Na última semana de abril último, participei do Concílio Diocesano da DARJ - Diocese Anglicana do Rio de Janeiro. Por deferência fraternal de Dom Filadelfo Oliveira Neto, bispo diocesano da Cidade Maravilhosa, também participei de um Encontro sobre Meditação, acontecido no Mosteiro de São Bento, dois dias, as reflexões sendo efetivadas por Dom Luiz Prado, Reitor do SETEK - Seminário Anglicano de Porto Alegre, Bispo Emérito da Igreja Anglicana. Exposições que se tornaram para mim um bálsamo restaurador, fortificando meu Anglicanismo radicalmente ecumênico e me tornando mais próximo daquele Reitor, uma personalidade dotada de conhecimentos sem fingimentos, nem faniquitismos.
Durante suas falas, Dom Prado citou várias vezes um livro, distribuindo cópias xerográficas de alguns dos seus parágrafos. O livro chama-se CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA, de Richard Foster, teólogo e professor da Friends University e pastor da Evangelical Friends Church, também fundador da RENOVARE, uma organização cristã voltada para a renovação da Igreja.
Confesso que os pequenos trechos do livro me provocaram uma intensa curiosidade. Falar em Espiritualidade, na minha atual faixa etária de caminhante ainda aprendiz de tudo, não me seduz na grande maioria das vezes. E a razão é muito simples: da bibliografia existentes sobre o assunto, a grande maioria dela se encontra eivada de bobajadas sentimentalóides, “ovelhísticas”, sem criatividades nem ousadias evangelizadoras “cabríticas”, do tipo daquelas que promovem profundas reenergizações interiores, capazes de remover montanhas políticas, sociais e religiosas de um mundo que se encontra ameaçado por todos os lados. Conforme alerta feito no próprio prefácio do livro de Richard Foster, editado desde 1978 pelo mundo afora, no Brasil já em segunda edição pela Editora Vida, comemorando o aniversário de 30 anos da edição primeira: “Os maiores problemas de nossa época não são tecnológicos, pois lidamos consideravelmente bem com eles. Tampouco políticos ou econômicos, porque as dificuldades nessas áreas, embora evidentes, em larga medida são problemas de segunda ordem. Os maiores problemas são morais e espirituais e, a menos que consigamos progredir nesses setores, talvez nem mesmo consigamos sobreviver. Foi por isso que as culturas avançadas do passado entraram em decadência”. E o prefaciador ressalta que o propósito do livro “não é ser sectário, mas genuinamente ecumênico”.
Há mais de dez dias estou debruçado sobre as linhas de CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA, de Richard Foster, sempre agradecendo ao Homão da Galiléia um dia ter conhecido fraternalmente Dom Luiz Prado, num papo-construção que aconteceu das nove da noite até as cinco da madrugada, regado a leite maltado e refrigerantes diets, alguns sanduíches e absoluta liberdade de falar e ouvir. Do livro, em breve, ousarei fazer uma resenha, submetendo-a a alguns irmãos bispos anglicanos. Do quilate dos que estavam comigo naquela madrugada, num papo evangelizador por excelência, ninguém desejando ser mais que ninguém, abjurados os eruditismos “metidos a cavalo do cão”, saborosa expressão do meu Nordeste sofrido, mas altaneiro, a la Graciliano Ramos e Frei Caneca. Eu sendo o mais raquítico em termos neuroniais.
O livro CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA tem a seguinte estrutura:
Introdução – As disciplinas espirituais: porta de entrada para a liberdade.
Parte I – As disciplinas interiores: meditação, oração, jejum e estudo.
Parte II – As disciplinas exteriores: simplicidade, solitude, submissão e serviço.
Parte III – As disciplinas comunitárias: confissão, adoração, orientação e celebração.
A leitura do livro é por demais oportuna. Até para respaldar “as transformação de uma consciência de si que se torna mais forte do que a consciência das regras, das normas, bem como das exigências dos sistemas dentro dos quais vivemos e agimos, obrigando-nos a trazer à memória uma idéia que tão freqüentemente foi esquecida e mesmo violentamente rejeitada por muitos: a idéia de sujeito, isto é, do indivíduo reconhecido como criador dele mesmo”, reproduzindo, aqui, o pensar do sociólogo Alain Touraine, exposto em seu livro Pensar Outramente, Vozes, 2009.
PS. Para o meu irmão Rev. Edmar Pimentel, agora feliz na Diocese de Santa Maria, Rio Grande do Sul, sob a batuta de Dom Jubal Neves, que muito amamos fraternalmente.
Durante suas falas, Dom Prado citou várias vezes um livro, distribuindo cópias xerográficas de alguns dos seus parágrafos. O livro chama-se CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA, de Richard Foster, teólogo e professor da Friends University e pastor da Evangelical Friends Church, também fundador da RENOVARE, uma organização cristã voltada para a renovação da Igreja.
Confesso que os pequenos trechos do livro me provocaram uma intensa curiosidade. Falar em Espiritualidade, na minha atual faixa etária de caminhante ainda aprendiz de tudo, não me seduz na grande maioria das vezes. E a razão é muito simples: da bibliografia existentes sobre o assunto, a grande maioria dela se encontra eivada de bobajadas sentimentalóides, “ovelhísticas”, sem criatividades nem ousadias evangelizadoras “cabríticas”, do tipo daquelas que promovem profundas reenergizações interiores, capazes de remover montanhas políticas, sociais e religiosas de um mundo que se encontra ameaçado por todos os lados. Conforme alerta feito no próprio prefácio do livro de Richard Foster, editado desde 1978 pelo mundo afora, no Brasil já em segunda edição pela Editora Vida, comemorando o aniversário de 30 anos da edição primeira: “Os maiores problemas de nossa época não são tecnológicos, pois lidamos consideravelmente bem com eles. Tampouco políticos ou econômicos, porque as dificuldades nessas áreas, embora evidentes, em larga medida são problemas de segunda ordem. Os maiores problemas são morais e espirituais e, a menos que consigamos progredir nesses setores, talvez nem mesmo consigamos sobreviver. Foi por isso que as culturas avançadas do passado entraram em decadência”. E o prefaciador ressalta que o propósito do livro “não é ser sectário, mas genuinamente ecumênico”.
Há mais de dez dias estou debruçado sobre as linhas de CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA, de Richard Foster, sempre agradecendo ao Homão da Galiléia um dia ter conhecido fraternalmente Dom Luiz Prado, num papo-construção que aconteceu das nove da noite até as cinco da madrugada, regado a leite maltado e refrigerantes diets, alguns sanduíches e absoluta liberdade de falar e ouvir. Do livro, em breve, ousarei fazer uma resenha, submetendo-a a alguns irmãos bispos anglicanos. Do quilate dos que estavam comigo naquela madrugada, num papo evangelizador por excelência, ninguém desejando ser mais que ninguém, abjurados os eruditismos “metidos a cavalo do cão”, saborosa expressão do meu Nordeste sofrido, mas altaneiro, a la Graciliano Ramos e Frei Caneca. Eu sendo o mais raquítico em termos neuroniais.
O livro CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA tem a seguinte estrutura:
Introdução – As disciplinas espirituais: porta de entrada para a liberdade.
Parte I – As disciplinas interiores: meditação, oração, jejum e estudo.
Parte II – As disciplinas exteriores: simplicidade, solitude, submissão e serviço.
Parte III – As disciplinas comunitárias: confissão, adoração, orientação e celebração.
A leitura do livro é por demais oportuna. Até para respaldar “as transformação de uma consciência de si que se torna mais forte do que a consciência das regras, das normas, bem como das exigências dos sistemas dentro dos quais vivemos e agimos, obrigando-nos a trazer à memória uma idéia que tão freqüentemente foi esquecida e mesmo violentamente rejeitada por muitos: a idéia de sujeito, isto é, do indivíduo reconhecido como criador dele mesmo”, reproduzindo, aqui, o pensar do sociólogo Alain Touraine, exposto em seu livro Pensar Outramente, Vozes, 2009.
PS. Para o meu irmão Rev. Edmar Pimentel, agora feliz na Diocese de Santa Maria, Rio Grande do Sul, sob a batuta de Dom Jubal Neves, que muito amamos fraternalmente.

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