Mesmo respeitando todos os progressistas, não posso deixar de concordar com Guerreiro Ramos, um dos talentos nacionais já eternizados: o Brasil tem poucos esquerdistas e muitos esquerdeiros. Entre estes últimos situam-se os sectários de conteúdo fixo, pólos opostos dos coleguinhas do outro extremo, todos dotados de olhares censuradores para tudo quanto é lado, a imaginarem-se donos arroteiros do saber solucionador.
O jornalista Arnaldo Jabor, outro dia, classificou os sectários em quatro grandes categorias, aqui pouco diferenciando o lado posicionado: o de cervejaria, o de enfermaria, o de estrebaria e o de ocasião. Explicando melhor, com a devida permissão do Jabor: o de cervejaria imagina, sempre rodeado em mesa de bar de louras geladíssimas e alguns alesados, que mudanças acontecem num estalar de dedos, não requerendo saber diferenciar massa e povo. Portador de idéias sempre “geniais”, todas botequineiras, dessas que reinventam a roda, entende que o seu derredor é visceralmente homogêneo, não permitindo qualquer dissensão elucidativa.
O sectário de enfermaria é o que levou duas ou três carreiras da polícia. Percebe-se igualzinho aos que foram banidos, torturados ou mortos pela ditadura de um ontem que ainda muito nos envergonha. Não possui idéias, só relatos fantasiosos, ele sempre no centro dos acontecimentos, coitadíssimo por ainda não ter chegado a sua glória. Gabola por excelência, centuplica os feitos, ansioso pela ampliação da sua platéia. Olhos nunca alegres, perambula com ares vitimistas, na esperança de um dia se ver incluído no rol dos recompensados pelo sufrágio popular.
O doidivano de estrebaria exige atenções especiais com seus arroubos verborrágicos tonitruantes, cascos sempre à mostra para os deslumbrados, imaginando-se protótipo perfeito de líder resoluto, pau para toda obra e pro que der e vier, muito embora sem articulação de espécie alguma.
Finalmente, o oportunista é aquele que deseja ser mais realista que o rei, alguns até deixando a barba rala crescer para parecer ser do time dos eleitos.
O texto do Jabor define bem: “No fim dos anos 70, o surgimento do Lula no ABC foi a única novidade progressista do país, a melhor crítica prática que a velha esquerda recebeu depois de décadas de ilusões vagabundas. De repente, um operário inteligente descobriu o óbvio: que o delírio ideológico tinha de ser substituído por uma luta sindical de resultados. Lula ignorou intelectuais, carbonários e até pelegos getulistas, inaugurando um novo ângulo da realidade”.
Reproduzindo Eduardo Galeano, os sectários de todos os viéses se parecem com aqueles três cegos que apalpavam partes de um elefante. O que apalpou o rabo disse ter encontrado uma corda. O que tateou uma das patas identificou-a como uma coluna, o terceiro declarando ser uma parede a enorme pança do paquiderme. Como ninguém viu o conjunto, todos imaginavam estar identificando uma realidade.
Que o Siri na Lata, em fevereiro próximo, seja símbolo aplaudido de um momento carnavalesco de alta catarse. Mas que não se torne arena das brigalhadas idiotas dos sectários de todos os matizes, que apenas estão binoculizando as eleições próximas, jogando para as gerais. Quando uma sociedade se enfada das patacoadas, o caminho alternativo nunca foi o progressista...
Grandes coisas nascem dos turbilhões. Saibamos ser gigantes, entendendo chegada a hora de melhor dignidade para todos. E de também perceber que a libertação de duas reféns pela Farc, em troca de alguns milhões de dólares, foi uma estratégia engorda-caixa de um grupo criminoso. Marqueteiramente utilizado por um bufão chamado Hugo Chávez, inspirador de bravateiros brasileiros, alguns até estudantes secundaristas. E de uns outros tantos do “na lei ou na marra”, de histórico nada recomendável.
(Publicado Portal da Globo Nordeste, Colunistas 360 Graus, janeiro de 2008)
O jornalista Arnaldo Jabor, outro dia, classificou os sectários em quatro grandes categorias, aqui pouco diferenciando o lado posicionado: o de cervejaria, o de enfermaria, o de estrebaria e o de ocasião. Explicando melhor, com a devida permissão do Jabor: o de cervejaria imagina, sempre rodeado em mesa de bar de louras geladíssimas e alguns alesados, que mudanças acontecem num estalar de dedos, não requerendo saber diferenciar massa e povo. Portador de idéias sempre “geniais”, todas botequineiras, dessas que reinventam a roda, entende que o seu derredor é visceralmente homogêneo, não permitindo qualquer dissensão elucidativa.
O sectário de enfermaria é o que levou duas ou três carreiras da polícia. Percebe-se igualzinho aos que foram banidos, torturados ou mortos pela ditadura de um ontem que ainda muito nos envergonha. Não possui idéias, só relatos fantasiosos, ele sempre no centro dos acontecimentos, coitadíssimo por ainda não ter chegado a sua glória. Gabola por excelência, centuplica os feitos, ansioso pela ampliação da sua platéia. Olhos nunca alegres, perambula com ares vitimistas, na esperança de um dia se ver incluído no rol dos recompensados pelo sufrágio popular.
O doidivano de estrebaria exige atenções especiais com seus arroubos verborrágicos tonitruantes, cascos sempre à mostra para os deslumbrados, imaginando-se protótipo perfeito de líder resoluto, pau para toda obra e pro que der e vier, muito embora sem articulação de espécie alguma.
Finalmente, o oportunista é aquele que deseja ser mais realista que o rei, alguns até deixando a barba rala crescer para parecer ser do time dos eleitos.
O texto do Jabor define bem: “No fim dos anos 70, o surgimento do Lula no ABC foi a única novidade progressista do país, a melhor crítica prática que a velha esquerda recebeu depois de décadas de ilusões vagabundas. De repente, um operário inteligente descobriu o óbvio: que o delírio ideológico tinha de ser substituído por uma luta sindical de resultados. Lula ignorou intelectuais, carbonários e até pelegos getulistas, inaugurando um novo ângulo da realidade”.
Reproduzindo Eduardo Galeano, os sectários de todos os viéses se parecem com aqueles três cegos que apalpavam partes de um elefante. O que apalpou o rabo disse ter encontrado uma corda. O que tateou uma das patas identificou-a como uma coluna, o terceiro declarando ser uma parede a enorme pança do paquiderme. Como ninguém viu o conjunto, todos imaginavam estar identificando uma realidade.
Que o Siri na Lata, em fevereiro próximo, seja símbolo aplaudido de um momento carnavalesco de alta catarse. Mas que não se torne arena das brigalhadas idiotas dos sectários de todos os matizes, que apenas estão binoculizando as eleições próximas, jogando para as gerais. Quando uma sociedade se enfada das patacoadas, o caminho alternativo nunca foi o progressista...
Grandes coisas nascem dos turbilhões. Saibamos ser gigantes, entendendo chegada a hora de melhor dignidade para todos. E de também perceber que a libertação de duas reféns pela Farc, em troca de alguns milhões de dólares, foi uma estratégia engorda-caixa de um grupo criminoso. Marqueteiramente utilizado por um bufão chamado Hugo Chávez, inspirador de bravateiros brasileiros, alguns até estudantes secundaristas. E de uns outros tantos do “na lei ou na marra”, de histórico nada recomendável.
(Publicado Portal da Globo Nordeste, Colunistas 360 Graus, janeiro de 2008)

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