Abraço o João Silvino da Conceição no casamento do Diogo com a Carolina, ele filho querido de Guida e Romualdo e profissional muito estimado no BNDES, concursado de primeira chamada, agora morando na antiga capital federal.
O João Silvino estava acompanhado da sua gata, uma bonitona bem recheada, sorrisão a comprovar uma amorosa convivência deles com a Criação. Serelepe como nunca, ele trazia para me presentear um livro que eu já havia lido emprestado meses atrás. Segundo ele, “uma leitura de arrebentar a rebimboca da parafuseta, tamanha a excitação que ela provoca, intelectual é claro, para evitar admoestações destemperadas dos sósias de Deus”.
A análise prospectiva feita pelo economista argelino Jacques Attali, ex-presidente do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento – Uma Breve História do Futuro, editora Novo Século, 2008 – traz um prefácio à edição brasileira de Gesner Oliveira, presidente da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico de São Paulo. Que enumera as sete potencialidades brasileiras e os desafios para se alcançar um patamar civilizatório compatível com as demais nações desenvolvidas. São elas: a consolidação do regime democrático; uma maior mobilidade da sociedade civil; um razoável grau de empreendedorismo; uma notável homogeneidade cultural; a dotação de recursos energéticos; regras mais estáveis para investimento; e um processo de migrações internas, tornando-se o país, hoje, uma sociedade urbana, com apenas 16% da população no campo.
O Silvino acrescentou mais algumas: um Judiciário mais célere, uma cidadania eleitoral mais atuante em tempo contínuo, um respeito mais acentuado para com o meio-ambiente e uma política agrária que promova a dignidade existencial das filhas e dos filhos da Criação.
Uma classificação planetária medíocre alcançaremos, segundo Oliveira, se não atentarmos para alguns “pecadões” que nos cercam: uma indecente taxa de juros, a ineficiência gritante dos serviços públicos, principalmente educação, saúde e segurança; a não implementação de uma política de investimentos públicos de longo prazo; a não efetivação de uma salto educacional de qualidade nos níveis de ensino, principalmente em educação básica; uma tartarugal desburocratização, incompatível com as redes de comunicação; uma frágil agressividade mercadológica no exterior; e uma tímida e assistencialista redistribuição de renda.
A alegria de se ver uma Petrobrás como a sexta maior empresa do planeta, seu valor de mercado sendo maior que o PIB argentino, não pode ser completa diante de uma corrupção sem freios, trabalho escravo no campo, dengue, malária, níveis tenebrosos do ensino de ciências e matemática, devastação ambiental, hanseníase, caos aéreo, desnutrição infantil, nepotismo, prostituição infantil e varig-logro.
A sociedade brasileira necessita melhor perceber os desafios que se postam em seus próximos amanhãs: a produção do planeta ultrapassa 40 trilhões de euros, crescendo a uma taxa de 4% ao ano, velocidade jamais atingida; o ensino superior chinês formando 800 mil engenheiros em 2006; a União Européia, em recente documento, afirmando que “os mercados financeiros não podem governar os Estados”. E ainda: “que o problema está no modelo atual de governo econômico e das empresas, baseado numa débil regulamentação, com um controle inadequado e uma oferta demasiado débil de bens públicos”.
Uma binoculização dos amanhãs nacionais favorecerá a solidificação da nossa soberania nacional, sem os “estreitismos ideológicos” que sectarizam, tampouco os “populismos assistencialistas” que “anestesiam” setores que permanecem na faixa de exclusão social. Percebendo os contrastes, defenestrando a corrução, punindo os responsáveis, independentemente de classe social, e alijando do poder político decisório os que se lambusam com as maracutaias e pirotecnias financeiras.
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife-PE, 30.07.2008)
O João Silvino estava acompanhado da sua gata, uma bonitona bem recheada, sorrisão a comprovar uma amorosa convivência deles com a Criação. Serelepe como nunca, ele trazia para me presentear um livro que eu já havia lido emprestado meses atrás. Segundo ele, “uma leitura de arrebentar a rebimboca da parafuseta, tamanha a excitação que ela provoca, intelectual é claro, para evitar admoestações destemperadas dos sósias de Deus”.
A análise prospectiva feita pelo economista argelino Jacques Attali, ex-presidente do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento – Uma Breve História do Futuro, editora Novo Século, 2008 – traz um prefácio à edição brasileira de Gesner Oliveira, presidente da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico de São Paulo. Que enumera as sete potencialidades brasileiras e os desafios para se alcançar um patamar civilizatório compatível com as demais nações desenvolvidas. São elas: a consolidação do regime democrático; uma maior mobilidade da sociedade civil; um razoável grau de empreendedorismo; uma notável homogeneidade cultural; a dotação de recursos energéticos; regras mais estáveis para investimento; e um processo de migrações internas, tornando-se o país, hoje, uma sociedade urbana, com apenas 16% da população no campo.
O Silvino acrescentou mais algumas: um Judiciário mais célere, uma cidadania eleitoral mais atuante em tempo contínuo, um respeito mais acentuado para com o meio-ambiente e uma política agrária que promova a dignidade existencial das filhas e dos filhos da Criação.
Uma classificação planetária medíocre alcançaremos, segundo Oliveira, se não atentarmos para alguns “pecadões” que nos cercam: uma indecente taxa de juros, a ineficiência gritante dos serviços públicos, principalmente educação, saúde e segurança; a não implementação de uma política de investimentos públicos de longo prazo; a não efetivação de uma salto educacional de qualidade nos níveis de ensino, principalmente em educação básica; uma tartarugal desburocratização, incompatível com as redes de comunicação; uma frágil agressividade mercadológica no exterior; e uma tímida e assistencialista redistribuição de renda.
A alegria de se ver uma Petrobrás como a sexta maior empresa do planeta, seu valor de mercado sendo maior que o PIB argentino, não pode ser completa diante de uma corrupção sem freios, trabalho escravo no campo, dengue, malária, níveis tenebrosos do ensino de ciências e matemática, devastação ambiental, hanseníase, caos aéreo, desnutrição infantil, nepotismo, prostituição infantil e varig-logro.
A sociedade brasileira necessita melhor perceber os desafios que se postam em seus próximos amanhãs: a produção do planeta ultrapassa 40 trilhões de euros, crescendo a uma taxa de 4% ao ano, velocidade jamais atingida; o ensino superior chinês formando 800 mil engenheiros em 2006; a União Européia, em recente documento, afirmando que “os mercados financeiros não podem governar os Estados”. E ainda: “que o problema está no modelo atual de governo econômico e das empresas, baseado numa débil regulamentação, com um controle inadequado e uma oferta demasiado débil de bens públicos”.
Uma binoculização dos amanhãs nacionais favorecerá a solidificação da nossa soberania nacional, sem os “estreitismos ideológicos” que sectarizam, tampouco os “populismos assistencialistas” que “anestesiam” setores que permanecem na faixa de exclusão social. Percebendo os contrastes, defenestrando a corrução, punindo os responsáveis, independentemente de classe social, e alijando do poder político decisório os que se lambusam com as maracutaias e pirotecnias financeiras.
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife-PE, 30.07.2008)

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