SENAC-SP, 2009. A autora, psicóloga social italiana, analisa os pequenos fatos que, aparentemente desapercebidos, alteram humores, balançam o emocional, alterando previsibilidades e trajetórias. Para ela, a vida cotidiana exige dois requisitos basilares: conhecer e pensar. Sem eles, as interpretações e as comparações tornam-se alienados, fantasiosos todos, desestabilizandos caminhares existenciais, favorecendo fundamentalismos religiosos e sectarismos ideológicos. Uma apreensão saudável da cotidianidade é a melhor garantidora de uma salutar caminhada social, profissional e espiritual, cidadanizadora por excelência.
- Galileu, Anticristo, uma biografia – Michael White, Record, 2009. Segundo o jornal The Guardian, “um alerta excepcionalmente profundo sobre os horrores da teocracia – tanto na repressão contra a individualidade como na inevitável estagnação da ciência”. Considerado do mesmo tope de Newton, Einstein e Darwin, a biografia de Galileu é um apanhado das suas extraordinárias realizações científicas, incluindo a monumental trombada por ele dada nos socavões de pouco enxergamento da Igreja de Roma. O embate entre o gênio da ciência e os inquisitoriais da Igreja é minuciosamente explicitado em páginas inesquecíveis. A vida de Galileu pode ser definida como uma caminhada repleta de tramas e intrigas, perpetradas pelos que buscavam manter, à luz da ignorância científica, suas auto-preservações e influências sobre as massas cegadas pelo obscurantismo religioso mais tosco. Uma reflexão de Galileu é mundialmente conhecida: “Não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de sensibilidade, razão e intelecto pretendia que limitássemos seu uso”.
- Novo Testamento – história, escritura e teologia – Daniel Marguerat (org), Loyola, 2009. A idéia do organizador é a de “oferecer ao leitor iniciante uma visão global dos problemas históricos e literários levantados pela redação de cada livro do Nova Testamento, mas sem deixá-lo perdido numa profusão de referências”. Todas as colaborações sendo explicitadas sob concepções evolutivas, não esclerosadas. A coletânea é dividida em seis partes: A tradição sinótica e os Atos dos Apóstolos; A literatura paulina; A tradição joanina; As epístolas católicas; A história do canon; A crítica textual. O manual, ao contrário dos que pensam que a exegese histórico-crítica é uma disciplina imobilizada em seus procedimentos, efetiva uma demonstração evidente de uma renovação das categorias literárias clássicas.
- Formação Ética – Do tédio ao respeito de si – Yves de la Taille, Artmed, 2009. O autor, professor titular da Universidade de São Paulo, francês naturalizado brasileiro e especializado em desenvolvimento moral, divide seu texto em dois grandes blocos. No primeiro, Plano Ético, ele desenvolve uma análise sedutora da cultura do tédio e da cultura do sentido. Na segunda, Plano Moral, ele expões a cultura da vaidade e a cultura do “respeito de si”. Num ainda início de século, onde se fala muito de ética num mundo que parece dela não sofrer influência, o livro proporciona a construção de estratégias educacionais, nos mais variados segmentos sociais, capazes de alterar, mesmo a muito longo prazo, o atual estágio de descalabro moral planetário.
- Satã, uma biografia – Henry Ansgar Kelly, Globo, 2008. O autor, Professor Emérito da Universidade da Califórnia, USA, comprova que, com base nas Sagradas Escrituras, não existe a menor menção a Satã, entendido como poderoso inimigo de Deus. Segundo Kelly, “os demônios citados nos primeiros textos que compõem a Bíblia agem como promotores públicos celestiais, funcionários angélicos encarregados de patrulhar a Terra e testar as virtudes dos homens com a devida autorização divina”. Na orelha do livro está explicitado: “Para Henry Ansgar Kelly, o sombrio carrasco de rabo e chifre não existe: foi inventado por textos escritos séculos depois da Bíblia. O que, segundo o autor, impediu-nos de conhecer o verdadeiro Satã, a quem este livro pretende reabilitar”.
Para que os mentalmente mais raquíticos, leigos e clérigos, não me critiquem por ter dado conhecimento de um livro muito bem estruturado sobre o Danadão, concluo as sugestões de boas leituras, com dois preciosos lançamentos da editora Loyola. Ei-los:
- Deus no pensamento filosófico – Emerich Coreth, Loyola, 2009. Se o ateísmo teórico está em plano secundário, o ateísmo prático continua a ampliar sua influência nos quatro cantos do planeta, onde vive-se e pensa-se sem Deus, a pergunta sobre Deus não estando mais presente no mundo contemporâneo. O autor, um sacerdote jesuíta, expõe um trabalho filosófico de mais de cinquenta anos, sem abordar temas e problemas teológicos, encontrando-se também isento de aparatos científicos. Um texto que merece uma leitura atenta.
- Os filósofos e a questão de Deus – Luc Langlois e Yves Charles Zarka )orgs), Loyola, 2009. Uma questão domina, hoje, os principais centros mundiais de Ciências Humanas: “É possível superar o niilismo, que às vezes assume a figura de novos deuses, cuja forma extrema conduziu o século XX à catástrofe e à barbárie inauditas?” Tal questionamento é complementado por outros dois: “O que resta de um saber sobre Deus, de um saber sobre aquele que ultrapassa todos os saberes?” e “O modo como os filósofos pensarem Deus pode abrir caminhos na direção da alteridade, da transcendência?” A ideia dos organizadores e a de proporcionar um consistente repensar sobre Deus, reinserindo-O na história da filosofia. O trabalho resultou de um colóquio realizado em Quebec, abril de 2002, muito emboraalguns textos tenham sido redigidos posteriormente.
Para não torrar a paciência de muitos, alguns que até arrepiam os cabelos só em contemplar a capa de um livro de Filosofia, eis uma muito oportuna sugestão última:
- Como estudar filosofia – guia prático para estudantes – Clare Saunders, David Mossley, George Ross, Danielle Lamb e Julie Closs, Artmed, 2009. Texto elaborado por professores universitários e revisado tecnicamente pelo Dr. Valério Rohden, pós-doutoramento efetivado na Universidade de Munster, Alemanha, atualmente docente da UFRS e da Universidade Luterana do Brasil. E destinado aos alunos de graduação, também de muita utilidade para graduados, pós-graduados e seminaristas distanciados das lides filosofais, por deficiências próprias ou institucionais. Após uma apreensibilidade consistente dos temas desenvolvidos pelo livro, todos poderão principiar a ler textos filosóficos, preparar-se para debates e discussões, escolher temas paradissertações e ensaios, estruturar argumentos, detectar plágios, assimilar termos técnicos e usar uma biblioteca e a Internet.
Para não dizer que não falei de romances, eis um de muito bom nível:
- O brasileiro voador – Márcio de Souza, Record, 2009 – Romanceando a vida de Santos Dumont, o autor dá asas à imaginação, sem desrespeitar a história, contando cenas impagáveis da vida do pai da aviação. Não pretendendo ser exaustiva, essa biografia romanceada de Santos Dumont proporciona agradáveis momentos de uma leitura prazerosa, sempre utilizando um inteligente estilo humoral. Leitura apropriada para quem deseja continuar feliz com a Vida.
Boas férias para todos!! E que o Homão da Galileia nos ajude a suportar a fedentina que atualmente exala do Congresso Naional, produto de uma série de irresponsabilidades, inclusive as praticadas pela alienação de milhões de eleitores.
- O brasileiro voador – Márcio de Souza, Record, 2009 – Romanceando a vida de Santos Dumont, o autor dá asas à imaginação, sem desrespeitar a história, contando cenas impagáveis da vida do pai da aviação. Não pretendendo ser exaustiva, essa biografia romanceada de Santos Dumont proporciona agradáveis momentos de uma leitura prazerosa, sempre utilizando um inteligente estilo humoral. Leitura apropriada para quem deseja continuar feliz com a Vida.
Boas férias para todos!! E que o Homão da Galileia nos ajude a suportar a fedentina que atualmente exala do Congresso Naional, produto de uma série de irresponsabilidades, inclusive as praticadas pela alienação de milhões de eleitores.

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