Demonstrando oportuna indignação, o teólogo Leonardo Boff escreveu recentemente um texto veemente contra a patifaria acontecida no Senado Federal, com a vexatória absolvição do presidente daquela Casa, inclusive com a ignominiosa conivência e conveniência de líderes até então considerados de bom calibre ético. Alguns trechos do artigo intitulado A Bacia de Pilatos: “O que envergonha os cidadãos é verem Senadores, alguns velhos provectos, sem qualquer dignidade, verdadeiros mafiosos do poder, voltarem as costas à sociedade e fazerem-se cegos e surdos ao clamor das ruas. Estão tão enjaulados em seus privilégios na redoma do Senado que nem lhes importa o que a mídia e a opinião pública pensam deles. ... Mas, o que envergonha mesmo é a recaída de membros do PT. São pecadores públicos contumazes. Já haviam antes enviado a ética nem sequer para o limbo, mas diretamente para o inferno. Por isso, são desprezíveis como Pilatos. Este se acovardou diante do povo e condenou Jesus. Mas, antes fez um gesto que passou à história como símbolo de pusilanimidade, de covardia e de falta de caráter. Diante do povo, lavou as mãos com água. Essa bacia de Pilatos foi ressuscitada no Senado. Mas a água não é água. São lágrimas dos indignados, dos cansados de ver injustiças e dos dilacerados diante da contínua impunidade. ... Todos os que se abstiveram, podem acrescentar a seus nomes o sobrenome de Calheiros. Como revelou publicamente seu voto, o Senador Aloísio Mercadante merece agora ser chamado de Aloisio Mercadante Calheiros. Pelo esforço da argumentação em favor da não cassação de Renan, a Senadora Ideli Salvatti merece que lhe apodemos de Ideli Salvatti Calheiros.”
Diante da inconformação geral da maioria da gente brasileira, também responsável pela entronização da bandidagem no Congresso Nacional, algumas questões se agigantam nas mentes mais politizadas do eleitorado. Valeria a pena elevar o país a um regime unicameral? Por que a inconclusa cidadania brasileira acabrunhou-se diante da estabilidade inflacionária, mais ainda nas camadas menos privilegiadas, que se acomodaram diante das bolsas-isso e bolsas-aquilo distribuídas sem a menor construtividade cidadã, parecendo até repetição dos tempos dos Césares, que se refastelavam diante da ovelhice das massas beneficiadas com pão e circo? Por que ninguém está debatendo pesquisa comparativa recente de pesquisador universitário fluminense, sobre opiniões das diversas classes sociais brasileiras? Por que mentir perante os próprios pares do Senado não é mais falta de decoro parlamentar? Por que os governantes deste país continuam se escondendo por detrás das portas, diante dos descarados casos de nepotismo surgidos nos diferenciados setores políticos nacionais? Será que o voto secreto continuará acobertando o acanalhamento da classe política brasileira? Será que não está chegada a hora de se redimensionar quantitativamente a representatividade parlamentar nas assembléias e câmaras municipais, também buscando-se a remunicipalização do todo pátrio, hoje encharcado de municípios faz-de-conta? Por que será que o Leão da Receita é tão brabo para com assalariados pixotes, se acocorando passivamente perante os poderosos financeiros, aqui se incluindo os grandes bancos? E, finalmente, por que a sociedade civil brasileira, tal e qual mariposa sem boca, continua anestesiada pelos messianismos de algumas agremiações partidárias que se imaginam vestais impolutas, únicas portadores da verdade?
As emoções de voar principiam-se com a experiência sentida pelas ameaças do cair. Eis uma lição que muitos políticos ainda não perceberam, curtidores planaltinos do bom e do melhor, mamadores dos financiamentos públicos e dos mensalões. Que não conjugam o verbo arriscar, preferindo o ti-ti-ti das futilidades, apoiados na eterna paciência dos adeptos de um inadmissível “Deus quis”.
Artigo publicado no Jornal do Commercio, Recife, PE, em 19.09.2007
Diante da inconformação geral da maioria da gente brasileira, também responsável pela entronização da bandidagem no Congresso Nacional, algumas questões se agigantam nas mentes mais politizadas do eleitorado. Valeria a pena elevar o país a um regime unicameral? Por que a inconclusa cidadania brasileira acabrunhou-se diante da estabilidade inflacionária, mais ainda nas camadas menos privilegiadas, que se acomodaram diante das bolsas-isso e bolsas-aquilo distribuídas sem a menor construtividade cidadã, parecendo até repetição dos tempos dos Césares, que se refastelavam diante da ovelhice das massas beneficiadas com pão e circo? Por que ninguém está debatendo pesquisa comparativa recente de pesquisador universitário fluminense, sobre opiniões das diversas classes sociais brasileiras? Por que mentir perante os próprios pares do Senado não é mais falta de decoro parlamentar? Por que os governantes deste país continuam se escondendo por detrás das portas, diante dos descarados casos de nepotismo surgidos nos diferenciados setores políticos nacionais? Será que o voto secreto continuará acobertando o acanalhamento da classe política brasileira? Será que não está chegada a hora de se redimensionar quantitativamente a representatividade parlamentar nas assembléias e câmaras municipais, também buscando-se a remunicipalização do todo pátrio, hoje encharcado de municípios faz-de-conta? Por que será que o Leão da Receita é tão brabo para com assalariados pixotes, se acocorando passivamente perante os poderosos financeiros, aqui se incluindo os grandes bancos? E, finalmente, por que a sociedade civil brasileira, tal e qual mariposa sem boca, continua anestesiada pelos messianismos de algumas agremiações partidárias que se imaginam vestais impolutas, únicas portadores da verdade?
As emoções de voar principiam-se com a experiência sentida pelas ameaças do cair. Eis uma lição que muitos políticos ainda não perceberam, curtidores planaltinos do bom e do melhor, mamadores dos financiamentos públicos e dos mensalões. Que não conjugam o verbo arriscar, preferindo o ti-ti-ti das futilidades, apoiados na eterna paciência dos adeptos de um inadmissível “Deus quis”.
Artigo publicado no Jornal do Commercio, Recife, PE, em 19.09.2007

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