quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Gestão do Conhecer

Impressiona-me bastante a com que algumas personalidades do meio técnico-científico e cultural brasileiro se arvoram de conhecedoras de tudo, mal sabendo a diferença existente entre dado, informação e conhecimento, ignorando por completo, posto que contaminadas por uma inadequada arrotância computacional, o alerta muito oportuno de Sydney J. Harris: “O verdadeiro perigo não é que os computadores comecem a pensar como seres humanos, mas que os seres humanos comecem a pensar como computadores”.
A advertência acima me faz recordar algumas panacéias e fórmulas mágicas mirabolantes oferecidas por lustrosos especialistas, os quais imaginam, equivocada ou convenientemente, que qualquer tecnologia de ponta pode dispensar a qualificação e o julgamento de um trabalho humano experiente e consolidado cientificamente. Fruto de anos de pesquisas e reflexões submetidas a um saber-fazer consistente e de efeitos sociais duradouros.
Os que ainda não se hipnotizaram pelos que torcem por uma informática-fim, nunca apenas esplendorosamente meio, se encontram convencidos de que a única vantagem sustentável que uma organização possui é aquilo que ela coletivamente sabe, a eficiência com que ela usa o que sabe e a prontidão com que ela adquire e usa novos conhecimentos, apreendidos de um modo integral e apaixonadamente perscrutador. Tudo isso a ratificar o pensar de Peter Drucker, segundo o qual o conhecimento está sendo identificado como a nova viga mestre da competitividade na economia pós-capitalista, posicionando-se essencialmente imbricado com atividades crescentemente comunitárias. Uma opinião que se consolida no ideário de Paul Romer, renomado economista de Stanford, segundo o qual o conhecimento é, hoje, o único ativo que aumenta com o uso, sendo considerado um recurso ilimitado.
Se, por exemplo, um profissional de razoável bagagem técnica se considera capaz de exercer suas funções em qualquer área governamental, até no setor policial-militar, poderá ele estar sendo vitimado por uma fixidez funcional, também denominada de “psicoesclerose”, um endurecimento de atitudes burocráticas, que inevitavelmente o levará a se manifestar, sempre da mesma maneira em qualquer ambiente de trabalho, através uma competência gestionária superada, sem um mínimo de criatividade gerencial. É por isso que o professor-médico e psiquiatra John Kao, da Harvard Business School afirma no seu mais recente documento que “a teoria administrativa tradicional é analítica, movida por uma disposição mental administrativa tradicional, podendo causar danos irreparáveis em ambientes movidos pela criatividade:.
Outro dia, conversando com um executivo argentino, ele me mostrava uma revista técnica portenha, com um pensamento de Jean-René Fourtou, presidente da Rhône-Poulenc S.A., uma das maiores empresas francesas: “Se tudo que você possui são procedimentos, conceitos e sistemas de computador, você destruirá a organização e o espírito das pessoas que lá trabalham”.
Assino embaixo, com entusiasmo de quem considera a informática um dos insumos mais revolucionários de todos os tempos, se bem utilizada para o aprimoramento do todo.

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