Quando o PT emergiu como uma agremiação política que possuía um ideário de decência como seu porta-bandeira mais representativo, aplaudido por todos aqueles que desejavam o Brasil ingressado numa era de dignidade civilizatória com justiça rigorosa para punir os delinquentes daslu e daspu, um gigante de pronto conquistou a admiração nacional: Plínio de Arruda Sampaio. Que recentemente, para o Instituto Humanitas Unisinos, RS, concedeu uma arguta entrevista, de onde se extrai as seguintes trechos:
“Muito se questiona o que é ser esquerda, atualmente”... “Sampaio observa a atuação das centrais sindicais durante o governo Lula e, principalmente, durante a crise financeira mundial. O economista é pessimista em relação às consequências deste problema financeiro que tem gerado uma elevação substancial nas taxas de desemprego em todo o mundo”...“A necessidade, o sofrimento, a luta amadurecem muito, de modo que eu tenho esperança de que possam amadurecer. Mas, infelizmente, essa pneumonia sem febre que o Lula conseguiu fazer aqui, em que as coisas vão mal, mas não aparentam, quebrou a pugnacidade das organizações populares”...“As centrais sindicais estão muito fragilizadas. Elas adotaram uma tática, a meu ver, suicida. Ao invés de assumir uma posição firme hoje e mobilizar a classe para enfrentar com uma greve ou um grande movimento de massa essa dificuldade (o que pode dar certo ou errado), as centrais sindicais estão aceitando reduzir direitos já conquistados para manter o emprego por mais um tempo, uns seis meses talvez. O que dá no mesmo, pois daqui a seis meses estarão todos desempregado, o que ocorreria da mesma forma caso uma greve desse errado. Entre uma tática e outra, por que não seguir a primeira, que, pelo menos, tem uma chance de dar certo, de força o governo, de pressionar a sociedade para encontrar uma solução? Este sacrifício precisa ser socializado por todos, não só pela classe operária” ... “Quando se fica desempregado, em pouco tempo não tem o que comer. Então, era o mínimo de solidariedade social que as empresas reduzissem fortemente os seus lucros por um tempo e operar com pouco mais de zero. Mas elas não estão querendo fazer isso” ... O desemprego irá aumentar ainda mais e a situação irá ficar ainda pior. Por isso, era preciso que viesse uma legislação para que essa situação não fique na mão da vontade de algumas pessoas”... “Eu penso que deveria ser feito um programa único comum de todas as forças de esquerda: movimentos sociais, sindicatos, partidos, intelectuais etc., exigindo um programa mínimo em defesa da economia popular. Esse programa suporia uma série de estatizações, limites, modificações na nossa política externa e na nossa política econômica” ...”Eu acho que o Lula está “mais perdido do que cego em tiroteio”. Está perdido como todos estão perdidos. O Obama está perdido, o Sarkozy está perdido, ninguém tem muita ideia do tamanho dessa crise e da forma como ela vem. Sabe-se que é uma bruta crise e que não vai passar loguinho” ... “A necessidade, o sofrimento e a luta amadurecem muito, de modo que eu tenho esperança de que possam amadurecer. Mas, infelizmente, essa pneumonia sem febre que o Lula conseguiu fazer aqui, em que as coisas vão mal, mas não aparentam, quebrou a pugnacidade das organizações populares. Elas estão todas com programas recuados e propostas defensivas, de modo que ainda não sabemos se vai amadurecer com a crise” ... “Eu não acredito que essa será a última crise que o capitalismo irá viver. Mas essa crise, com certeza, fará uma ferida muito grande no capitalismo. Essa crise poderia ser solucionada se houvesse uma revolução social e política aqui, porque fecharíamos o país e, com os recursos que temos, poderíamos organizar uma economia bastante razoável para prover o básico para toda a população do país. Mas isso representaria uma mudança muito grande para as classes que hoje têm uma vida muito confortável e consomem desbragadamente. Porém, eu não vejo muitas condições para essa revolução; não vejo isso na consciência do povo. Agora, crise é crise. Sabemos como ela começa, mas não como pode se desenvolver e muito menos como vai terminar. Exemplos disso: começamos uma guerra na Europa em 1914 e resultou no socialismo. Começamos uma ‘crisezinha’ nos Estados Unidos e resultou numa outra guerra. Nunca sabemos onde uma crise vai dar, mas, pela ordem das coisas, o capitalismo não terminará agora” ... “Com a crise o Brasil vai perder o que tem de soberania. A menos que o povo venha para rua, coloque alguém como Chávez no poder e mude tudo isso. Salvo esta hipótese, a soberaniazinha que se tem será perdida. Mas eu não vejo ninguém aqui no Brasil com cara de Chávez. O panorama atual não é fácil, não é de curto prazo e se as esquerdas quiserem ter uma influência precisam organizar uma volta a longo prazo. O que elas podem fazer a curto prazo é se tornarem uma referência da luta popular pela sua intransigência na defesa dos interesses do povo”.
As opiniões acima, ditadas por um intelectual possuidor de uma imensa responsabilidade social, merecem ser lidas, refletidas, debatidas à exaustão. Para que possamos favorecer a sobrevivênvia de nossos filhos e netos, reequilibrar ecologicamente o planeta, edificar uma educação cidadã para todos e possibilitar amanhãs mais saudáveis para povos e nações, numa convivialidade duradouramente pacífica, para que todos tenham vida e vida em abundância, segundo promessa do Homão da Galiléia, nosso Irmão Libertador.
(Publicada no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)
“Muito se questiona o que é ser esquerda, atualmente”... “Sampaio observa a atuação das centrais sindicais durante o governo Lula e, principalmente, durante a crise financeira mundial. O economista é pessimista em relação às consequências deste problema financeiro que tem gerado uma elevação substancial nas taxas de desemprego em todo o mundo”...“A necessidade, o sofrimento, a luta amadurecem muito, de modo que eu tenho esperança de que possam amadurecer. Mas, infelizmente, essa pneumonia sem febre que o Lula conseguiu fazer aqui, em que as coisas vão mal, mas não aparentam, quebrou a pugnacidade das organizações populares”...“As centrais sindicais estão muito fragilizadas. Elas adotaram uma tática, a meu ver, suicida. Ao invés de assumir uma posição firme hoje e mobilizar a classe para enfrentar com uma greve ou um grande movimento de massa essa dificuldade (o que pode dar certo ou errado), as centrais sindicais estão aceitando reduzir direitos já conquistados para manter o emprego por mais um tempo, uns seis meses talvez. O que dá no mesmo, pois daqui a seis meses estarão todos desempregado, o que ocorreria da mesma forma caso uma greve desse errado. Entre uma tática e outra, por que não seguir a primeira, que, pelo menos, tem uma chance de dar certo, de força o governo, de pressionar a sociedade para encontrar uma solução? Este sacrifício precisa ser socializado por todos, não só pela classe operária” ... “Quando se fica desempregado, em pouco tempo não tem o que comer. Então, era o mínimo de solidariedade social que as empresas reduzissem fortemente os seus lucros por um tempo e operar com pouco mais de zero. Mas elas não estão querendo fazer isso” ... O desemprego irá aumentar ainda mais e a situação irá ficar ainda pior. Por isso, era preciso que viesse uma legislação para que essa situação não fique na mão da vontade de algumas pessoas”... “Eu penso que deveria ser feito um programa único comum de todas as forças de esquerda: movimentos sociais, sindicatos, partidos, intelectuais etc., exigindo um programa mínimo em defesa da economia popular. Esse programa suporia uma série de estatizações, limites, modificações na nossa política externa e na nossa política econômica” ...”Eu acho que o Lula está “mais perdido do que cego em tiroteio”. Está perdido como todos estão perdidos. O Obama está perdido, o Sarkozy está perdido, ninguém tem muita ideia do tamanho dessa crise e da forma como ela vem. Sabe-se que é uma bruta crise e que não vai passar loguinho” ... “A necessidade, o sofrimento e a luta amadurecem muito, de modo que eu tenho esperança de que possam amadurecer. Mas, infelizmente, essa pneumonia sem febre que o Lula conseguiu fazer aqui, em que as coisas vão mal, mas não aparentam, quebrou a pugnacidade das organizações populares. Elas estão todas com programas recuados e propostas defensivas, de modo que ainda não sabemos se vai amadurecer com a crise” ... “Eu não acredito que essa será a última crise que o capitalismo irá viver. Mas essa crise, com certeza, fará uma ferida muito grande no capitalismo. Essa crise poderia ser solucionada se houvesse uma revolução social e política aqui, porque fecharíamos o país e, com os recursos que temos, poderíamos organizar uma economia bastante razoável para prover o básico para toda a população do país. Mas isso representaria uma mudança muito grande para as classes que hoje têm uma vida muito confortável e consomem desbragadamente. Porém, eu não vejo muitas condições para essa revolução; não vejo isso na consciência do povo. Agora, crise é crise. Sabemos como ela começa, mas não como pode se desenvolver e muito menos como vai terminar. Exemplos disso: começamos uma guerra na Europa em 1914 e resultou no socialismo. Começamos uma ‘crisezinha’ nos Estados Unidos e resultou numa outra guerra. Nunca sabemos onde uma crise vai dar, mas, pela ordem das coisas, o capitalismo não terminará agora” ... “Com a crise o Brasil vai perder o que tem de soberania. A menos que o povo venha para rua, coloque alguém como Chávez no poder e mude tudo isso. Salvo esta hipótese, a soberaniazinha que se tem será perdida. Mas eu não vejo ninguém aqui no Brasil com cara de Chávez. O panorama atual não é fácil, não é de curto prazo e se as esquerdas quiserem ter uma influência precisam organizar uma volta a longo prazo. O que elas podem fazer a curto prazo é se tornarem uma referência da luta popular pela sua intransigência na defesa dos interesses do povo”.
As opiniões acima, ditadas por um intelectual possuidor de uma imensa responsabilidade social, merecem ser lidas, refletidas, debatidas à exaustão. Para que possamos favorecer a sobrevivênvia de nossos filhos e netos, reequilibrar ecologicamente o planeta, edificar uma educação cidadã para todos e possibilitar amanhãs mais saudáveis para povos e nações, numa convivialidade duradouramente pacífica, para que todos tenham vida e vida em abundância, segundo promessa do Homão da Galiléia, nosso Irmão Libertador.
(Publicada no Portal da Globo Nordeste, http://pe360graus.globo.com, Blog BATE & REBATE)

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