Num dos seus livros, O Código da Inteligência, editoras Ediouro e Thomas Nelson, o psiquiatra Augusto Cury enumera as quatro armadilhas da mente, embora ressaltando que “não há ser humano lúcido que não reaja com estupidez e nem outro tranquilo que não tenha seus momentos de desespero”. São elas: o conformismo, o coitadismo, o medo de reconhecer os erros e o medo de correr riscos. Segundo Cury, tais armadilhas impedem o desenvolvimento da excelência psíquica, afetiva, social e profissional do ser humano, impedindo-o de utilizar mais dinamicamente os seus talentos.
Também há o sentido inverso. Tem muitos que imaginam que são perfeitos os seus pensamentos. Pontificam sobre o derredor com um olhar todo majestático, tal e qual o daqueles esquerdeiros que nos anos da ditadura costumavam apregoar bravatas mil em mesas de bar, arrotando palavras de ordem e repetindo frases dos cobrões revolucionários de antigamente, muito embora não dispensassem um legítimo escocês e o melhor nos seus aconchegos residenciais. Muitos, hoje, estão com os rabinhos entre as pernas, acocorados num carguinho de confiança do tipo fique-quieto-só-aplaudindo, sem mais a bravura daquele guerreiro cubano, de trucidamento até hoje não muito esclarecido. E que não estão indignados diante das múltiplas bandalheiras do Senado, tampouco enojados vendo a troca de sorrisos nada formais entre Lula e aquele que foi defenestrado por milhões de caras pintadas. Militantes de uma UNE agora gordamente subvencionada para só bater palmas e dizer amém.
Outro dia, entretanto, uma reportagem de página inteira de um jornal paulista mandou meu desânimo pra merda, revigorando esperanças interiores. A reportagem entrevistava Cláudia Maximino, uma bonitona de 47 anos, administradora de empresa, pós-graduada em Recursos Humanos, capacitadora de empresas aéreas, que mora sozinha, não tem papas na língua, é presidente de uma ONG isenta de maracutaias e ainda reserva tempo para ser síndica no edifício onde mora, um bloco de 24 apartamentos. E que possui as pernas e um braço amputados, vítima que foi da Talidomida, aquele remédio que provocou deformações na formação fetal de milhares.
Sua entrevista, sem abobalhamentos pieguistas, revitaliza qualquer um. Aos oito meses teve seus pés amputados, pois tinha nascido com eles grudados em suas coxas. Foi interna na AACD dos dois aos doze anos, pois a mãe precisava trabalhar para manter a casa. E “foi na AACD que aprendi a cair e a levantar, a colocar roupas, a comer”, aos sete anos principiando a sentir o peso da discriminação por ser uma criança diferente. Certa feita, na adolescência, um meninote disse que ela era bonitinha, mas não tinha pernas, levando uma resposta desmontadora: - E você, babaca, que não tem cabeça?
Em 1991, Cláudia Maximino resolveu usar os seus conhecimentos para lutar pelos direitos das vítimas da talidomida. Através de um anúncio de jornal reuniu uma dezena de vítimas e fundou, com os incentivos do então governador Mário Covas, de São Paulo, a Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida, da qual é a presidente.
A Cláudia não é uma coitadinha, sob hipótese alguma. Vaidosa, gosta de sair com os amigos, navegar na Internet, ter suas paqueras, ainda dispondo de tempo para ser militante na luta pela defesa dos animais abandonados. Uma declaração sua amplia a tesão existencial de qualquer um: “Eu não me vejo como deficiente. Faço mais que muitas pessoas que têm dois braços e duas pernas. O que manda é a cabeça da gente, a força de vontade. E isso eu tenho de sobra”.
Os alertas são dados pelo Augusto Cury, do livro citado: “Quando somos abandonados pela sociedade, a solidão é superável, mas quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase insuportável” ... “Sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalho, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventuras, uma existência sem sentidos” ... “Ninguém é digno de oásis se não aprender a atravessar seus desertos” ... “A vida é uma grande universidade, mas pouco ensina para quem não aprende a aprender”.
A Cláudia Maximino deveria assim definir-se em seu Curriculum Vitae: Pós-graduada em Recursos Humanos, especialista em Revigoramento Existencial. Braba sem perder a ternura jamais e competente na área da multifuncionalidade. Sempre a viver com a mente e os olhos voltados para os amanhãs.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)
Também há o sentido inverso. Tem muitos que imaginam que são perfeitos os seus pensamentos. Pontificam sobre o derredor com um olhar todo majestático, tal e qual o daqueles esquerdeiros que nos anos da ditadura costumavam apregoar bravatas mil em mesas de bar, arrotando palavras de ordem e repetindo frases dos cobrões revolucionários de antigamente, muito embora não dispensassem um legítimo escocês e o melhor nos seus aconchegos residenciais. Muitos, hoje, estão com os rabinhos entre as pernas, acocorados num carguinho de confiança do tipo fique-quieto-só-aplaudindo, sem mais a bravura daquele guerreiro cubano, de trucidamento até hoje não muito esclarecido. E que não estão indignados diante das múltiplas bandalheiras do Senado, tampouco enojados vendo a troca de sorrisos nada formais entre Lula e aquele que foi defenestrado por milhões de caras pintadas. Militantes de uma UNE agora gordamente subvencionada para só bater palmas e dizer amém.
Outro dia, entretanto, uma reportagem de página inteira de um jornal paulista mandou meu desânimo pra merda, revigorando esperanças interiores. A reportagem entrevistava Cláudia Maximino, uma bonitona de 47 anos, administradora de empresa, pós-graduada em Recursos Humanos, capacitadora de empresas aéreas, que mora sozinha, não tem papas na língua, é presidente de uma ONG isenta de maracutaias e ainda reserva tempo para ser síndica no edifício onde mora, um bloco de 24 apartamentos. E que possui as pernas e um braço amputados, vítima que foi da Talidomida, aquele remédio que provocou deformações na formação fetal de milhares.
Sua entrevista, sem abobalhamentos pieguistas, revitaliza qualquer um. Aos oito meses teve seus pés amputados, pois tinha nascido com eles grudados em suas coxas. Foi interna na AACD dos dois aos doze anos, pois a mãe precisava trabalhar para manter a casa. E “foi na AACD que aprendi a cair e a levantar, a colocar roupas, a comer”, aos sete anos principiando a sentir o peso da discriminação por ser uma criança diferente. Certa feita, na adolescência, um meninote disse que ela era bonitinha, mas não tinha pernas, levando uma resposta desmontadora: - E você, babaca, que não tem cabeça?
Em 1991, Cláudia Maximino resolveu usar os seus conhecimentos para lutar pelos direitos das vítimas da talidomida. Através de um anúncio de jornal reuniu uma dezena de vítimas e fundou, com os incentivos do então governador Mário Covas, de São Paulo, a Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida, da qual é a presidente.
A Cláudia não é uma coitadinha, sob hipótese alguma. Vaidosa, gosta de sair com os amigos, navegar na Internet, ter suas paqueras, ainda dispondo de tempo para ser militante na luta pela defesa dos animais abandonados. Uma declaração sua amplia a tesão existencial de qualquer um: “Eu não me vejo como deficiente. Faço mais que muitas pessoas que têm dois braços e duas pernas. O que manda é a cabeça da gente, a força de vontade. E isso eu tenho de sobra”.
Os alertas são dados pelo Augusto Cury, do livro citado: “Quando somos abandonados pela sociedade, a solidão é superável, mas quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase insuportável” ... “Sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalho, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventuras, uma existência sem sentidos” ... “Ninguém é digno de oásis se não aprender a atravessar seus desertos” ... “A vida é uma grande universidade, mas pouco ensina para quem não aprende a aprender”.
A Cláudia Maximino deveria assim definir-se em seu Curriculum Vitae: Pós-graduada em Recursos Humanos, especialista em Revigoramento Existencial. Braba sem perder a ternura jamais e competente na área da multifuncionalidade. Sempre a viver com a mente e os olhos voltados para os amanhãs.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

Um comentário:
nossa, fiquei emocionada de saber a quanta gente indiretamente faço o bem!!! muito obrigada FERNANDO.
UM BEIJO CARINHOSO
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