Deparo-me com o João Silvino da Conceição sobraçando um taludo volume. E ele vai logo me explicando do que se trata, pois é sabedor da minha curiosidade por livros e revistas: uma edição Imago 1976 do livro Ser Cristão, de Hans Küng, o mais aplaudido teólogo vivo da atualidade. E logo declara, com alegria incontida, que o valioso presente lhe foi enviado pela Sara Soares, bibliotecária do Seminário Teológico Anglicano de Porto Alegre, que adquiriu o livro num sebo gaúcho, atendendo suas insistentes buscas Brasil afora.
E o João me faz uma ponderação: não sabe a razão de não ter sido o livro do Küng reeditado no Brasil. Segundo ele, o livro se destina para os que não crêem, ainda que indagando com seriedade; para os que já tiveram fé, mas não se sentem mais confortáveis com a sua descrença; para os que se sentem inseguros na fé; para os que oscilam entre fé e descrença; e para os céticos. E também para “cristãos e ateus, gnósticos e agnósticos, pietistas e positivistas, católicos fervorosos e tíbios protestantes e ortodoxos”. Que “não se resignam, nem satisfazem com vagos sentimentos, com preconceitos subjetivos e probabilidades aparentes”, nem pretendem ser adeptos de um cristianismo barato. Nem tampouco pretendem substituir o saudavelmente tradicional pelos “recursos de uma arte cosmética e conformista de adaptação”.
Ressalta, o João Silvino, a seriedade intelectual do Hans Küng, quando ele declara não ter intenção de oferecer novas adaptações de algum credo, nem análises dogmáticas com respostas prontas, tampouco fazer propaganda de algum cristianismo novo. Segundo Küng, “o que pretendemos é uma introdução objetiva e atual, sem a preocupação de converter e livre de uma lírica teológica, sem os requintes da escolástica e o jargão da teologia moderna”.
O livro comporta quatro grandes partes: O Horizonte (os desafios dos modernos humanismos e das religiões universais), A Diferença (o específico do cristianismo, o Cristo real, Cristianismo e Judaísmo), O Programa (contexto social, a causa de Deus, a causa do Homem, o conflito, as interpretações, a vida nova, comunidade da fé) e A Práxis (a práxis da Igreja, ser-homem e ser-cristão, ser-cristão como radical ser-homem).
Ressaltando a beleza de Ser Cristão, João Silvino destaca alguns pontos significaticos constatados pelo teólogo Küng: as Igrejas gastaram tempo demais em resguardar alianças entre trono e altar; funcionaram por séculos como guardiães do status político, econômico e social; encapsularam-se diante da modernidade; e acovardaram-se diante das reformas inevitáveis, coibindo – por fogueira, silêncios obsequiosos, demissões e excomunhões ridicularmente exdrúxulas – o pensar criativo, evolucionário por excelência. O cristianismo, segundo Küng, deve ser entendido como um diamante: jamais sendo dilapidado, mas lapidado, se possível levado a brilhar.
O livro parece refletir dois posicionamentos do sempre amado Dom Hélder Câmara: 1. “Nestes tempos de egoísmo, de alienação, de ódio, de injustiça, o Espírito do Senhor cumpriu um trabalho que, sem Ele, seria impraticável: com todas as Pessoas, de todas as Raças, de todas as línguas, de todas as Religiões, de todos os Grupos Humanos, Ele desperta Minorias que têm fome e sede de justiça, e que estão dispostas a ajudar na construção de um mundo mais justo e mais humano”; 2. “O fenômeno do presente é que a juventude, com as várias Religiões, retém freqüentemente a impressão que existe medo, egoísmo, prudência excessiva da parte daqueles que carregam os títulos de líderes religiosos – já sem liderar”.
É chegada a hora de evolucionar cristãmente a mocidade, auxiliando-a na defesa do desenvolvimento do homem todo e de todos os homens. Tornando-a irmã militante do Homão de Nazaré, edificando-a como protagonistas da Mensagem Crística, nunca reduzindo-a a cordeirinhos apalermados sem qualquer sentido de ultrapassagem cósmica.
E o João me faz uma ponderação: não sabe a razão de não ter sido o livro do Küng reeditado no Brasil. Segundo ele, o livro se destina para os que não crêem, ainda que indagando com seriedade; para os que já tiveram fé, mas não se sentem mais confortáveis com a sua descrença; para os que se sentem inseguros na fé; para os que oscilam entre fé e descrença; e para os céticos. E também para “cristãos e ateus, gnósticos e agnósticos, pietistas e positivistas, católicos fervorosos e tíbios protestantes e ortodoxos”. Que “não se resignam, nem satisfazem com vagos sentimentos, com preconceitos subjetivos e probabilidades aparentes”, nem pretendem ser adeptos de um cristianismo barato. Nem tampouco pretendem substituir o saudavelmente tradicional pelos “recursos de uma arte cosmética e conformista de adaptação”.
Ressalta, o João Silvino, a seriedade intelectual do Hans Küng, quando ele declara não ter intenção de oferecer novas adaptações de algum credo, nem análises dogmáticas com respostas prontas, tampouco fazer propaganda de algum cristianismo novo. Segundo Küng, “o que pretendemos é uma introdução objetiva e atual, sem a preocupação de converter e livre de uma lírica teológica, sem os requintes da escolástica e o jargão da teologia moderna”.
O livro comporta quatro grandes partes: O Horizonte (os desafios dos modernos humanismos e das religiões universais), A Diferença (o específico do cristianismo, o Cristo real, Cristianismo e Judaísmo), O Programa (contexto social, a causa de Deus, a causa do Homem, o conflito, as interpretações, a vida nova, comunidade da fé) e A Práxis (a práxis da Igreja, ser-homem e ser-cristão, ser-cristão como radical ser-homem).
Ressaltando a beleza de Ser Cristão, João Silvino destaca alguns pontos significaticos constatados pelo teólogo Küng: as Igrejas gastaram tempo demais em resguardar alianças entre trono e altar; funcionaram por séculos como guardiães do status político, econômico e social; encapsularam-se diante da modernidade; e acovardaram-se diante das reformas inevitáveis, coibindo – por fogueira, silêncios obsequiosos, demissões e excomunhões ridicularmente exdrúxulas – o pensar criativo, evolucionário por excelência. O cristianismo, segundo Küng, deve ser entendido como um diamante: jamais sendo dilapidado, mas lapidado, se possível levado a brilhar.
O livro parece refletir dois posicionamentos do sempre amado Dom Hélder Câmara: 1. “Nestes tempos de egoísmo, de alienação, de ódio, de injustiça, o Espírito do Senhor cumpriu um trabalho que, sem Ele, seria impraticável: com todas as Pessoas, de todas as Raças, de todas as línguas, de todas as Religiões, de todos os Grupos Humanos, Ele desperta Minorias que têm fome e sede de justiça, e que estão dispostas a ajudar na construção de um mundo mais justo e mais humano”; 2. “O fenômeno do presente é que a juventude, com as várias Religiões, retém freqüentemente a impressão que existe medo, egoísmo, prudência excessiva da parte daqueles que carregam os títulos de líderes religiosos – já sem liderar”.
É chegada a hora de evolucionar cristãmente a mocidade, auxiliando-a na defesa do desenvolvimento do homem todo e de todos os homens. Tornando-a irmã militante do Homão de Nazaré, edificando-a como protagonistas da Mensagem Crística, nunca reduzindo-a a cordeirinhos apalermados sem qualquer sentido de ultrapassagem cósmica.

Um comentário:
Meu caro Fernando
Ampliando nossas enxergâncias nos deparamos com os imensos desafios de viajarmos mais profundamente ao nosso interior em busca de um encontro mais intenso com O Eterno e daí voltar ao mundo para contribuir com sua reorientação segundo os valores humanos mais elevados e os ensinamentos do Mestre de Nazaré. Em tempos de retrocessos aborrecedores e emburrecedores, imitando-o um pouco em seu sadio neologismo, enxergar parece uma missão, um chamado para ser mais que nunca sal e luz. Um enorme cheiro.Chico
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