sábado, 9 de maio de 2009

Besteiras Administrativas

A editora SENAC, São Paulo, acaba de produzir uma maravilhosa “bíblia” para os senhores prefeitos e secretários municipais que assumiram em janeiro passado. Também de muita utilidade para líderes religiosos e comunitários. Trata-se de Besteiras Administrativas, de Mark Eppler, um profissional especialista em liderança, gerenciamento e serviços de atendimento ao público em geral. E o livro foi escrito para todos aqueles que ainda não perceberam as estupendas mudanças acontecidas nos últimos anos e a gigantesca crise global que açoita o mundo de alguns meses para cá.
O livro se inicia contando como uma empresa conseguiu perder um cliente de 2 milhões de dólares. O seguinte foi esse, como diz o bravíssimo sertanejo: Um determinado cliente, após descontar um cheque de 100 dólares num estabelecimento bancário, encareceu da caixa a validação do seu bilhete de estacionamento. A caixa, imperiosa cumpridora das atribuições que lhe foram dadas em seu estágio de algumas semanas, se negou a proceder a validação, alegando que ele não havia executado uma “transação”. Informando que possuía uma boa conta bancária, teve mais uma vez negado seu pedido. Irritado, apelou para a gerência, recebendo a mesma negativa, ratificando as “orientações” recebidas pelos superiores. No dia seguinte, John Barrier, o cliente do estacionamento, dirigiu-se à matriz do banco e encerrou sua conta bancária, um pouco mais de dois milhões de dólares.
Preservando as identificações, um fato similar aconteceu no Recife, anos oitenta. Um velhinho, agradabilissimo, por todos conhecidos da empresa, seu fundador e pai do então presidente, solicitou a uma das caixas que trocasse um cheque de alguns trocados, uma micharia. Recebendo a negativa, foi informado que a autorização poderia ser dada pelo gerente geral, postado a alguns metros adiante. O estimado velhinho foi até o gerente geral, que sabia que ele era o genitor do presidente e fundador do vitorioso empreendimento, dele recebendo nova negativa, com uma frase complementar: - Esta determinação nem a mãe do presidente da República desmancha. Poupada a caixa, o gerente geral teve agradecida sua contribuição na empresa, sendo seu contrato rescindido. E o velhinho pai do presidente não moveu uma palha sequer no desligamento do empregado. Foi a indignação geral pela grossura cometida que catapultou o arrogante gerente-geral “quase-dono”.
Na semana recém finda, um governador cassado afundou-se no próprio lago, quando bateu pé e arrotou que não sairia do palácio do governo, imaginando uma baita reação popular a seu favor. O que não aconteceu, restando ao novo mandatário a limpeza e higienização sanitária do lago em apreço.
Administrar não é tarefa para qualquer um. Que diga o atual Bento XVI, praticamente náufrago diante dos seus últimos pronunciamentos, criticados no documento Ante la crisis eclesial, onde 300 teólogos e responsáveis de comunidade de base espanhóis, entre os quais A. Torres Queiruga, Juan Masiá, J.A. Estrada, J. J. Tamayo e J. I. González Faus, protestam contra a infidelidade ao Concílio Vaticano II e denunciam o medo vaticano diante das necessárias reformas.
O livro do Mark Eppler orienta todos aqueles que gostam de cercar-se de babões bajuladores, afastando-se por consequência os funcionários possuidores de uma criticidade alavancadora. E que se esquecem que uma lição imorredoura é a que revela que “nenhum conhecimento, contudo, é tão importante quanto a capacidade de aprender e amadurecer com os erros passados – sejam os próprios, sejam os dos outros”.
Conheço inúmeros que necessitam ler o livro do Eppler: os que desejam monopolizar a glória, os que não sabem manter a chama acessa, os que buscam viver da glória dos mortos, os prolixos e os que foram gerados em pé numa rede. Incluindo os que imaginam que o hábito faz o monge, quando apenas fazem filhos às vezes, a exemplo do ex-bispo Lugo, do Paraguai.
(Publicada hoje no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)

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