Tão logo esmaeceram as comemorações pela escolha do Brasil para sediar as Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, uma vitória indiscutível do presidente Lula, as rinhas políticas se ampliaram, preliminares 3x4 das refregas eleitorais 2010.
Nas comemorações havidas na Praça da Casa Forte, um lanche taludo aconteceu com o amigo João Silvino da Conceição, na manhã seguinte ao anúncio que alegrou milhões de brasileros e um montão de cariocas na praia de Copacabana. O João, que nunca foi de ficar de costas, sempre acompanhado de seus rabiscos em papel pautado, sua desolímpica sabedoria manifesta numa às vezes pouco sutil capacidade de enviar recados para gregos e troianos, independentemente dos saldos bancários, sobrenomes, níveis neuroniais ou neurológicos dos agraciados.
Sem a sua amada Dona Conceição, sete-arrobas morenas generosamente distribuídas e que muito bem nele satisfazem cabeça, tronco e membros há três décadas, aproveitou ele o lanche para me mostrar uns escritos reflexivos destinados aos futuros eleitos de todo Brasil. Sem a mínima preocupação de agradar siglas e gêneros. Nem os vereadores da PEC.
Os escritos do João Silvino me cativam pela sua sinceridade. Longe de ser um intelectual preparado, ele manifesta sua criatividade de maneira arguta, sem qualquer meio mas. Sem complicações hermenêuticas, tampouco simploriedades levianas. E sem abdicar de uma cidadania vinculada a uma responsabilidade social que busca transformar promessas em realidades, dando o melhor de si em qualquer circunstância.
Eis as “recomendações” do Silvino para todos os eleitos:
1. Um princípio não deve ser nunca olvidado: "em toda democracia, as respostas são difíceis diante de uma demanda facilmente induzida". E numa sociedade brutalmente injusta como a nossa, muitas pessoas desejarão respostas imediatas para seus problemas, requerendo uma gerência competente nas conflitividades estabelecidas.
2. Manifestações legítimas podem ficar empanadas por exteriorizações anarcoesculhambativas de grupelhos que apenas desejam emporcalhar o exercício da Cidadania Brasileira e as representações eleitas, só para tirar proveitos futuros, quando, para tais marginais, o xilindró seria o destino mais apropriado. Inclusive para os que, criminosamente, destroem laranjais.
3. Caridade é bonita. Aproveitamento da miséria dos outros é coisa bem diferente de uma efetiva pedagogia cidadã. Denegrir iniciativas passadas, hoje copiadas sem a menor cerimônia, é prova cabal de cretinice para os mais conscientes.
4. Participando todos de um único cosmo, nele estão refletidas esperanças, conquistas e humilhações. O adesismo cínico é tão grotesco quanto ingenuamente imaginar que alguns episódios e personalidades estrovengas do passado não poderão retornar jamais.
5. Quem só possuir apenas uma visão "economicista" jamais acreditará nas potencialidades do Ser Humano como construtor de amanhãs. A reflexão do saudoso Celso Furtado é sempre relevante: “O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. Mas será que o triângulo é retângulo?”
6. Crítica política é uma coisa, chafurdices são outros quinhentos reais. Debates consistentes edificam a consolidação das cidadanias coletivas. Troca de desaforos ou entrevistas bem arrumadas nos meios de comunicação só engabelam os que ainda acreditam em Perna Cabeluda e Cumade Fulôzinha.
7. O Cristóvam Buarque, um pernambucano competente e de honorabilidade comprovada, sabe das coisas: "O caminho não está em repudiar o socialismo, ou ficar na crítica ao neoliberalismo. Mas em entender a dimensão da crise, perceber a realidade da luta de interesses e oferecer alternativas que incorporem as massas, sem perder o apoio das camadas que são assalariadas, mas que já participam do bem-estar do país moderno que é o Brasil".
8. Em qualquer circunstância, seguir o receituário de Lao-Tsé, reagindo inteligentemente mesmo diante dos tratamentos não inteligentes.
9. Durante o mandato exercido com dignidade, perceber, como Aldous Huxley, que “experiência não é aquilo que acontece com o homem; é o que o homem faz com aquilo que acontece com ele.”
10. E entender que a crise maior, nos últimos tempos, não é econômico-financeira. É uma crise de percepção, onde muitas das peças do xadrez político ainda não perceberam a existência de inúmeros pontos de um caminhar conjunto, para o fortalecimento do regime democrático através da ampliação da igualdade social.
No mais, disse João Silvino, é desejar sorte aos futuros eleitos, representantes legítimos de um brasileiríssimo processo gradativo de desoligarquização regional. Com o meio ambiente nunca sendo fingidamente utilizado como mecanismo eleitoreiro para anestesiamento dos tolos.
(Publicada, a partir de hoje, 08.10.2009, no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)
Nas comemorações havidas na Praça da Casa Forte, um lanche taludo aconteceu com o amigo João Silvino da Conceição, na manhã seguinte ao anúncio que alegrou milhões de brasileros e um montão de cariocas na praia de Copacabana. O João, que nunca foi de ficar de costas, sempre acompanhado de seus rabiscos em papel pautado, sua desolímpica sabedoria manifesta numa às vezes pouco sutil capacidade de enviar recados para gregos e troianos, independentemente dos saldos bancários, sobrenomes, níveis neuroniais ou neurológicos dos agraciados.
Sem a sua amada Dona Conceição, sete-arrobas morenas generosamente distribuídas e que muito bem nele satisfazem cabeça, tronco e membros há três décadas, aproveitou ele o lanche para me mostrar uns escritos reflexivos destinados aos futuros eleitos de todo Brasil. Sem a mínima preocupação de agradar siglas e gêneros. Nem os vereadores da PEC.
Os escritos do João Silvino me cativam pela sua sinceridade. Longe de ser um intelectual preparado, ele manifesta sua criatividade de maneira arguta, sem qualquer meio mas. Sem complicações hermenêuticas, tampouco simploriedades levianas. E sem abdicar de uma cidadania vinculada a uma responsabilidade social que busca transformar promessas em realidades, dando o melhor de si em qualquer circunstância.
Eis as “recomendações” do Silvino para todos os eleitos:
1. Um princípio não deve ser nunca olvidado: "em toda democracia, as respostas são difíceis diante de uma demanda facilmente induzida". E numa sociedade brutalmente injusta como a nossa, muitas pessoas desejarão respostas imediatas para seus problemas, requerendo uma gerência competente nas conflitividades estabelecidas.
2. Manifestações legítimas podem ficar empanadas por exteriorizações anarcoesculhambativas de grupelhos que apenas desejam emporcalhar o exercício da Cidadania Brasileira e as representações eleitas, só para tirar proveitos futuros, quando, para tais marginais, o xilindró seria o destino mais apropriado. Inclusive para os que, criminosamente, destroem laranjais.
3. Caridade é bonita. Aproveitamento da miséria dos outros é coisa bem diferente de uma efetiva pedagogia cidadã. Denegrir iniciativas passadas, hoje copiadas sem a menor cerimônia, é prova cabal de cretinice para os mais conscientes.
4. Participando todos de um único cosmo, nele estão refletidas esperanças, conquistas e humilhações. O adesismo cínico é tão grotesco quanto ingenuamente imaginar que alguns episódios e personalidades estrovengas do passado não poderão retornar jamais.
5. Quem só possuir apenas uma visão "economicista" jamais acreditará nas potencialidades do Ser Humano como construtor de amanhãs. A reflexão do saudoso Celso Furtado é sempre relevante: “O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. Mas será que o triângulo é retângulo?”
6. Crítica política é uma coisa, chafurdices são outros quinhentos reais. Debates consistentes edificam a consolidação das cidadanias coletivas. Troca de desaforos ou entrevistas bem arrumadas nos meios de comunicação só engabelam os que ainda acreditam em Perna Cabeluda e Cumade Fulôzinha.
7. O Cristóvam Buarque, um pernambucano competente e de honorabilidade comprovada, sabe das coisas: "O caminho não está em repudiar o socialismo, ou ficar na crítica ao neoliberalismo. Mas em entender a dimensão da crise, perceber a realidade da luta de interesses e oferecer alternativas que incorporem as massas, sem perder o apoio das camadas que são assalariadas, mas que já participam do bem-estar do país moderno que é o Brasil".
8. Em qualquer circunstância, seguir o receituário de Lao-Tsé, reagindo inteligentemente mesmo diante dos tratamentos não inteligentes.
9. Durante o mandato exercido com dignidade, perceber, como Aldous Huxley, que “experiência não é aquilo que acontece com o homem; é o que o homem faz com aquilo que acontece com ele.”
10. E entender que a crise maior, nos últimos tempos, não é econômico-financeira. É uma crise de percepção, onde muitas das peças do xadrez político ainda não perceberam a existência de inúmeros pontos de um caminhar conjunto, para o fortalecimento do regime democrático através da ampliação da igualdade social.
No mais, disse João Silvino, é desejar sorte aos futuros eleitos, representantes legítimos de um brasileiríssimo processo gradativo de desoligarquização regional. Com o meio ambiente nunca sendo fingidamente utilizado como mecanismo eleitoreiro para anestesiamento dos tolos.
(Publicada, a partir de hoje, 08.10.2009, no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)

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