segunda-feira, 27 de abril de 2009

Bispo Barrão

Dou de cara com João Silvino da Conceição esbaforido, espanto por todos os poros: - Faguinho, aquele ex-bispo do Paraguai, agora presidente, já tem contabilizado seis enfiaduras de sucesso, seis filhos apontados como seus, com jovens que dele devotamente se aproximaram. Para não falar nas demais embilocadas dadas sem produto final. Eita que bispo flórida da gota serena!! E ainda foi à televisão pedir desculpas pelo amontoado de comeduras acontecidas. Bispo barrão está ali, num “enfiai e multiplicai-vos” pra ninguém botar defeito !
Procuro acalmar o Silvino, dizendo pra ele que errar é humano e que todo mundo tem direito a uma segunda chance. E mostrei ao João, a opinião emitida semana passada por dom Orani Tempesta, um dos porta-vozes da CNBB: “Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à Igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se está sendo fiel àquilo com que se comprometeu”.
Aí foi a vez do João, que de lesado não tem nadica, possuidor de uma deschilicosa espiritualidade, passar nas minhas ventas o texto da jornalista Bárbara Gancia, da Folha de São Paulo, onde ela “sentiu” um baita corporativismo do Dom Tempesta em defesa do ex-colega bispo esburacador. Segundo Gancia, tudo indica ter sido diferente a atitude de um outro bispo, “quando a mãe de uma menina estuprada pelo padrasto decide que a fllha deve abortar, ela corre o risco de ser excomungada”, punição que se afoita ir além da misericórdia divina, numa postura saideira hipócrita de quem deseja chamar a atenção do mundo para encobrir, como se fosse possível, as comemorações do centenário de Dom Hélder Câmara. Este, um arcebispo inesquecível, que, numa determinada ocasião, no Recife, assim se dirigiu a quem se achava tão pecador que acreditava não mais receber o perdão de Deus: “Meu amigo, não irei discutir o tamanho ou o número de seus pecados. Admito que sejam enormes, mas eu te asseguro de que a misericórdia de nosso Pai é ainda maior do que todos eles juntos. A bondade e a misericórdia divina ultrapassa tudo o que possamos imaginar”. Uma diferença gigantesca de comportamentos episcopais.
Quando vi o Lugo choramingando na TV com aquele ar de político peba, tal e qual aquele Camata, do Senado Federal, que verteu num lenço algumas lágrimas, lembrei-me de uma personalidade nordestina muito metida a cristã, que revelava a amigos o que lhe tinha acontecido na primeira noite de uma viagem de navio Recife-Portugal: “Gente, no baile de apresentação da equipe do comandante, primeira noite, conheci uma mulher belíssima. Convidei-a para dançar e ela valsava maravilhosamente. Fomos nos enlevando e terminamos a noite no camarote dela, onde transamos adoidadamente. No dia seguinte, eu soube que ela era a mulher do meu melhor amigo do Recife. E caí em prantos. Chorei tanto !!” Um dos presentes, já contaminado pela solidariedade, perguntou: - E então? Como foi o resto da viagem? E ouviram todos a resposta safadosa: - Foi chorando e transando, chorando e transando...
Se eu pudesse enviaria a seguinte mensagem aos inquisidores atuais: “Sejam menos burocrata, mais Bíblia e menos Direito Canônico. Eliminem suas babaquices e abandonem sua mania de provocar mexericos entre companheiros de trabalho, percebendo que liderança se constrói a partir da admiração dos pares, jamais por posicionamentos fiscalizadores. E principiem a pensar alto, como Ser Humano, sem complexos de sacristão babão de pequenos príncipes puritanos, sendo mais congregacionais sem perderem a ternura jamais, nunca confundindo afetividade com fricote de menino fresquelete que nunca comeu um churrasco pra não se entregar aos prazeres da carne”.
Aguardando as outras emergentes “bilocações episcopais” do presidente paraguaio, parodio Guy de Maupassant: “Em matéria de apoio evangelizador, patrocinem o que fica como semente e não aquilo que passa sem deixar rastro”. Sementes que nada têm a ver com aquelas que geram crianças. Uma lição para ser bem assimilada pelos bipos que possuem mínimo entendimento do que seja postura fraterna.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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