Para os que não estão por dentro: para quem ensina até a quarta série, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina como formação mínima o curso normal de nível médio ou um superior com licenciatura. Da quinta ao ensino médio, a exigência é nível superior com licenciatura.
Coordenador de várias pesquisas educacionais relevantes, o professor João Batista de Oliveira ressalta que a área de formação de professores ainda não oferece uma evidência forte de nível qualificatório, havendo descompasso entre a capacitação exigida e o conteúdo que deveria ser transmitido aos alunos. Revela ainda que “incluídas no ano passado, filosofia e sociologia/estudos sociais têm apenas, respectivamente, 25% e 13% dos seus docentes graduados em Filosofia e Ciências Sociais.”
Uma estatística deprimente se pode constatar quando se manuseia os dados da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. Comparando 30 ocupações que exigem nível superior, as cinco de menor rendimento médio são todas relacionadas ao magistério. E os dados destacam: “o salário médio de um professor de ensino médio com nível superior no Brasil representa dois terços dos rendimentos médios de um enfermeiro diplomado, metade do rendimento médio de um jornalista e pouco mais de um quarto dos rendimentos médios de um médico”.
Segundo estudos feitos pela consultoria McKinsey, os países com melhor desempenho educacional são aqueles que selecionam os profissionais mais capacitados, sendo a remuneração um dos fatores positivamente influenciadores. No Brasil de agora, na situação salarial em que se encontra, os alunos dos cursos de formação de professores são os mais pobres, de famílias menos escolarizadas e os que mais estudaram na rede pública.
Na área de matemática, física, química e biologia, as mais precárias, a situação requer medidas emergenciais, posto que não há vocação que resista às baixas remunerações. O MEC deverá estar enviando, nos próximos dias, um projeto de lei ao Congresso Nacional tornando obrigatória a formação universitária de todos os professores de ensino fundamental, criando 310 mil vagas em universidades públicas de 21 Estados brasileiros. O que requererá um planejamento estratégico de muito bom calibre técnico-operacional.
Ousaria propor aos formatadores do planejamento estratégico do MEC, certamente bem dotados de responsabilidade social e bagagem em Filosofia da Educação, a leitura de dois livros que poderiam ampliar um ver-as-coisas mais realisticamente. O primeiro, Filosofia da Tecnologia, de Val Dusek, Loyola, certamente orientará todos os estrategistas sobre as questões que são levantadas diante de um desenvolvimento tecnológico de crescimento exponencial. Ressalto a importância da leitura de alguns capítulos – 1. Filosofia da ciência e tecnologia, 3. A tecnocracia, 6. O determinismo tecnológico, e 12. O construcionismo social e a teoria da rede de atores.
Com a intensificação das preocupações com os efeitos colaterais do desenvolvimento tecnológico, degradação ambiental sendo um deles, foi fundada, em 1976, a Sociedade para a Filosofia da Tecnologia, cujo objetivo primordial é analisar as interconexões existentes entre a evolução da tecnológia e o desenvovimento analítico das Ciências Humanas.
O segundo livro é a edição de um manuscrito do sociólogo Álvaro Vieira Pinto, um dos fundadores do ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Intitula-se A Sociologia dos Países Subdesenvolvidos, Contraponto, 2008. Méritos para o “achador” do escrito, pesquisador José Ernesto de Fáveri, um paulofreirista de carteirinha. No livro, Álvaro Vieire Pinto destaca a “deformação semântica”, “os processos que interferem na comunicação para ocultar a percepção do real”, “os obstáculos para se reaprender a enxergar de forma muito mais profunda a nossa condição atual e o nosso futuro”. Que não deverá depender de qualquer Copa do Mundo.
(Publicada hoje no Jornal do Commercio, 26.08.2009, Recife-Pernambuco)
Coordenador de várias pesquisas educacionais relevantes, o professor João Batista de Oliveira ressalta que a área de formação de professores ainda não oferece uma evidência forte de nível qualificatório, havendo descompasso entre a capacitação exigida e o conteúdo que deveria ser transmitido aos alunos. Revela ainda que “incluídas no ano passado, filosofia e sociologia/estudos sociais têm apenas, respectivamente, 25% e 13% dos seus docentes graduados em Filosofia e Ciências Sociais.”
Uma estatística deprimente se pode constatar quando se manuseia os dados da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. Comparando 30 ocupações que exigem nível superior, as cinco de menor rendimento médio são todas relacionadas ao magistério. E os dados destacam: “o salário médio de um professor de ensino médio com nível superior no Brasil representa dois terços dos rendimentos médios de um enfermeiro diplomado, metade do rendimento médio de um jornalista e pouco mais de um quarto dos rendimentos médios de um médico”.
Segundo estudos feitos pela consultoria McKinsey, os países com melhor desempenho educacional são aqueles que selecionam os profissionais mais capacitados, sendo a remuneração um dos fatores positivamente influenciadores. No Brasil de agora, na situação salarial em que se encontra, os alunos dos cursos de formação de professores são os mais pobres, de famílias menos escolarizadas e os que mais estudaram na rede pública.
Na área de matemática, física, química e biologia, as mais precárias, a situação requer medidas emergenciais, posto que não há vocação que resista às baixas remunerações. O MEC deverá estar enviando, nos próximos dias, um projeto de lei ao Congresso Nacional tornando obrigatória a formação universitária de todos os professores de ensino fundamental, criando 310 mil vagas em universidades públicas de 21 Estados brasileiros. O que requererá um planejamento estratégico de muito bom calibre técnico-operacional.
Ousaria propor aos formatadores do planejamento estratégico do MEC, certamente bem dotados de responsabilidade social e bagagem em Filosofia da Educação, a leitura de dois livros que poderiam ampliar um ver-as-coisas mais realisticamente. O primeiro, Filosofia da Tecnologia, de Val Dusek, Loyola, certamente orientará todos os estrategistas sobre as questões que são levantadas diante de um desenvolvimento tecnológico de crescimento exponencial. Ressalto a importância da leitura de alguns capítulos – 1. Filosofia da ciência e tecnologia, 3. A tecnocracia, 6. O determinismo tecnológico, e 12. O construcionismo social e a teoria da rede de atores.
Com a intensificação das preocupações com os efeitos colaterais do desenvolvimento tecnológico, degradação ambiental sendo um deles, foi fundada, em 1976, a Sociedade para a Filosofia da Tecnologia, cujo objetivo primordial é analisar as interconexões existentes entre a evolução da tecnológia e o desenvovimento analítico das Ciências Humanas.
O segundo livro é a edição de um manuscrito do sociólogo Álvaro Vieira Pinto, um dos fundadores do ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Intitula-se A Sociologia dos Países Subdesenvolvidos, Contraponto, 2008. Méritos para o “achador” do escrito, pesquisador José Ernesto de Fáveri, um paulofreirista de carteirinha. No livro, Álvaro Vieire Pinto destaca a “deformação semântica”, “os processos que interferem na comunicação para ocultar a percepção do real”, “os obstáculos para se reaprender a enxergar de forma muito mais profunda a nossa condição atual e o nosso futuro”. Que não deverá depender de qualquer Copa do Mundo.
(Publicada hoje no Jornal do Commercio, 26.08.2009, Recife-Pernambuco)

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