Uma festa de muito calor humano, a solenidade de entrega do título de Cidadão Pernambucano ao padre João Pubben, o Padre Joãozinho, de Dois Unidos, meu amigo-irmão de muitos anos. Aconteceu no dia 29 de novembro passado, na Assembléia, sob a presidência do deputado Antônio Morais, paroquiano da Casa Forte do padre Edwaldo Gomes, uma das pilastras do clero pernambucano.
Os autores da proposta, bravos deputados Terezinha Nunes e Pedro Eurico, em seus pronunciamentos não regatearam elogios ao ex-arcebispo de Olinda e Recife, o inesquecível Dom Hélder Câmara, carinhosamente chamado de Dom pelos seus mais próximos colaboradores, um tratamento carinhoso nunca auto-intitulado.
Dom Hélder Câmara foi de suma importância em momentos decisivos da vida do padre Joãozinho, o primeiro encontro acontecido em maio de 1968, o então arcebispo com 59 e o sacerdote holandês com pujantes 29 anos. O último se verificando em 27 de agosto de 1999, quando o mais velho partiu para a eternidade, incluindo-se no Deus Pai Todo Poderoso, Aquele que é Senhor da Vida.
Antes da solenidade, o padre João Pubben fez chegar a todos os presentes algumas anotações pessoais a respeito dos seus encontros com Dom Hélder Câmara. E enumerou as dez realidades na vida de Dom Hélder que o tocaram profundamente:
1. Era uma liderança pastoral onde contemplação e ação nunca estavam dissociadas.
2. Sua fé portentosa, em inúmeras ocasiões desanuviavam por completo as angústias dos que o procuravam.
3. Vivia a Eucaristia intensamente, afirmando sempre “ser o ponto mais alto do meu dia”.
4. Era um homem livre, parecendo que as estruturas da Sociedade e da Igreja para ele não existiam. Dom Jacques Gaillot, bispo de Partênia, declarou, no Recife, que “quando a gente tem medo não é livre, e quando é livre provoca medo”.
5. Buscava o principal da realidade, o supérfluo ficando em plano desprezível. Com isso, ganhava tempo e energia para se dedicar ao que era importante.
6. Dificuldades não o desanimavam, todas elas o convidavam a se jogar ainda mais na liça para vencê-las.
7. Era dotado de descomunal compreensão. Escutava os sofrimentos e as dificuldades dos que o procuravam mais com o coração que os ouvidos, reconfortando todos mais com o coração que a boca.
8. Misericordioso sempre, apesar dos sofrimentos causados pelos poderosos do Mundo e da Igreja. Inutilmente se encontrará uma palavra dura em seus escritos dirigida aos que o detratavam.
9. Amava a vida, “o sonho mais lindo de Deus”, como canta Reginaldo Veloso, ex-pároco do Morro da Conceição.
10. Muito amável e muito humano. Seus gestos solidários são incontáveis.
O documento distribuído pelo novo Cidadão de Pernambuco assim terminava: “Que Dom Hélder Pessoa Câmara viva para sempre feliz no Silêncio de Deus e que nós caminhemos na Paz do Senhor e na Fraternidade das Irmãs e dos Irmãos”.
Dou testemunho público do carinho de sua paróquia para com seu padre muito amado. Na Assembléia Legislativa, quando pronunciava seu discurso, o deputado Pedro Eurico citou o povo de Dois Unidos ali presente. Mais de uma centena de pessoas se levantaram numa calorosa salva de palmas, com muitos vivas de alegria não programada.
Como padre lazarista, João Pubben, o Padre Joãozinho de Dois Unidos, partiu da sua terra natal para dedicar-se aos pobres do Nordeste do Brasil, tornando-se uma referência de amor aos preferidos de Deus. Nascido em 16 de janeiro de 1939 em Heiden, na Holanda, lá se ordenou em 1965. Radicado em Dois Unidos há quase quarenta anos, também presta assistência às comunidades de Passarinho e Esperança, ainda sendo colaborador do Espaço Geriátrico Nossa Senhora da Conceição e voluntário do Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (PROCAPE).
De nome pomposo – Johannes Franciscus Gerardus Pubben – o agora Cidadão Pernambucano padre Joãozinho tornou-se de direito um Leão do Norte. Pronto para continuar a travar o bom combate, sem jamais perder a fé.
Jornal do Commercio, Recife, PE,12.12.2007
Os autores da proposta, bravos deputados Terezinha Nunes e Pedro Eurico, em seus pronunciamentos não regatearam elogios ao ex-arcebispo de Olinda e Recife, o inesquecível Dom Hélder Câmara, carinhosamente chamado de Dom pelos seus mais próximos colaboradores, um tratamento carinhoso nunca auto-intitulado.
Dom Hélder Câmara foi de suma importância em momentos decisivos da vida do padre Joãozinho, o primeiro encontro acontecido em maio de 1968, o então arcebispo com 59 e o sacerdote holandês com pujantes 29 anos. O último se verificando em 27 de agosto de 1999, quando o mais velho partiu para a eternidade, incluindo-se no Deus Pai Todo Poderoso, Aquele que é Senhor da Vida.
Antes da solenidade, o padre João Pubben fez chegar a todos os presentes algumas anotações pessoais a respeito dos seus encontros com Dom Hélder Câmara. E enumerou as dez realidades na vida de Dom Hélder que o tocaram profundamente:
1. Era uma liderança pastoral onde contemplação e ação nunca estavam dissociadas.
2. Sua fé portentosa, em inúmeras ocasiões desanuviavam por completo as angústias dos que o procuravam.
3. Vivia a Eucaristia intensamente, afirmando sempre “ser o ponto mais alto do meu dia”.
4. Era um homem livre, parecendo que as estruturas da Sociedade e da Igreja para ele não existiam. Dom Jacques Gaillot, bispo de Partênia, declarou, no Recife, que “quando a gente tem medo não é livre, e quando é livre provoca medo”.
5. Buscava o principal da realidade, o supérfluo ficando em plano desprezível. Com isso, ganhava tempo e energia para se dedicar ao que era importante.
6. Dificuldades não o desanimavam, todas elas o convidavam a se jogar ainda mais na liça para vencê-las.
7. Era dotado de descomunal compreensão. Escutava os sofrimentos e as dificuldades dos que o procuravam mais com o coração que os ouvidos, reconfortando todos mais com o coração que a boca.
8. Misericordioso sempre, apesar dos sofrimentos causados pelos poderosos do Mundo e da Igreja. Inutilmente se encontrará uma palavra dura em seus escritos dirigida aos que o detratavam.
9. Amava a vida, “o sonho mais lindo de Deus”, como canta Reginaldo Veloso, ex-pároco do Morro da Conceição.
10. Muito amável e muito humano. Seus gestos solidários são incontáveis.
O documento distribuído pelo novo Cidadão de Pernambuco assim terminava: “Que Dom Hélder Pessoa Câmara viva para sempre feliz no Silêncio de Deus e que nós caminhemos na Paz do Senhor e na Fraternidade das Irmãs e dos Irmãos”.
Dou testemunho público do carinho de sua paróquia para com seu padre muito amado. Na Assembléia Legislativa, quando pronunciava seu discurso, o deputado Pedro Eurico citou o povo de Dois Unidos ali presente. Mais de uma centena de pessoas se levantaram numa calorosa salva de palmas, com muitos vivas de alegria não programada.
Como padre lazarista, João Pubben, o Padre Joãozinho de Dois Unidos, partiu da sua terra natal para dedicar-se aos pobres do Nordeste do Brasil, tornando-se uma referência de amor aos preferidos de Deus. Nascido em 16 de janeiro de 1939 em Heiden, na Holanda, lá se ordenou em 1965. Radicado em Dois Unidos há quase quarenta anos, também presta assistência às comunidades de Passarinho e Esperança, ainda sendo colaborador do Espaço Geriátrico Nossa Senhora da Conceição e voluntário do Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (PROCAPE).
De nome pomposo – Johannes Franciscus Gerardus Pubben – o agora Cidadão Pernambucano padre Joãozinho tornou-se de direito um Leão do Norte. Pronto para continuar a travar o bom combate, sem jamais perder a fé.
Jornal do Commercio, Recife, PE,12.12.2007

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