quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Reflexão-minuto 001

Gente amada:
Ao invés de cultos de luzes e piscas-piscas diversos, de desavergonhadas luminosidades, por que as denominações religiosas do mundo inteiro não denunciam com muita ferocidade evangélica, o aumento de famintos do mundo?
Eles passaram de 850 milhões, em 2006, para 925 milhões em 2007. Um aumento percentual de quase dez por cento em apenas um ano, conforme relatório da FAO de setembro último.
Em Bangladesh, ainda segundo o relatório da FAO, uma família pobre usa metade da sua renda diária na aquisição de dois quilos de arroz.
Segundo o diretor da FAO, Jacques Diouf, será necessário um investimento de trinta bilhões de dólares anuais para duplicar a produção e acabar com a fome até 2050, quando teremos uma população planetária de nove bilhões de habitantes.
Muito dinheiro?? UMA MERRECA, se compararmos com a quantia gasta em armamentos, em 2006: 1,2 TRILHÕES DE DÓLARES!!
Que todas as denominações religiosas, cristãs e não-cristãs, neste dezembro que se finda, tomem conhecimento da Lápide da Fome, deixada sobre um túmulo de granito, registrando o lamento do faraó Tosorthrus, 3.900 a.C. sobre uma epidemia de fome acontecida nos seus domínios:
"Do alto do meu trono, choro esta grande desgraça: durante o meu reinado a inundação do Nilo falhou durante sete anos. Os grãos estão minguados, as safras escassas e há falta de toda espécie de alimentos. Todos os homens se transformaram em ladrões de seus vizinhos. Querem correr e nem ao menos podem andar. As crianças choram, os jovens caminham como velhos; as almas estão alquebradas,as pernas recurvadas, arrastando-se pelo chão, e as mãos repousam em seus regações. O Conselho dos Grandes está deserto. Abertos estão os celeiros, mas, ao invés de gêneros alimentícios, encontramos neles apenas ar. Tudo se esgotou".

Séculos depois, Maria Antonieta, a fútil esposa do bem alimentado Luiz XVI, rei de França, recomendou à população que comesse brioches à falta de pão. Rei e rainha foram decapitados com plenas justificativas revolucionárias.

No contexto atual, todo recato diante das extravagâncias à la Titanic. Nesta época natalina, uma multidão se encontra de barriga vazia, com um imaginário repleto de comidas.
Um iceberg gigantesco para cristianismo algum botar defeito.

Natal. Que Natal?

Com afeto,
Fernando Antônio Gonçalves

PS. Os dados acima foram extraídos do livro JOSUÉ DE CASTRO, O GÊNIO SILENCIADO, do jornalista Vandeck Santiago, um dos mais portentosos talentos pernambucanos dos últimos anos.
PS2. Por favor, neste período natalino não me convidem para solenidades religiosas festivas, onde a hipocrisia suplanta de goleada as autenticidades envergonhadas. Prefiro ficar no meu canto, ao lado da mulher doente e de uma mãe bem velhinha com Alzheimer, encarecendo perdão do Homão da Galiléia, por ser o mais pecador de todos os mortais.

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