Sempre estou a recordar um docente querido da Universidade Federal do Paraná, emérito educador e autor de Chão de Escola – A (Cons)ciência do Cotidiano Educativo, no qual ele reage às mesmices do discurso retórico que não morde o concreto do agir pedagógico. No seu texto, através de refinadíssimas parábolas, Lauro Wittmann busca ser, como cidadão, menos idílico e mais realista, mais consciente e comprometido, alicerçando-se na sabedoria dos despossuidos para continuar lutando por uma educação útil, competente e indispensável para todos.
Lembro-me bem de uma das suas estórias. Acontecida na residência de um dos seus amigos, que buscava contratar os serviços de uma profissional do lar. Entrevistando uma delas e solicitando as suas pretensões salariais, ouviu singular resposta: - Depende. Se for para trabalhar com penso, é mais caro. Se for para trabalhar sem penso é mais barato. Diante do atordoamento do entrevistador, a explicação: - Se o senhor quiser que eu pense como administrar o dia-a-dia da sua casa é um preço. Mas se o senhor quiser apenas que eu cumpra as suas ordens, o preço será menor.
Nós, brasileiros, estamos precisando de dirigentes, em todos os setores, "com penso". Que percebam que a realidade se encontra num patamar muito distanciado dos "olimpiquismos" academicistas, dos burocratismos pedantocráticos, das religiosidades moralistas e dos populismos maneiros dos apenas assistencialistas. A partir do com penso, a capacidade de agir de altera, valendo a pena o refletir de Carlos Castañeda: "Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz... Um caminho é só um caminho". Traduzindo em miúdos: "Se você fizer o que sempre fez, vai ter o resultado que sempre teve".
Na área eclesiológica, diante de tantas partições cristãs, algumas apenas em busca de resultados contábeis, um pensar de João Calvino (1509-1564), o notável reformador religioso francês, contido em As Institutas (Cultura Cristã, 2006), faz um alerta sobre determinadas intenções: “O coração humano possui tantos interstícios em que a vaidade se esconde, tantos orifícios em que a falsidade estreita, e está tão ornado de hipocrisia enganosa que ele com freqüência trapaceia a si próprio”. Advertência que se imbrica com a do escritor húngaro-americano John Lukacs: "Devemos tomar cuidado com a tentação perigosa de ver a História basicamente do ponto de vista do presente , embora tenhamos consciência de que o que sabemos no presente seja um reflexo inerente à nossa visão do passado".
Como anglicano, admiro, sem perda da criticidade necessária, o posicionamento do educador baiano Anísio Teixeira: "Eu não tenho responsabilidade nenhuma com as minhas idéias. Eu tenho, sim, uma responsabilidade com a verdade". Entendo que os autênticos ratificam as palavras de Cláudio Abramo, jornalista: "No fundo acho que está tudo errado. Perdemos os caminhos e as bússolas, nessa confusão conceitual em que nos mergulhamos. Sei que de todos os lados há erros, safadezas e injustiças, e até crimes, alguns horríveis. Mas existe uma espécie de solidariedade fraternal, a nível epidérmico, que nos faz sempre voltar os olhos para os mais desprotegidos e os mais desvalidos da terra. Não sei, exatamente, quanto se avançou nesse terreno, mas sei que algo deverá surgir de tudo isto, dessa gigantesca agonia de um mundo que está falido para que renasça um outro, em que as idéias e os conceitos sejam novos e duradouros".
Do meu canto de estudo, acredito que todo dirigente assentado numa cadeira decisória, deve se precaver de alguns aplausos recebidos dos seus arautos, se apercebendo da profundidade da notável lição de Plutarco: “Não preciso de quem faça sim quando eu concorde e faça não quando eu discorde. Minha sombra faz isso muito melhor”.
Para alguns mais próximos recomendaria uma dose diária de Simancol, uma homeopatia primeiro mundo, sem restrição médica. Muito recomendada pelas boas novas.
Lembro-me bem de uma das suas estórias. Acontecida na residência de um dos seus amigos, que buscava contratar os serviços de uma profissional do lar. Entrevistando uma delas e solicitando as suas pretensões salariais, ouviu singular resposta: - Depende. Se for para trabalhar com penso, é mais caro. Se for para trabalhar sem penso é mais barato. Diante do atordoamento do entrevistador, a explicação: - Se o senhor quiser que eu pense como administrar o dia-a-dia da sua casa é um preço. Mas se o senhor quiser apenas que eu cumpra as suas ordens, o preço será menor.
Nós, brasileiros, estamos precisando de dirigentes, em todos os setores, "com penso". Que percebam que a realidade se encontra num patamar muito distanciado dos "olimpiquismos" academicistas, dos burocratismos pedantocráticos, das religiosidades moralistas e dos populismos maneiros dos apenas assistencialistas. A partir do com penso, a capacidade de agir de altera, valendo a pena o refletir de Carlos Castañeda: "Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz... Um caminho é só um caminho". Traduzindo em miúdos: "Se você fizer o que sempre fez, vai ter o resultado que sempre teve".
Na área eclesiológica, diante de tantas partições cristãs, algumas apenas em busca de resultados contábeis, um pensar de João Calvino (1509-1564), o notável reformador religioso francês, contido em As Institutas (Cultura Cristã, 2006), faz um alerta sobre determinadas intenções: “O coração humano possui tantos interstícios em que a vaidade se esconde, tantos orifícios em que a falsidade estreita, e está tão ornado de hipocrisia enganosa que ele com freqüência trapaceia a si próprio”. Advertência que se imbrica com a do escritor húngaro-americano John Lukacs: "Devemos tomar cuidado com a tentação perigosa de ver a História basicamente do ponto de vista do presente , embora tenhamos consciência de que o que sabemos no presente seja um reflexo inerente à nossa visão do passado".
Como anglicano, admiro, sem perda da criticidade necessária, o posicionamento do educador baiano Anísio Teixeira: "Eu não tenho responsabilidade nenhuma com as minhas idéias. Eu tenho, sim, uma responsabilidade com a verdade". Entendo que os autênticos ratificam as palavras de Cláudio Abramo, jornalista: "No fundo acho que está tudo errado. Perdemos os caminhos e as bússolas, nessa confusão conceitual em que nos mergulhamos. Sei que de todos os lados há erros, safadezas e injustiças, e até crimes, alguns horríveis. Mas existe uma espécie de solidariedade fraternal, a nível epidérmico, que nos faz sempre voltar os olhos para os mais desprotegidos e os mais desvalidos da terra. Não sei, exatamente, quanto se avançou nesse terreno, mas sei que algo deverá surgir de tudo isto, dessa gigantesca agonia de um mundo que está falido para que renasça um outro, em que as idéias e os conceitos sejam novos e duradouros".
Do meu canto de estudo, acredito que todo dirigente assentado numa cadeira decisória, deve se precaver de alguns aplausos recebidos dos seus arautos, se apercebendo da profundidade da notável lição de Plutarco: “Não preciso de quem faça sim quando eu concorde e faça não quando eu discorde. Minha sombra faz isso muito melhor”.
Para alguns mais próximos recomendaria uma dose diária de Simancol, uma homeopatia primeiro mundo, sem restrição médica. Muito recomendada pelas boas novas.
(Publicado no Portal da Globo Nordeste)

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