Creio firmemente que o Cristianismo atual está profundamente em débito com o mundo contemporâneo. Diante das habilidosas estratégias políticas do imperador Constantino, século IV, tornando o Cristianismo religião oficial de Estado, o que nos resta, hoje, do Cristianismo Nazareno? Ou, em outras palavras, será que o Cristianismo que se nos apresentam hoje sob inúmeras vertentes é a palavra original e o exemplo de vida verdadeiro de Jesus? Por que a Igreja, em suas múltiplas e nada convergentes ramificações, não se propõe a consolidar para o mundo cristão, após um Concílio Ecumênico Especial, as pilastras essenciais do Cristianismo, reduzindo ao mínimo possível as divergências inter e intra-denominacionais? Por que os denominados Evangelhos Apócrifos e Pseudo-epígrafos da Bíblia ainda são acanhadamente analisados, vistos sob suspeitas, tomados como quase-eréticos? Por que persiste a covardia histórica de não confessar a exclusão do feminismo na origem do cristianismo primitivo, mormente com Madalena e as suas outras companheiras de caminhada nazarena? Por que, em relação ao Anglicanismo, as idéias do bispo John Shelby Spong não são debatidas com a sinceridade que elas merecem? Será que as idéias do bispo aposentado de Newark, EEUU, poderiam fragmentar ainda mais o já estilhaçado Anglicanismo planetário? Por que, na Europa contemporânea, multiplicam-se os adeptos de um movimento chamado Com Jesus, Sem Igreja, ampliando a espiritualidade de milhões, embora distanciando-os das burocracias denominacionais? Por que não se divulga mais intensamente o Evangelho Q (Quelle), cuja extraordinária reconstrução acadêmica do texto grego ficou sob a supervisão do prof. James M. Robinson, do Instituto de Antiguidade e Cristianismo de Claremont, Califórnia, USA?
Sobre o Evangelho Q, uma reflexão do prof. James D. Tabor (A Dinastia de Jesus: a história secreta das origens do cristianismo, Ediouro 2006) merece atenção redobrada: “A fonte Q nos leva de volta aos ensinamentos originais de Jesus, sem muito do arcabouço teológico acrescentado posteriormente pelos evangelhos”. Segundo Jomar F. P. Filho, A Identidade Secreta de Maria Madalena, editora Isis, 2009, “O Jesus de Q é um Mestre preocupado com seu povo, com os pobres e desvalidos, leprosos, cegos, aleijados, endemoniados, prostitutas, funcionários públicos, estrangeiros, tudo que a elite religiosa judaica considerava impuro”. Diferente do Jesus dos evangelhos sinópticos (miraculoso), do Jesus de João (um deus preexistente) e do Jesus de Paulo (que não O conheceu pessoalmente), o Jesus de Q é um ser divino que vive com os pés no chão, no dia-a-dia. Um reformador, um pregador incansável de um mundo novo baseado no amor e na justiça, anunciando um Reino de Deus que se encontra dentro de cada um. Uma confirmação feita pelo Próprio em Lucas 17,21.
Seria excelente que o papa Bento XVI tivesse se lembrado de alertar as autoridades judaicas sobre a necessidade de serem concluídos os trabalhos sobre os Manuscritos do Mar Morto, iniciados em 1953 e inconclusos até o momento presente, tendo sido publicado menos de trinta por cento. Em 1977, o Dr. Geza Vermes, em um dos seus livros, previu que se poderia estar diante do maior escândalo acadêmico do século XX, dada a manipulação que a equipe encarregada dos Manuscritos estava efetivando como se o levantamento fosse propriedade exclusiva de um determinado grupo religioso.
É preciso sarar bem a terra, hoje, com a volta original da Mensagem do Homão da Galiléia, para que os que reconhecerem sejam reconhecidos. Caso contrário, se os cegos forem guiados por outros cegos, todos cairão no abismo. Lições extraídas do Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo.
Na terra sarada, livre das peias inquisitoriais e dos enxertos introduzidos pelos dominadores, que o sagrado feminino seja restaurado, eliminando-se as tensões e contradições entre a mensagem original do Homão da Galiléia e as doutrinas elaboradas pelos dominadores a partir do século IV. Como alertou Robert Funk, diretor do Seminário de Jesus, Califórnia: “Já nos saturamos da perseguição contra judeus e bruxas; da justificação da escravidão de negros; da repressão contra as mulheres, o sexo e a sexualidade; e da defesa intransigente de um clérigo masculino dominante e que se autopromove. ... Não podemos, não devemos recuar diante do compromisso com a ignorância e má interpretação que alimenta tão absurdo mau uso das Escrituras”.
O puxão de orelha final cabe ao Pe. José Comblin, um belga nordestinado, paraibano por cidadania conquistada: “A própria Igreja parece paralisada, não sabendo o que fazer. Publica documentos mais ou menos inofensivos que mutiplicam advertências, mas que quase ninguém lê”.
Não basta levantar bracinhos e ficar de olhinhos revirados, o corpo se tremelicando todo. Saibamos ser, antes de ter. Jamais assistindo passivamente a transformação da Igreja numa grande multinacional midiática para tolos, de sedutores trejeitos arrecadadores para os desatentos de todos os quadrantes.
Sobre o Evangelho Q, uma reflexão do prof. James D. Tabor (A Dinastia de Jesus: a história secreta das origens do cristianismo, Ediouro 2006) merece atenção redobrada: “A fonte Q nos leva de volta aos ensinamentos originais de Jesus, sem muito do arcabouço teológico acrescentado posteriormente pelos evangelhos”. Segundo Jomar F. P. Filho, A Identidade Secreta de Maria Madalena, editora Isis, 2009, “O Jesus de Q é um Mestre preocupado com seu povo, com os pobres e desvalidos, leprosos, cegos, aleijados, endemoniados, prostitutas, funcionários públicos, estrangeiros, tudo que a elite religiosa judaica considerava impuro”. Diferente do Jesus dos evangelhos sinópticos (miraculoso), do Jesus de João (um deus preexistente) e do Jesus de Paulo (que não O conheceu pessoalmente), o Jesus de Q é um ser divino que vive com os pés no chão, no dia-a-dia. Um reformador, um pregador incansável de um mundo novo baseado no amor e na justiça, anunciando um Reino de Deus que se encontra dentro de cada um. Uma confirmação feita pelo Próprio em Lucas 17,21.
Seria excelente que o papa Bento XVI tivesse se lembrado de alertar as autoridades judaicas sobre a necessidade de serem concluídos os trabalhos sobre os Manuscritos do Mar Morto, iniciados em 1953 e inconclusos até o momento presente, tendo sido publicado menos de trinta por cento. Em 1977, o Dr. Geza Vermes, em um dos seus livros, previu que se poderia estar diante do maior escândalo acadêmico do século XX, dada a manipulação que a equipe encarregada dos Manuscritos estava efetivando como se o levantamento fosse propriedade exclusiva de um determinado grupo religioso.
É preciso sarar bem a terra, hoje, com a volta original da Mensagem do Homão da Galiléia, para que os que reconhecerem sejam reconhecidos. Caso contrário, se os cegos forem guiados por outros cegos, todos cairão no abismo. Lições extraídas do Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo.
Na terra sarada, livre das peias inquisitoriais e dos enxertos introduzidos pelos dominadores, que o sagrado feminino seja restaurado, eliminando-se as tensões e contradições entre a mensagem original do Homão da Galiléia e as doutrinas elaboradas pelos dominadores a partir do século IV. Como alertou Robert Funk, diretor do Seminário de Jesus, Califórnia: “Já nos saturamos da perseguição contra judeus e bruxas; da justificação da escravidão de negros; da repressão contra as mulheres, o sexo e a sexualidade; e da defesa intransigente de um clérigo masculino dominante e que se autopromove. ... Não podemos, não devemos recuar diante do compromisso com a ignorância e má interpretação que alimenta tão absurdo mau uso das Escrituras”.
O puxão de orelha final cabe ao Pe. José Comblin, um belga nordestinado, paraibano por cidadania conquistada: “A própria Igreja parece paralisada, não sabendo o que fazer. Publica documentos mais ou menos inofensivos que mutiplicam advertências, mas que quase ninguém lê”.
Não basta levantar bracinhos e ficar de olhinhos revirados, o corpo se tremelicando todo. Saibamos ser, antes de ter. Jamais assistindo passivamente a transformação da Igreja numa grande multinacional midiática para tolos, de sedutores trejeitos arrecadadores para os desatentos de todos os quadrantes.

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