Numa das últimas semanas, o professor Carlos Eduardo Gonçalves, do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo, escreveu o seguinte: “De outubro para frente, temos um outro Brasil. Produção industrial em queda, vendas de automóveis caindo mais de 20%, anúncios de férias coletivas e promessas de demissões, cortes de projetos de investimento, ‘spreads’ bancários em forte alta, saída maciça de recursos, Bolsas em queda livre etc”. Um texto que gerou apreensões, principalmente num país como o Brasil que, historicamente, sempre se preocupou em fechar a porta depois da casa toda arrombada pelos vivaldinos. Inúmeros deles travestidos de samaritanos, que simulam desejar o bem para o país, oferecendo mil e uma proposições. Daquelas que me fazem recordar o poeta Mauro Mota, um dos grandes incentivadores da minha vida profissional, que sempre alertava seus assessores, no então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, sobre a fatalidade do estabelecimento de convênios PACU, onde os sabidos colaboravam com o pau e a gente entrava com o restante.
Como economista fora dos batentes da profissão, por responsabilidades assumidas em outras atividades, sempre fiquei a matutar como deveria ser uma explicação convincente sobre “como a teoria econômica, desde a Revolução Industrial, tem sido um instrumento para justificar internamente o capitalismo e para evitar que os demais países que ficaram atrasados no seu processo de industrialização também cresçam e lhes façam concorrência”. Tudo muito “elegantemente matematizado graças ao método hipotético-dedutivo utilizado, que deixava de explicar a realidade para se transformar em fundamentalismo de mercado”.
Mas um texto de muita utilidade didática, sem os maneirismos dos que se imaginam únicos donos da verdade econômica estabelecida, chega ao Brasil numa excelente hora, editado pela Campus, numa promoção conjunta com a Ordem dos Economistas do Brasil, já com carimbo 2009. Uma análise demolidora da política econômica incentivada, nos últimos anos, pelos países ricos, buscando retardar o desenvolvimento econômico dos países emergentes que buscam alcançar um crescimento que favoreça a minização das suas desigualdades internas. Intitulando Maus Samaritanos: o Mito do Livre-Comércio e a História Secreta do Capitalismo, o autor, economista coreano Ha-Joon Chang, de Cambridge, tem dedicado as duas últimas décadas a temas relacionados ao binômio desenvolvimento econômico x globalização.
O texto do Ha-Joon é uma explanação mais didática que a exposta em seu livro Chutando a Escada, de 2004, quando já denunciava que os países ricos, os “bondosos” samaritanos, em nome da cooperação internacional, “impunham políticas econômicas equivocadas aos países em desenvolvimento fragilizados por se haverem endividado”.
Na opinião de Luiz Carlos Bresser Pereira, autor do prefácio à edição brasileira, “a argumentação de Ha-Joon está sempre baseada em fatos históricos. Ele compara, por exemplo, a história ideológica da globalização (um conto de fadas do neoliberalismo) com a verdadeira história; ou então a história idílica do desenvolvimento dos países ricos baseada no liberalismo econômico com o protecionismo que de fato a caracterizaram. ... Não há razão para entregar o mercado interno do país a empresas estrangeiras a troco de nada”.
Ao fazer um resumo do livro do Ha-Joon para o João Silvino da Conceição, dele ouvi um questionamento pra lá de buliçoso: “Será, meu irmão quase-gordo, que o final da novela A Favorita, quando um empresário vigarista de país rico, macomunado com uma deliquente metida a empresária de país emergente, torna falida uma empresa nacional, aproveitando-se da idiotagem acentuada da dona da empresa, não é um baita sinal de alerta para todo o mundo empresarial brasileiro, às vésperas de turbulências mais taludas?”
Abracei o João Silvino, orgulhoso da sua “enxergância” nacional-desenvolvimentista.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)
Como economista fora dos batentes da profissão, por responsabilidades assumidas em outras atividades, sempre fiquei a matutar como deveria ser uma explicação convincente sobre “como a teoria econômica, desde a Revolução Industrial, tem sido um instrumento para justificar internamente o capitalismo e para evitar que os demais países que ficaram atrasados no seu processo de industrialização também cresçam e lhes façam concorrência”. Tudo muito “elegantemente matematizado graças ao método hipotético-dedutivo utilizado, que deixava de explicar a realidade para se transformar em fundamentalismo de mercado”.
Mas um texto de muita utilidade didática, sem os maneirismos dos que se imaginam únicos donos da verdade econômica estabelecida, chega ao Brasil numa excelente hora, editado pela Campus, numa promoção conjunta com a Ordem dos Economistas do Brasil, já com carimbo 2009. Uma análise demolidora da política econômica incentivada, nos últimos anos, pelos países ricos, buscando retardar o desenvolvimento econômico dos países emergentes que buscam alcançar um crescimento que favoreça a minização das suas desigualdades internas. Intitulando Maus Samaritanos: o Mito do Livre-Comércio e a História Secreta do Capitalismo, o autor, economista coreano Ha-Joon Chang, de Cambridge, tem dedicado as duas últimas décadas a temas relacionados ao binômio desenvolvimento econômico x globalização.
O texto do Ha-Joon é uma explanação mais didática que a exposta em seu livro Chutando a Escada, de 2004, quando já denunciava que os países ricos, os “bondosos” samaritanos, em nome da cooperação internacional, “impunham políticas econômicas equivocadas aos países em desenvolvimento fragilizados por se haverem endividado”.
Na opinião de Luiz Carlos Bresser Pereira, autor do prefácio à edição brasileira, “a argumentação de Ha-Joon está sempre baseada em fatos históricos. Ele compara, por exemplo, a história ideológica da globalização (um conto de fadas do neoliberalismo) com a verdadeira história; ou então a história idílica do desenvolvimento dos países ricos baseada no liberalismo econômico com o protecionismo que de fato a caracterizaram. ... Não há razão para entregar o mercado interno do país a empresas estrangeiras a troco de nada”.
Ao fazer um resumo do livro do Ha-Joon para o João Silvino da Conceição, dele ouvi um questionamento pra lá de buliçoso: “Será, meu irmão quase-gordo, que o final da novela A Favorita, quando um empresário vigarista de país rico, macomunado com uma deliquente metida a empresária de país emergente, torna falida uma empresa nacional, aproveitando-se da idiotagem acentuada da dona da empresa, não é um baita sinal de alerta para todo o mundo empresarial brasileiro, às vésperas de turbulências mais taludas?”
Abracei o João Silvino, orgulhoso da sua “enxergância” nacional-desenvolvimentista.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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