sábado, 15 de dezembro de 2007

Para Entender Religiões

Segundo estimativas recentes, 15% da população terrestre não professam religião alguma, em torno de 4% sendo o percentual daqueles que se opõem a qualquer prática religiosa. Mais o fato mais preocupante é a desagregação das denominações religiosas do Ocidente. Três razões são apontadas: as acomodações ou obsolescências das próprias instituições; o acelerado desenvolvimento dos meios de comunicação e das correntes migratórias, a favorecer a multiplicação dos “produtos” religiosos; e o desencantamento com os anos 60 e 70 do século passado, ensejando novas formas de religiosidade, a maioria respaldada em correntes fundamentalistas.
Enquanto os menos atilados imaginam-se seguros diante das práticas anestésicas dos mais sabidos, os mais críticos, mesmo sob olhares de sutil censura e disfarçada rejeição, entendem que “Deus é antes de mais nada, liberdade”. E que a salvação não pode ser plenamente vivenciada em ambiente de constrangimento e medo, posto que a fé não pode ser vivenciada a partir da aceitação passiva dos conceitos doutrinários.
Um percurso temático foi recentemente elaborado por Michel Reeber, do Grupo de Estudos e de Pesquisa da Universidade de Ciências Humanas de Estrasburgo. São quatrocentos verbetes, contendo termos, conceitos e idéias que muito facilitarão o crente de qualquer denominação a compreender mais adequadamente a mensagem do Criador, propagada ela pelas denominações mais diferenciadas. A edição brasileira ainda possui um acréscimo sobre religiões, crenças e rituais praticados no país, um trabalho elaborado pelo professor Marcelo Ayres Camurça, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais.
Os verbetes relacionados às grandes religiões – hiduísmo, budismo, judaísmo, cristianismo e islamismos – são descritos de modo mais que satisfatório no livro do Reeber. Também no anexo se pode entender o que é candomblé, comunidades eclesiais de base, kardecismo, orixás, pajelança, santo daime, umbanda e vale do amanhecer. Parágrafos esclarecedores, numa linguagem não hermética, que certamente muito facilitarão a caminhada de cada leitor na sua trilha confessional.
A atual safra de bons livros sobre Religião proporciona uma maior criticidade nos que acreditam na transcendentalidade do ser humano efetivamente direcionada a partir de um construir existencial ético. As novas leituras conduzirão os diferenciados crentes na superação das dores do mundo contemporâneo através dos seguintes projetos-desafios: a humanização das operações tecnológicas, as novas formas de produção na busca de um padrão civilizatório mais condizente com a dignidade humana e o revigoramento da sustentabilidade ecológica do planeta. Alcançado elas, uma nova consciência cósmica se estabelecerá, apoiada na advertência do apóstolo Paulo: “Não deixem que ninguém os engane de modo algum” (2Ts 2,3)
Atualmente, embora prepondere ainda as manobras espúrias de antigamente – mandonismos, nepotismos, amealhamentos espúrios, anestesiamentos e alienações - são ainda poucos os seres humanos que percebem a decisiva importância da religião para a implementação de solidárias políticas globais. E quem ratifica tal argumentação é o teólogo Hans Kung, em livro editado pela Vozes, em 1999: “No mundo moderno, é a religião uma força central, talvez a força central que motiva e mobiliza as pessoas. ... Convicções religiosas e família, sangue e doutrina são as realidades com as quais as pessoas se identificam e em função das quais lutam e morrem”. Estou convencido que emerge velozmente uma baita revolução ética, amplamente respaldada nos princípios ecumênicos de uma Teologia da Inclusão Social. É só aderir pra humanamente saber fazer acontecer. Uma tarefa que também estará a cargo do CBMI - Centro Brasileiro de Missão Integral, em implantação no Recife, através do seu Mestrado em Missão Integral, evangelicamente supradenominacional, programado para se iniciar em meados do primeiro semestre de 2008. Sob as bençãos do Homão de Nazaré.

Nenhum comentário: