Não sei se alguém já teve a oportunidade de tentar comparar a trajetória do presidente Lula com o contido em A República, de Platão (427-347 a.C.), naquele episódio da caverna. Para os leitores mais curiosos, relato num vapt-vupt o texto platônico. Seguinte: alguns seres humanos estão aprisionados numa caverna, da qual só percebem o fundo da dita. O trânsito feito do lado de fora, seres e coisas passando, só é percebido através das sombras projetadas no fundo da caverna, constituindo para os prisioneiros sua única realidade. Libertando-se um deles, eis que ele vai até o lado de fora, percebendo que as sombras até então observadas eram apenas aparências, cópias toscas e grosseiras, distorcidas das imagens captadas no exterior da caverna. Voltando ao interior da gruta, é zombado pelos companheiros que não tiveram a felicidade dele, considerado louco diante da sua intenção de querer explicar como é a realidade da não-caverna. E continuaram sem querer enxergar a realidade menos distorcida.
O presidente Lula foi um que saiu da caverna, viu o lado de fora e tenta mostrar aos seus companheiros de partido outra realidade, fazendo uso da sua intuição política, merecedora de elogios até de ferrenhos adversários. Como líder sindicalista, o presidente percebeu a emersão, a partir dos anos 70, das novas fisionomias das sociedades ocidentais, marcada pela falência das grandes utopias, inclusive religiosas, lastreadas no consumismo, no individualismo, no hedonismo e nas novas tecnologias da informação. Que agigantou um sentimento de “imediaticidade” planetária, tornando todos menos pacientes e mais alérgicos à perda de tempo.
Lamentavelmente, o presidente, com suas iniciativas de “paisão” do mundão menos favorecido e com seu assistencialismo acrítico não propiciou o crescimento da cidadania dos beneficiados. Que deveriam rejeitar toda escravidão; que deveriam saber escolher por si mesmos, repudiando as manipulações; e que desenvolveriam um individual modo próprio de ser, numa vocação pessoal que jamais se instrumentalizaria.
As consequências da não-cidadania estão explicitadas em pesquisas várias: o desânimo para o trabalho e a dependência do protecionismo estatal, além de uma ausência de compromisso pessoal, comunitário ou sindical, numa desmotivação para com o coletivo. Ampliando-se as crendices e as superstições, muitas delas alimentadas pela própria prática assistencialista, que favorece a emersão de culturas de fingimento, de sepulcros caiados e da ausência de mínimos conteúdos éticos comunitários.
Sejamos generosos com nossos tropeços, corajosos em nossas convicções e fiéis a nossos princípios. Desconfiando sempre das imperiais certezas e jamais embarcando na canoa dos embromadores de palanque. E nunca rejeitando a reflexão do Marquês de Maricá: “A mediocridade em tudo é uma garantia e penhor de segurança e tranquilidade, sendo a passividade sua filha predileta”.
A hora é de multiplicar esforços para a “viabilização do impossível”. Lastimando menos, concretizando mais. Assimilando diariamente a lição de Charles Chaplin, o imortal Carlitos: “Viva!!! Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante”.
Jamais reneguemos o apelo feito, um dia, por quem sabia das coisas, Bertolt Brecht: “Nós pedimos com insistência:/ Não digam nunca: isto é natural! / Diante dos acontecimentos de cada dia. / Numa época em que reina a confusão. / Em que corre sangue, / Em que se ordena a desordem, / Em que o arbitrário tem força de lei, / Em que a humanidade se desumaniza. / Não digam nunca: isso é natural!!”
Lição final para todos: O discernimento correto revela-nos a verdadeira natureza de uma corda e remove o doloroso medo ocasionado pela nossa crença ilusória de ser ela uma cobra.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)
O presidente Lula foi um que saiu da caverna, viu o lado de fora e tenta mostrar aos seus companheiros de partido outra realidade, fazendo uso da sua intuição política, merecedora de elogios até de ferrenhos adversários. Como líder sindicalista, o presidente percebeu a emersão, a partir dos anos 70, das novas fisionomias das sociedades ocidentais, marcada pela falência das grandes utopias, inclusive religiosas, lastreadas no consumismo, no individualismo, no hedonismo e nas novas tecnologias da informação. Que agigantou um sentimento de “imediaticidade” planetária, tornando todos menos pacientes e mais alérgicos à perda de tempo.
Lamentavelmente, o presidente, com suas iniciativas de “paisão” do mundão menos favorecido e com seu assistencialismo acrítico não propiciou o crescimento da cidadania dos beneficiados. Que deveriam rejeitar toda escravidão; que deveriam saber escolher por si mesmos, repudiando as manipulações; e que desenvolveriam um individual modo próprio de ser, numa vocação pessoal que jamais se instrumentalizaria.
As consequências da não-cidadania estão explicitadas em pesquisas várias: o desânimo para o trabalho e a dependência do protecionismo estatal, além de uma ausência de compromisso pessoal, comunitário ou sindical, numa desmotivação para com o coletivo. Ampliando-se as crendices e as superstições, muitas delas alimentadas pela própria prática assistencialista, que favorece a emersão de culturas de fingimento, de sepulcros caiados e da ausência de mínimos conteúdos éticos comunitários.
Sejamos generosos com nossos tropeços, corajosos em nossas convicções e fiéis a nossos princípios. Desconfiando sempre das imperiais certezas e jamais embarcando na canoa dos embromadores de palanque. E nunca rejeitando a reflexão do Marquês de Maricá: “A mediocridade em tudo é uma garantia e penhor de segurança e tranquilidade, sendo a passividade sua filha predileta”.
A hora é de multiplicar esforços para a “viabilização do impossível”. Lastimando menos, concretizando mais. Assimilando diariamente a lição de Charles Chaplin, o imortal Carlitos: “Viva!!! Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante”.
Jamais reneguemos o apelo feito, um dia, por quem sabia das coisas, Bertolt Brecht: “Nós pedimos com insistência:/ Não digam nunca: isto é natural! / Diante dos acontecimentos de cada dia. / Numa época em que reina a confusão. / Em que corre sangue, / Em que se ordena a desordem, / Em que o arbitrário tem força de lei, / Em que a humanidade se desumaniza. / Não digam nunca: isso é natural!!”
Lição final para todos: O discernimento correto revela-nos a verdadeira natureza de uma corda e remove o doloroso medo ocasionado pela nossa crença ilusória de ser ela uma cobra.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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