No Centro de Convergências Humanas, um espaço de ampliação da espiritualidade transreligiosa situado bem pertinho de onde moro, deparo-me com o João Silvino da Conceição todo serelepe, mais contente que mosca em bosta novinha de vaca. Acompanhado da Zulmirinha, morenona de cabelo bem espichado, irmã mais nova da Dona Conceição sua mulher, seios ainda em posição de sentido, apesar dos quatro sugadores bem nascidos, hoje duas parelhas de nordestino de fazer gosto aos xibius mais exigentes da região. Ele sobraçava uma ruma de papel almaço mais ou menos em ordem numérica.
Depois dos abraços, sorrisos de sempre e as notícias sobre a recuperação da Melba, o Alzheimer da Dona Lu e o andamento do resto da tropa, perguntei ao João sobre o conteúdo daquela papelada, segundo ele atualmente em fase de ajeitamento final para envio a uma editora de nomeada, situada nos arredores do seu bairro.
Baseado numa confiança recíproca de muitos anos, dei uma espiadinha em algumas daquelas folhas, entusiasmando-me com o conteúdo variado dos temas. Os apontamentos estavam em ordem numérica. Consegui memorizar alguns daquela centena:
11. Deputadização – esculhambação oriunda da Câmara dos Deputados que contamina o Senado Federal, num amplo convênio-canalha de ajuda mútua entre duas áreas velhacas, a dinossáurica, oriunda da velha República, ainda sobrevivendo graças aos alheamentos políticos dos grotões rurais, e a lulocrática, mais jovem etariamente, embora especializada em trambiques, disfarces e cinismos de alta qualificação alcaponeana. O número de funcionários do Congresso Nacional enxovalha qualquer princípio democrático, enlameia o conceito de civilização tropical, nivela todos nós, inclusive o presidente Lula e seus auxiliares, nas equivalências do que existe de mais fétido no mundo subdesenvolvido.
23. Secreta – um pau-mandado de quinta categoria, xeleléu de senadora travestida de primeira dama de estado em generalizada decrepidez pública, recebendo um salário do Senado Federal que afronta a dignidade de um oficial de superior patente das Forças Armadas Brasileiras.
39. Estádios de futebol – porta de entrada de rios de dinheiro para a construção de um sem-número de praças de esporte, com o interesse primaz de engabelar os abestados de sempre, relegando para os baús do esquecimento as gigantescas necessidades de educação básica, saúde, saneamento e segurança pública para o todo nacional. O ministro do Esporte disse que “o governo federal não irá desembolsar R$1 para arenas e que comete engano quem pensa que Mundial de 2014 irá resolver todos os problemas das 12 cidades-sedes”. Pode não resolver todos os problemas, mas alguns “problemas pessoais” certamente ficarão muito bem solucionados...
84. Afastamento de desembargador – Aplausos para o Conselho Nacional de Justiça, que afastou, por trambicagens múltiplas, o desembargador Jovaldo dos Santos, do TJ do Amazonas, que de santo não tinha bulhufas. Ele foi denunciado por uma mulher de muita coragem, a advogada paulista Alessandra Camargo Ferraz, e responderá inquérito por fraude na distribuição de processos, retardo ou apressamento de processos, favorecimento de amigos e emissão de sentenças calamitosas. Espera-se o defenestramento definitivo do pretenso magistrado, dando-lhe o CEP da cadeia local.
91. Descaramento - O presidente Lula, defendendo José Sarney, protegendo o desmatamento amazônico, cinicamente aplaudindo o autoritarismo aiatolático do Irã e dedurando de “denuncismo” a imprensa brasileira, ou está a carecer de cuidados médicos ou sempre foi um “deixa que eu chuto, o resto que se dane” de excelente intuição sobrevivencial na bandidagem política pátria.
98. Cópias - O discurso do senador Pedro Simon para os que ainda possuem vergonha na cara. O Senado bastante carcomido tem as suas exceções. As que evitam sua depredação.
Perguntei ao Silvino: - E por que este semblante de felicidade, mano velho?
A resposta me satisfez plenamente: - Porque antigamente a bandidagem existia e ninguém podia denunciar, pois a imprensa estava amordaçada. Hoje, nem que queira e a vaca tussa, o presidente Lula poderá silenciar os que desejam um Brasil menos enxovalhado para os nossos filhos e netos. Estamos vivenciando uma evolução cidadanizadora. Entrando finalmente numa Democracia.
Abracei o João Silvino, disfarçando a emoção que rolava bochechas abaixo.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)
Depois dos abraços, sorrisos de sempre e as notícias sobre a recuperação da Melba, o Alzheimer da Dona Lu e o andamento do resto da tropa, perguntei ao João sobre o conteúdo daquela papelada, segundo ele atualmente em fase de ajeitamento final para envio a uma editora de nomeada, situada nos arredores do seu bairro.
Baseado numa confiança recíproca de muitos anos, dei uma espiadinha em algumas daquelas folhas, entusiasmando-me com o conteúdo variado dos temas. Os apontamentos estavam em ordem numérica. Consegui memorizar alguns daquela centena:
11. Deputadização – esculhambação oriunda da Câmara dos Deputados que contamina o Senado Federal, num amplo convênio-canalha de ajuda mútua entre duas áreas velhacas, a dinossáurica, oriunda da velha República, ainda sobrevivendo graças aos alheamentos políticos dos grotões rurais, e a lulocrática, mais jovem etariamente, embora especializada em trambiques, disfarces e cinismos de alta qualificação alcaponeana. O número de funcionários do Congresso Nacional enxovalha qualquer princípio democrático, enlameia o conceito de civilização tropical, nivela todos nós, inclusive o presidente Lula e seus auxiliares, nas equivalências do que existe de mais fétido no mundo subdesenvolvido.
23. Secreta – um pau-mandado de quinta categoria, xeleléu de senadora travestida de primeira dama de estado em generalizada decrepidez pública, recebendo um salário do Senado Federal que afronta a dignidade de um oficial de superior patente das Forças Armadas Brasileiras.
39. Estádios de futebol – porta de entrada de rios de dinheiro para a construção de um sem-número de praças de esporte, com o interesse primaz de engabelar os abestados de sempre, relegando para os baús do esquecimento as gigantescas necessidades de educação básica, saúde, saneamento e segurança pública para o todo nacional. O ministro do Esporte disse que “o governo federal não irá desembolsar R$1 para arenas e que comete engano quem pensa que Mundial de 2014 irá resolver todos os problemas das 12 cidades-sedes”. Pode não resolver todos os problemas, mas alguns “problemas pessoais” certamente ficarão muito bem solucionados...
84. Afastamento de desembargador – Aplausos para o Conselho Nacional de Justiça, que afastou, por trambicagens múltiplas, o desembargador Jovaldo dos Santos, do TJ do Amazonas, que de santo não tinha bulhufas. Ele foi denunciado por uma mulher de muita coragem, a advogada paulista Alessandra Camargo Ferraz, e responderá inquérito por fraude na distribuição de processos, retardo ou apressamento de processos, favorecimento de amigos e emissão de sentenças calamitosas. Espera-se o defenestramento definitivo do pretenso magistrado, dando-lhe o CEP da cadeia local.
91. Descaramento - O presidente Lula, defendendo José Sarney, protegendo o desmatamento amazônico, cinicamente aplaudindo o autoritarismo aiatolático do Irã e dedurando de “denuncismo” a imprensa brasileira, ou está a carecer de cuidados médicos ou sempre foi um “deixa que eu chuto, o resto que se dane” de excelente intuição sobrevivencial na bandidagem política pátria.
98. Cópias - O discurso do senador Pedro Simon para os que ainda possuem vergonha na cara. O Senado bastante carcomido tem as suas exceções. As que evitam sua depredação.
Perguntei ao Silvino: - E por que este semblante de felicidade, mano velho?
A resposta me satisfez plenamente: - Porque antigamente a bandidagem existia e ninguém podia denunciar, pois a imprensa estava amordaçada. Hoje, nem que queira e a vaca tussa, o presidente Lula poderá silenciar os que desejam um Brasil menos enxovalhado para os nossos filhos e netos. Estamos vivenciando uma evolução cidadanizadora. Entrando finalmente numa Democracia.
Abracei o João Silvino, disfarçando a emoção que rolava bochechas abaixo.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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