segunda-feira, 20 de abril de 2009

Não às Fuleiragens, Parabéns Caruaru !

De parabéns a Prefeitura de Caruaru em dar um rotundo basta à escalada pornô que nos últimos anos vitimava os festejos juninos da capital do Agreste. E um abração entusiasmado para José Teles, pela reportagem ímpar publicada na edição dominical de ontem, 19, do Jornal do Commercio. Os dois fatos para mim dizem muitíssimo nestes tempos atuais de brasis variados, uns refinados, outros depenados, a maioria alienada, ainda sem eira nem beira.
Semanas atrás, Alceu Valença declarou, sob quase unânime concordância, que “a fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora”. E denunciou que o Brasil está sendo divulgado no exterior por um tipo de música canalha, que troca Chico Buarque por Ursinho blau-blau, aquela que faz saracotear a bunda para ouriçar a rima de blau. Segundo ainda Alceu, “só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Gil, Milton. O besta aqui foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete”. E pergunta com propriedade: “Sabe qual é o público desta música (a da fuleiragem)? Ele mesmo responde: “Quenga”. Sem pestanejar nem um pouquinho. Pura verdade.
Outro dia, quando o The Economist classificou o país do presidente Inácio da Silva de “anacrônico”, a revista estava também embasada em atitudes como as denunciadas pelo compositor Alceu Valença e pelo José Teles. Sempre atentos ao pensar equilibrado do Prof. Dr. Jair Cândido de Melo, ex-reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA: “Quando quiser avaliar uma organização, não se fixe tanto na imponência de seus prédios ou de suas máquinas, observe as pessoas, veja se há brilho em seus olhos ou sorriso em seus lábios;converse com elas e sinta se há entusiasmo em suas falas. Encontrando isso, pode ter a certeza de que a organização está bem”.
Se pudesse, recomendaria mais “pensação” e menos “esculhambação” às bandas nordestinas, que necessitam urgentemente de uma criatividade maliciosa distanciada das rabolatrias raparigais e quase explicitações de xibius, mecanismos libidinosos de nulo teor artístico, que desestimulam um turismo de lazer dos mais rentáveis, o das festividades juninas, francamente familiar até bem pouco tempo.
Interessante na zoadeira provocada pela fuleiragem pornô é o mutismo completo de algumas entidades. Observe a seguinte estrofe musical: “Ela é safada, mas gosta de apanhar / e diz que é gostoso na hora de amar / apanha pra dormir, apanha pra acordar / apanha todo dia, toda hora sem parar / eu sei o que fazer pra ela brigar / é tudo diferente, seu remédio é apanhar””. As organizações feministas deveriam estar mais atentas diante do rebaixamento explícito do sexo feminino, favorecendo o animalismo machista de uma população nordestina que ainda considera a mulher inferior ao homem, seguindo induções cretinas, passadas e atuais, de muitas religiões, inclusive a cristã.
Não sou moralista. Tampouco puritano, sob hipótese alguma. Tenho ojeriza aos faniquitosos civis, militares e religiosos. Mas confesso gigantesco constrangimento diante de mediocridades fantasiadas de chulas manifestações artísticas.
Nas festividades juninas de Caruaru, deve-se enaltecer a alegria na festa, nunca o constrangimento. Que os turistas sempre retornem com a vontade de dançar e cantar mais, sem qualquer rememoração vexatória. E que os artistas da festa assimilem a lição do educador Augusto Cury: “Ser ator ou atriz principal no teatro da vida não significa não falhar ou não chorar, mas ter habilidade para refazer caminhos, coragem para reconhecer erros, humildade para enxergar nossas limitações e força para deixar de ser aprisionado pelos pensamentos pessimistas e emoções doentias”.
No mais, é comparecer aos festejos juninos de Caruaru. Forró, arrasta-pé, milho, pamonha e sanfona para ninguém botar defeito, de deixar uma vontade arretada de quero-mais para o ano que vem.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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