quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Reflexões para um Início de Ano

No alvorecer de 2008, ano bissexto, passadas as tradicionais euforias dezembrinas, imaginar-se dez anos adiante deverá ser um exercício de bom tamanho para todos nós, amantes da Eternidade. Para fazer emergir sentimentos nunca revelados, espiritualidades incompletas e texturas descoradas por desintegrações as mais diferenciadas.
No raiar de 2008, saibamos abordar com serenidade as razões dos progressos fingidos. Reconhecendo as urgências e as ressurgências, erradicando as previsões insensatas, redimensionando esperanças, as hipocrisias sendo vencidas pelas salutares intercomplementaridades entre o ser, o ter, o sonhar, o fazer e o doar.
Empenhemos nossos esforços na busca de uma “viabilização do impossível”, ousando postar-se muito além da “implementação do viável”. Lastimando menos, concretizando mais, adquirindo novas posturas, percebendo, sempre sem medos e descontroles pueris, que pão, terra, trabalho, liberdade e cidadania é a melhor das receitas para se obter uma paz mundial nunca aparente.
Busquemos amanhãs mais promissores para nosso Nordeste , nosso ecossistema, sem olvidar os nossos bravos que já se situam no seio da Criação. Entendamos que ainda vale a pena buscar o bem estar coletivo, nunca confundindo os Direitos de Todos com favorecimentos a parentes, classes sociais, multinacionais.
Que os lúcidos se envolvam mais, evitando a multiplicação dos oportunistas. Que as atenções para o social se multipliquem, sem maneirismos ultrapassados. Que nossas celebrações se transformem em testemunhos vivos de uma espiritualidade dotada de olhos e corações dispostos a ajudar os próximos mais carentes.
Que as “enxergâncias” individuais e coletivas se multipliquem, na leitura das respostas dadas por Shankara, um sábio indiano que nasceu sete séculos antes de Cristo:
- O que deve ser evitado? As ações que nos levam a uma maior ignorância da verdade.
- Onde reside a força? Na paciência.
- Quais os males mais difíceis de extirpar? O ciúme e a inveja.
- O que é irreal? Aquilo que desaparece quando o conhecimento desperta.
- O que é libertação? A destruição da nossa ignorância.
- Em que devemos empenhar-nos? Em continuar aprendendo enquanto vivemos.
- Que coração não conseguirei conquistar, mesmo usando todas as minhas forças? O coração de um tolo ou de um ser humano que tem medo, ou está cheio de mágoa, ou é invejosamente pequeno, ou tem manias de poder, ou é incapaz de gratidão.
- Quais são as qualidades mais raras neste mundo? Ter o dom de dizer palavras doces com compaixão, ser erudito sem orgulho, ser heróico e ao mesmo tempo. generoso, e ser rico sem apego à riqueza.
Orgulhemo-nos das nossas vivências comunitárias, porque todas as Boas Novas são universais, sem discriminação alguma, destinadas aos Filhos da Criação.
Aprofundemos o querer bem de uns para com os outros. E ampliemos nossos conhecimentos espirituais, reconhecendo as manobras dos que desejam levar vantagens, fingidamente comprometidos com a Mensagem do Menino de Nazaré.
Feliz 2008!!!!

(Publicado no Portal da Globo Nordeste – http://pe360graus.globo.com - Colunistas 360)

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