Numa época de carências, onde se vendem muito bem embrulhadas ilusões de sucesso, a denúncia do psicólogo Esdras Guerreiro, ex-docente-visitante do prestigiado Instituto Max-Planck, da Alemanha, se encaixa como uma luva: "As pessoas querem respostas imediatas para as suas aflições. É por isso que as seitas estão crescendo enquanto as religiões tradicionais estão perdendo fiéis. O fenômeno de crer num líder capaz de nos ensinar a remover os obstáculos para os nossos objetivos pessoais não é novo , mas se reforça nos momentos de crise".
A sociedade moderna está sendo lamentavelmente edificada sob o império do egoísmo, muito embora a sabedoria popular ensina que “quanto mais se verga o arco, mais longe voará a flecha, quebrando-se o arco se a curvatura for excessiva”. As promessas de vida fácil, com muito dinheiro estão multiplicando os otários compulsivos, a compulsão sendo bem mais poderosa que o apenas racional. E se se é honestamente advertido, o otário sente-se ressentido, como se o mundo inteirinho estivesse tentando destruir seu projeto de enriquecimento ultra-rápido.
Por via de conseqüência, um individualismo perverso está asfixiando uma sadia individualidade cósmica. Assusta, hoje, demonstrar solidariedade, manifestar sensações fraternais, condoer-se com os menos favorecidos, ser ombro amigo, melhor se sendo solidário à distância, sensibilizando-se com as crianças africanas, horrorizando-se com os massacrados da Bósnia, evitando-se sequer falar nas atrocidades cometidas, no Brasil, pelos considerados bandidos, de todos os naipes criminosos públicos e privados.
Tenho uma profunda admiração pelos que possuem aquilo que Blaise Pascal, notável matemático, definia como esprit de finesse. E que é diretamente proporcional ao asco sentido pelos que se imaginam muito acima das divindades, sócios de Deus, igualzinho aquele ajumentado metido a cristão recuperado que entrava nas igrejas de óculos escuros para Deus não lhe pedir autógrafo nem ficar com lero-leros bajulatórios com ele.
Uma leitura que amadurecerá a sadia espiritualidade de jovens e adultos, mostrando a imensa transcendentalidade contida nos interiores de cada ser humano, se encontra num livro que o João Silvino da Conceição está devorando há dias, sem nem estar mais saindo para tomar uns “refrigerantes” geladíssimos com os amigos. Trata-se de Mitos da Criação, de Philip Freund, Cultrix, 2008. Que mostra de um modo exemplarmente fascinante, as origens do universo nas religiões, na mitologia, na psicologia e na ciência.
Só um exemplo do livro, como petisco: “os iurucarés, da Bolívia, dizem que Aimasunhe, o demônio, era responsável pela queda do fogo do céu. Tudo embaixo morreu; plantas, seres vivos, a raça humana. Só um homem, que tinha previsto o que podia acontecer, providenciara comida e abrigo numa caverna. Quando a chuva do fogo começou, ele se escondeu lá. De vez em quando, para saber se o fogo ainda campeava, estendia uma vara comprida pela boca da caverna. Em duas ocasiões ela voltou queimada, mas da terceira vez estava fria”. Alguém já viu coisa parecida nas Escrituras Sagradas, Antigo Testamento, acontecida com um tal de Noé? O que tinha um barco entupido de bichos?
O florentino Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe, permanente fonte de consulta para cristãos politizados de todos os engajamentos sociais, dividiu os cérebros em três categorias: a dos que pensam por si mesmo, a dos que discernem a partir do entendimento dos outros e a dos que não entendem nem a partir de si nem a partir dos outros. Na categoria última certamente estão inseridos os que perderam sua contemporaneidade crítica, não enxergando o abismo implantado pelos que imaginam que os fins valem todos os meios.
Na primeira das categorias de Maquiavel, sem qualquer dúvida, se posiciona a figura gigante do mestre PhD em Física Harbans Lal Arora, serenamente a entender que “para se melhorar a situação presente, o melhor caminho é estar bem consciente de sua enorme dificuldade”. Possuindo a alegria de servir, despindo-se das pedanterias dos que costumam se auto-idolatrar por absoluta ausência de discípulos, sem assimila a lição de Spinoza, em sua Ética: “A alegria é a passagem de um homem de uma perfeição menor a uma perfeição maior”.
O livro que o João Silvino da Conceição está lendo delicia os que se imaginam de bem com a vida, sorriso sempre atento diante das convilialidades prazerosas. Dessas que promovem a convergência das interrogações atinentes às origens do Universo e às razões pelas quais “um polinésio teria uma lenda que é quase exatamente igual à contada por um nômade nórdico”. O texto enseja uma compreensão mais nítida sobre “as obstinações das igrejas, majoritamente indispostas a reverem seu discurso dogmático” e as “fortes tendências anticlericais”, cujos respectivos sectarismos obstaculizam a mais cristalina das constatações: ciência e fé são duas faces de uma mesma moeda, simetricamente opostas, a revelarem a Criação, cada uma a seu modo específico, a partir da Base de Toda Nossa Existência.
O momento é de nocautear os catões hipócritas, aqueles mesmos que vivem observando puritanamente ciscos nos olhos dos outros, olvidando-se das traves cravadas retinas adentro. Tal e qual aquele VC (vigarista cristão) que arrancou dois mil reais de uma fiel, num culto recente, contando-lhe chorosamente seu lado vitimoso, tudo muito bem ensaiado. E várias vezes repetido. E que buscou até ganhar celular de um abilolado do culto dominical que freqüentava.
A sociedade moderna está sendo lamentavelmente edificada sob o império do egoísmo, muito embora a sabedoria popular ensina que “quanto mais se verga o arco, mais longe voará a flecha, quebrando-se o arco se a curvatura for excessiva”. As promessas de vida fácil, com muito dinheiro estão multiplicando os otários compulsivos, a compulsão sendo bem mais poderosa que o apenas racional. E se se é honestamente advertido, o otário sente-se ressentido, como se o mundo inteirinho estivesse tentando destruir seu projeto de enriquecimento ultra-rápido.
Por via de conseqüência, um individualismo perverso está asfixiando uma sadia individualidade cósmica. Assusta, hoje, demonstrar solidariedade, manifestar sensações fraternais, condoer-se com os menos favorecidos, ser ombro amigo, melhor se sendo solidário à distância, sensibilizando-se com as crianças africanas, horrorizando-se com os massacrados da Bósnia, evitando-se sequer falar nas atrocidades cometidas, no Brasil, pelos considerados bandidos, de todos os naipes criminosos públicos e privados.
Tenho uma profunda admiração pelos que possuem aquilo que Blaise Pascal, notável matemático, definia como esprit de finesse. E que é diretamente proporcional ao asco sentido pelos que se imaginam muito acima das divindades, sócios de Deus, igualzinho aquele ajumentado metido a cristão recuperado que entrava nas igrejas de óculos escuros para Deus não lhe pedir autógrafo nem ficar com lero-leros bajulatórios com ele.
Uma leitura que amadurecerá a sadia espiritualidade de jovens e adultos, mostrando a imensa transcendentalidade contida nos interiores de cada ser humano, se encontra num livro que o João Silvino da Conceição está devorando há dias, sem nem estar mais saindo para tomar uns “refrigerantes” geladíssimos com os amigos. Trata-se de Mitos da Criação, de Philip Freund, Cultrix, 2008. Que mostra de um modo exemplarmente fascinante, as origens do universo nas religiões, na mitologia, na psicologia e na ciência.
Só um exemplo do livro, como petisco: “os iurucarés, da Bolívia, dizem que Aimasunhe, o demônio, era responsável pela queda do fogo do céu. Tudo embaixo morreu; plantas, seres vivos, a raça humana. Só um homem, que tinha previsto o que podia acontecer, providenciara comida e abrigo numa caverna. Quando a chuva do fogo começou, ele se escondeu lá. De vez em quando, para saber se o fogo ainda campeava, estendia uma vara comprida pela boca da caverna. Em duas ocasiões ela voltou queimada, mas da terceira vez estava fria”. Alguém já viu coisa parecida nas Escrituras Sagradas, Antigo Testamento, acontecida com um tal de Noé? O que tinha um barco entupido de bichos?
O florentino Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe, permanente fonte de consulta para cristãos politizados de todos os engajamentos sociais, dividiu os cérebros em três categorias: a dos que pensam por si mesmo, a dos que discernem a partir do entendimento dos outros e a dos que não entendem nem a partir de si nem a partir dos outros. Na categoria última certamente estão inseridos os que perderam sua contemporaneidade crítica, não enxergando o abismo implantado pelos que imaginam que os fins valem todos os meios.
Na primeira das categorias de Maquiavel, sem qualquer dúvida, se posiciona a figura gigante do mestre PhD em Física Harbans Lal Arora, serenamente a entender que “para se melhorar a situação presente, o melhor caminho é estar bem consciente de sua enorme dificuldade”. Possuindo a alegria de servir, despindo-se das pedanterias dos que costumam se auto-idolatrar por absoluta ausência de discípulos, sem assimila a lição de Spinoza, em sua Ética: “A alegria é a passagem de um homem de uma perfeição menor a uma perfeição maior”.
O livro que o João Silvino da Conceição está lendo delicia os que se imaginam de bem com a vida, sorriso sempre atento diante das convilialidades prazerosas. Dessas que promovem a convergência das interrogações atinentes às origens do Universo e às razões pelas quais “um polinésio teria uma lenda que é quase exatamente igual à contada por um nômade nórdico”. O texto enseja uma compreensão mais nítida sobre “as obstinações das igrejas, majoritamente indispostas a reverem seu discurso dogmático” e as “fortes tendências anticlericais”, cujos respectivos sectarismos obstaculizam a mais cristalina das constatações: ciência e fé são duas faces de uma mesma moeda, simetricamente opostas, a revelarem a Criação, cada uma a seu modo específico, a partir da Base de Toda Nossa Existência.
O momento é de nocautear os catões hipócritas, aqueles mesmos que vivem observando puritanamente ciscos nos olhos dos outros, olvidando-se das traves cravadas retinas adentro. Tal e qual aquele VC (vigarista cristão) que arrancou dois mil reais de uma fiel, num culto recente, contando-lhe chorosamente seu lado vitimoso, tudo muito bem ensaiado. E várias vezes repetido. E que buscou até ganhar celular de um abilolado do culto dominical que freqüentava.

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