Dos pampas, o João Silvino da Conceição me trouxe um livro precioso. Editado em 1999 pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, em comemoração aos seus 30 anos de existência, Jesus de Nazaré, Profeta da Liberdade e da Esperança congrega 20 magníficos ensaios, com temas os mais variados.
Na Apresentação, o pe. Aloysio Bohnen, SJ, comunica os três traços que caracterizam a coletânea: a multiautoralidade, a interconfessionalidade e a interdisciplinaridade. E questiona: qual é o lugar e o papel sociais da religião numa sociedade que já passou ou que venha a passar pela experiência histórica da emancipação socioeconômica, sociopolítica e sociocultural, possuidora do objetivo maior de testemunhar o vínculo inseparável entre fé e a promoção da justiça do Reino?
Enaltecendo o excelencialidade do conjunto, quatro ensaios despertaram minha atenção: Jesus e o Judaísmo (Henry Sobel), Nem Homem nem Mulher (Maria Clara Bingemer), Jesus Cristo e os Jovens (Hilário Dick) e Um Encontro Libertador (Luiz Eduardo Wanderley).
O escrito do rabino Sobel é mote para reaproximações concretas e esclarecimentos recíprocos sobre algumas anotações rancorosas emitidas pelas partes de um mesmo tronco abraâmico. Salientando que Jesus se considerava judeu fiel às suas origens, se reportando à Torá em suas pregações e seguramente praticante diário da Shemá, Sobel afirma que o dito em Mc 5,43 não se encontra em parte alguma do Antigo Testamento. Muito pelo contrário, Sobel reproduz Pv 25,21-22 para rebater o lapso cometido. E reproduz palavras de João Paulo II, em 1997: “Não se pode exprimir de maneira plena o mistério de Cristo sem recorrer ao Antigo Testamento. A identidade humana de Jesus define-se a partir do seu vínculo com o povo de Israel”.
A análise do pe. Hilário Dick, uma mente contemporânea, fotografa bem o amor dos jovens pela figura do Homão de Nazaré. Afirma que os jovens não apreciam muito dos que falam dEle, “porque há falas que O tornam muito etéreo ou concreto demais”. E diz quais os aspectos apreciados pelos jovens em Jesus: a liberdade com que Ele vivia a vida; o amor que Ele tinha pela natureza; a não-distinção de pessoas; o seu espírito revolucionário. Cita o canto Seu Nome é Jesus Cristo, sucesso de juventude dos anos 60, relembra o “Jesus Cristo, eu estou aqui!” do Roberto Carlos e ainda menciona os filmes Hair e Jesus Cristo Superstar, que levou cristãos, à época, “a estarem presentes na fundação de um partido de esquerda”.
A parte composta por Maria Clara Bingemer, PhD em Teologia pela Gregoriana de Roma e Coordenadora do Centro Loyola de Fé e Cultura, parte de uma constatação: “entre os diferentes tratados da Teologia que buscam repensar-se a partir da perspectiva da mulher, a Cristologia é talvez um dos mais importantes e, certamente, dos mais polêmicos”. Embora ressaltando que “a Cristologia é percebida inclusive por muitas mulheres como sendo a doutrina da tradição cristã que mais freqüentemente foi usada contra elas”, Maria Clara ressalta em duas partes do seu ensaio – Jesus e as mulheres e O feminino e a segunda pessoa da Trindade – as rupturas provocadas pelo Nazareno, devolvendo às mulheres o pedestal que elas sempre foram merecedoras.
Por fim, sem deixar de enaltecer a excelência dos ensaios restantes, o texto de Luiz Eduardo Wanderley revolve seu passado e enfrenta seus amanhãs como sexagenário ativo, exibindo como eixo estruturador a pessoa de Jesus de Nazaré. Filho de de pais religiosamente católicos romanos, Wanderley reflete sobre o papel do leigo nas caminhadas futuras do Cristianismo, num hoje de mudanças aceleradas, de intensa urbanização e de estresses múltiplos, onde não parece existir mais tempo para a meditação, a oração e a solidariedade de uns para com os outros.
Um presentão e tanto recebi do João Silvino. Uma edição de excelente conteúdo sobre o Homão que tanto amamos, irmão de Caminhada Libertadora.
Na Apresentação, o pe. Aloysio Bohnen, SJ, comunica os três traços que caracterizam a coletânea: a multiautoralidade, a interconfessionalidade e a interdisciplinaridade. E questiona: qual é o lugar e o papel sociais da religião numa sociedade que já passou ou que venha a passar pela experiência histórica da emancipação socioeconômica, sociopolítica e sociocultural, possuidora do objetivo maior de testemunhar o vínculo inseparável entre fé e a promoção da justiça do Reino?
Enaltecendo o excelencialidade do conjunto, quatro ensaios despertaram minha atenção: Jesus e o Judaísmo (Henry Sobel), Nem Homem nem Mulher (Maria Clara Bingemer), Jesus Cristo e os Jovens (Hilário Dick) e Um Encontro Libertador (Luiz Eduardo Wanderley).
O escrito do rabino Sobel é mote para reaproximações concretas e esclarecimentos recíprocos sobre algumas anotações rancorosas emitidas pelas partes de um mesmo tronco abraâmico. Salientando que Jesus se considerava judeu fiel às suas origens, se reportando à Torá em suas pregações e seguramente praticante diário da Shemá, Sobel afirma que o dito em Mc 5,43 não se encontra em parte alguma do Antigo Testamento. Muito pelo contrário, Sobel reproduz Pv 25,21-22 para rebater o lapso cometido. E reproduz palavras de João Paulo II, em 1997: “Não se pode exprimir de maneira plena o mistério de Cristo sem recorrer ao Antigo Testamento. A identidade humana de Jesus define-se a partir do seu vínculo com o povo de Israel”.
A análise do pe. Hilário Dick, uma mente contemporânea, fotografa bem o amor dos jovens pela figura do Homão de Nazaré. Afirma que os jovens não apreciam muito dos que falam dEle, “porque há falas que O tornam muito etéreo ou concreto demais”. E diz quais os aspectos apreciados pelos jovens em Jesus: a liberdade com que Ele vivia a vida; o amor que Ele tinha pela natureza; a não-distinção de pessoas; o seu espírito revolucionário. Cita o canto Seu Nome é Jesus Cristo, sucesso de juventude dos anos 60, relembra o “Jesus Cristo, eu estou aqui!” do Roberto Carlos e ainda menciona os filmes Hair e Jesus Cristo Superstar, que levou cristãos, à época, “a estarem presentes na fundação de um partido de esquerda”.
A parte composta por Maria Clara Bingemer, PhD em Teologia pela Gregoriana de Roma e Coordenadora do Centro Loyola de Fé e Cultura, parte de uma constatação: “entre os diferentes tratados da Teologia que buscam repensar-se a partir da perspectiva da mulher, a Cristologia é talvez um dos mais importantes e, certamente, dos mais polêmicos”. Embora ressaltando que “a Cristologia é percebida inclusive por muitas mulheres como sendo a doutrina da tradição cristã que mais freqüentemente foi usada contra elas”, Maria Clara ressalta em duas partes do seu ensaio – Jesus e as mulheres e O feminino e a segunda pessoa da Trindade – as rupturas provocadas pelo Nazareno, devolvendo às mulheres o pedestal que elas sempre foram merecedoras.
Por fim, sem deixar de enaltecer a excelência dos ensaios restantes, o texto de Luiz Eduardo Wanderley revolve seu passado e enfrenta seus amanhãs como sexagenário ativo, exibindo como eixo estruturador a pessoa de Jesus de Nazaré. Filho de de pais religiosamente católicos romanos, Wanderley reflete sobre o papel do leigo nas caminhadas futuras do Cristianismo, num hoje de mudanças aceleradas, de intensa urbanização e de estresses múltiplos, onde não parece existir mais tempo para a meditação, a oração e a solidariedade de uns para com os outros.
Um presentão e tanto recebi do João Silvino. Uma edição de excelente conteúdo sobre o Homão que tanto amamos, irmão de Caminhada Libertadora.

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