Sou leitor regular de Notícias Unisinos, um jornal eletrônico diário enviado pelo Instituto Unisinos da conceituada Universidade do Vale do Rio dos Sinos, entidade mantida pela Associação Antônio Vieira, denominação civil da Província dos Jesuítas do Brasil Meridional, sediada em São Leopoldo, RS. Uma leitura obrigatória diária que proporciona um acompanhamento dos principais assuntos expostos na mídia nacional e internacional, gravados os que despertam minha atenção.
Um dos assuntos arquivados eletronicamente foi uma entrevista dada pelo teólogo reformado Jürgen Moltmann, em outubro do ano passado. Nela, ele ressalta que o elo existente entre o cristianismo e o pensamento grego, embora importante para a Europa, não se destina ao pensamento extra-europeu, somente representando o mundo romano-helenístico. E que este elo é um paradigma medieval de Tomas de Aquino, não se constituindo em modelo para o pensamento científico moderno. E afirmou ainda que há um cristianismo constantiniano e um não-constantiniano.
Caracterizando-se como protestante de proveniência e ecumênico de futuro, o teólogo Moltmann formula uma teologia cristã, aproveitando ideias de todas as tendências, inclusive do movimento pentecostal, que deve ser incluído no diálogo ecumênico. Segundo ele, o movimento pentecostal é um extenso movimento com uma nova experiência do Espírito Santo. E se o diálogo com Roma estiver emperrado, é chegada a hora de se buscar outras alternativas.
A coragem política do teólogo Moltmann encoraja, principalmente numa conjuntura repleta de “faladores” e muito poucos “fazejadores”, muitos cristãos “esquerdeiros”, nunca efetivamente progressistas: “Devemos intrometer-nos onde é venerada a morte e destruída a vida: é isto que entendo por teologia política. Não queremos uma politização da teologia, mas uma espécie de teologia profética”.
Creio que o teólogo muito aplaudiria o Movimento de Convergência, instituído para um sentir comum de uma experiência de espiritualidade cristã. Possuindo um objetivo principal - trabalhar na união dos elementos essenciais da fé -, o MC buscaria “tesouros velhos e novos” herdados da Igreja universal, conforme uma mais que bimilenária recomendação evangélica (Mt 13,52).
Concordo plenamente com a afirmação de David Watson, ministro anglicano: “Este rompimento com Roma (a Reforma), apesar de inevitável, devido à corrupção do tempo, desgraçadamente produziu sucessivas divisões que tem partido em mil pedaços o Corpo de Cristo, com um resultado que, hoje, a missão da Igreja é gravemente invalidada pela variedade desconcertante de denominações... Assim sendo, a Igreja é uma cristandade dividida e separada não obstante isto ser um escândalo e, cremos, todos os cristãos necessitam arrepender-se deste fato profundamente.”
O Movimento de Convergência teve um “cutucador”, liderança de inúmeras peregrinações pessoais, chamado Richard Foster, cujo livro clássico A Celebração da Disciplina, foi para mim apresentado no Rio de Janeiro, recentemente, por Dom Luiz Prado, bispo emérito e Reitor do SETEK – Seminário Anglicano de Porto Alegre. Através de uma prática integrada às cinco tradições básicas da espiritualidade, Foster, de origem quaker, convocou, em 1988, uma conferência chamada Renovare, objetivando acelerar as convergências das correntes cristãs, num instante planetário de muita conturbação, onde a extrema-direita política, na Europa, principia uma caminhada ascendente nada democraticamente promissora.
Creio que em João 10,16, quem escreveu o evangelho joanino parametrizou uma convocação feita pelo Senhor que foi relegada até pouco tempo, por presunção, arrogância, ânsia de poder, episcopalidades balofas, pastoralidades inconsequentes, evangelizações simplórias e ingenuidades estratégicas as mais diversas. Tudo integrando aquela transitividade ingênua tão bem descrita pelo educador pernambucano Paulo Freire. Eis João 10,16: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. Em outras palavras: “Que ninguém se ponha como proprietário de Mim!”.
Cada vez mais me convenço: o futuro da Igreja deverá sofrer fortes impactações nos próximos decênios. Através de lideranças convergentes, milhões se agruparão em torno das essências, as circunstâncias ficando por conta de cada estrutura denominacional. As denominações convergindo sob um lema norteador: "Alicerçados na tradição, vivendo no presente e olhando para o futuro".
Ampliemos o Movimento de Convergência, antes do “seu” Lobo chegar. Para que não sejamos devorados sem dó nem piedade por ele e pelos que apenas se fantasiam de ovelhas, de olhinhos revirados e sem qualquer tino bíblico libertador.
PS. A releitura de A Metáfora do Deus Encarnado, do teólogo John Hick, Vozes, 2000, é sempre oportuna para uma contínua evolução espiritual. Sempre serei grato ao meu irmão Dom Jubal Neves, bispo anglicano de Santa Maria, RS, que um dia me presenteou livro tão fecundante. Segundo Rubem Alves, “loucura e criatividade moram em quartos vizinhos”. Que diga Paulo apóstolo.
Um dos assuntos arquivados eletronicamente foi uma entrevista dada pelo teólogo reformado Jürgen Moltmann, em outubro do ano passado. Nela, ele ressalta que o elo existente entre o cristianismo e o pensamento grego, embora importante para a Europa, não se destina ao pensamento extra-europeu, somente representando o mundo romano-helenístico. E que este elo é um paradigma medieval de Tomas de Aquino, não se constituindo em modelo para o pensamento científico moderno. E afirmou ainda que há um cristianismo constantiniano e um não-constantiniano.
Caracterizando-se como protestante de proveniência e ecumênico de futuro, o teólogo Moltmann formula uma teologia cristã, aproveitando ideias de todas as tendências, inclusive do movimento pentecostal, que deve ser incluído no diálogo ecumênico. Segundo ele, o movimento pentecostal é um extenso movimento com uma nova experiência do Espírito Santo. E se o diálogo com Roma estiver emperrado, é chegada a hora de se buscar outras alternativas.
A coragem política do teólogo Moltmann encoraja, principalmente numa conjuntura repleta de “faladores” e muito poucos “fazejadores”, muitos cristãos “esquerdeiros”, nunca efetivamente progressistas: “Devemos intrometer-nos onde é venerada a morte e destruída a vida: é isto que entendo por teologia política. Não queremos uma politização da teologia, mas uma espécie de teologia profética”.
Creio que o teólogo muito aplaudiria o Movimento de Convergência, instituído para um sentir comum de uma experiência de espiritualidade cristã. Possuindo um objetivo principal - trabalhar na união dos elementos essenciais da fé -, o MC buscaria “tesouros velhos e novos” herdados da Igreja universal, conforme uma mais que bimilenária recomendação evangélica (Mt 13,52).
Concordo plenamente com a afirmação de David Watson, ministro anglicano: “Este rompimento com Roma (a Reforma), apesar de inevitável, devido à corrupção do tempo, desgraçadamente produziu sucessivas divisões que tem partido em mil pedaços o Corpo de Cristo, com um resultado que, hoje, a missão da Igreja é gravemente invalidada pela variedade desconcertante de denominações... Assim sendo, a Igreja é uma cristandade dividida e separada não obstante isto ser um escândalo e, cremos, todos os cristãos necessitam arrepender-se deste fato profundamente.”
O Movimento de Convergência teve um “cutucador”, liderança de inúmeras peregrinações pessoais, chamado Richard Foster, cujo livro clássico A Celebração da Disciplina, foi para mim apresentado no Rio de Janeiro, recentemente, por Dom Luiz Prado, bispo emérito e Reitor do SETEK – Seminário Anglicano de Porto Alegre. Através de uma prática integrada às cinco tradições básicas da espiritualidade, Foster, de origem quaker, convocou, em 1988, uma conferência chamada Renovare, objetivando acelerar as convergências das correntes cristãs, num instante planetário de muita conturbação, onde a extrema-direita política, na Europa, principia uma caminhada ascendente nada democraticamente promissora.
Creio que em João 10,16, quem escreveu o evangelho joanino parametrizou uma convocação feita pelo Senhor que foi relegada até pouco tempo, por presunção, arrogância, ânsia de poder, episcopalidades balofas, pastoralidades inconsequentes, evangelizações simplórias e ingenuidades estratégicas as mais diversas. Tudo integrando aquela transitividade ingênua tão bem descrita pelo educador pernambucano Paulo Freire. Eis João 10,16: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. Em outras palavras: “Que ninguém se ponha como proprietário de Mim!”.
Cada vez mais me convenço: o futuro da Igreja deverá sofrer fortes impactações nos próximos decênios. Através de lideranças convergentes, milhões se agruparão em torno das essências, as circunstâncias ficando por conta de cada estrutura denominacional. As denominações convergindo sob um lema norteador: "Alicerçados na tradição, vivendo no presente e olhando para o futuro".
Ampliemos o Movimento de Convergência, antes do “seu” Lobo chegar. Para que não sejamos devorados sem dó nem piedade por ele e pelos que apenas se fantasiam de ovelhas, de olhinhos revirados e sem qualquer tino bíblico libertador.
PS. A releitura de A Metáfora do Deus Encarnado, do teólogo John Hick, Vozes, 2000, é sempre oportuna para uma contínua evolução espiritual. Sempre serei grato ao meu irmão Dom Jubal Neves, bispo anglicano de Santa Maria, RS, que um dia me presenteou livro tão fecundante. Segundo Rubem Alves, “loucura e criatividade moram em quartos vizinhos”. Que diga Paulo apóstolo.

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