Não sei se alguém já comparou o episódio da caverna de A República de Platão com a trajetória do presidente Inácio da Silva. Para os leitores curiosos, relato num vapt-vupt a metáfora do filósofo. Seguinte: alguns seres humanos estão aprisionados numa caverna, da qual só percebem o fundo da dita. O trânsito feito no lado de fora só é captado através das sombras projetadas no fundo da caverna, constituindo para os prisioneiros sua única apreensão do exterior. Libertando-se um deles, eis que ele sai da caverna, percebendo então que as sombras até então observadas eram apenas aparências, cópias toscas e grosseiras, distorcidas das imagens agora captadas. Voltando ao interior do buracão e desejando explicar aos “ficantes” o que acontecia lá fora é zombado pelos companheiros que não tiveram a sorte dele. E foi considerado louco, “alienadão” pelos que persistiam sem uma mínima noção do observado pelo “sainte”. E continuaram sem querer enxergar a realidade menos distorcida que se explicitava no exterior da caverna.
Para o filósofo Gilbert Hottois, da Universidade de Bruxelas, existem duas formas de saber: “a) o saber sensível, superficial, relativo às aparências efêmeras, saber de senso comum, incerto, particular e subjetivo, saber de opinião, chamado de doxa; b) a ciência, acessível apenas ao olhar do espírito, saber inteligível e espiritual, que tem como objeto a essência real, universal e imutável das coisas, esse verdadeiro saber é a episteme”. Diante dessas duas formas e com base no episódio da Caverna de Platão, fiquei a matutar com os botões de uma surrada camisa caseira, como seria, hoje, a convivência do presidente Inácio da Silva, um saído dos grotões nordestinos para as viagens internacionais aerolulísticas, com o resto do mundo e com os seus “cumpanhêros” que ainda se encontram no interior da gruta.
Como estaria o presidente interpretando a conjuntura, por exemplo, ao não ser convidado para discutir a integração popular na América Latina com os movimentos sociais no Forum Social Mundial, em Belém do Pará, com os presidentes Morales (Bolívia), Chávez (Venezuela), Lugo (Paraguai) e Corrêa (Equador), apesar de estar presente na cidade? Um mal-estar agravado pelas agressões nada sutis ao nosso país feitas pelos quatro falantes populistas que ainda se encontram na caverna, contemplando o fundo dela, talvez com os cotovelos coçando por ver nosso presidente de há muito do lado de fora do buraco, já tendo sido até convidado para bater um papo potência-contra-potência com o presidente Barack, aquele que veio para deixar tudo preto no branco.
Seguramente, o presidente Inácio saberá rejeitar as manipulações dos quatro pixotes metidos a mandões, posto que, nessa área, ele é profundamente entendido. Jamais sendo utilizado como instrumento de manipulação de interesses não-nacionais, ainda que perceba que uma integração latino-americano consistente, duradoura e não-demagógica, seja o caminho mais saudável para os amanhãs da América do Sul.
Atualmente, diante da crise financeira internacional, onde muitos “ispertos” se estropiaram, urge evitar que o povo simples, fatigado, sofrido deste país, ainda impotente diante das corrupções descaradas e dos favorecimentos espúrios, inclusive acontecidos no Norte do Brasil, enxergue nos “quatro do apocalipse” acima citados os restauradores do desenvolvimento libertário desta parte do mundo.
Ajudemos o presidente Inácio a não mais retornar para o interior da caverna, onde ainda se encontram multidões, inclusive líderes que se sentiram quase beatificados por ter osculado, no Forum Social Mundial, as barbas de um cubano pra lá de desconhecido, também ignorante do beijo de Judas.
Na crise, busquemos reduzir as neuroses e os desequilíbrios psíquicos e religiosos. Evitando o marasmo, a cultura de fingimento e os sepulcros caiados, tão causticamente denunciados pelo Homão da Galiléia, em sua estadia entre nós.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)
Para o filósofo Gilbert Hottois, da Universidade de Bruxelas, existem duas formas de saber: “a) o saber sensível, superficial, relativo às aparências efêmeras, saber de senso comum, incerto, particular e subjetivo, saber de opinião, chamado de doxa; b) a ciência, acessível apenas ao olhar do espírito, saber inteligível e espiritual, que tem como objeto a essência real, universal e imutável das coisas, esse verdadeiro saber é a episteme”. Diante dessas duas formas e com base no episódio da Caverna de Platão, fiquei a matutar com os botões de uma surrada camisa caseira, como seria, hoje, a convivência do presidente Inácio da Silva, um saído dos grotões nordestinos para as viagens internacionais aerolulísticas, com o resto do mundo e com os seus “cumpanhêros” que ainda se encontram no interior da gruta.
Como estaria o presidente interpretando a conjuntura, por exemplo, ao não ser convidado para discutir a integração popular na América Latina com os movimentos sociais no Forum Social Mundial, em Belém do Pará, com os presidentes Morales (Bolívia), Chávez (Venezuela), Lugo (Paraguai) e Corrêa (Equador), apesar de estar presente na cidade? Um mal-estar agravado pelas agressões nada sutis ao nosso país feitas pelos quatro falantes populistas que ainda se encontram na caverna, contemplando o fundo dela, talvez com os cotovelos coçando por ver nosso presidente de há muito do lado de fora do buraco, já tendo sido até convidado para bater um papo potência-contra-potência com o presidente Barack, aquele que veio para deixar tudo preto no branco.
Seguramente, o presidente Inácio saberá rejeitar as manipulações dos quatro pixotes metidos a mandões, posto que, nessa área, ele é profundamente entendido. Jamais sendo utilizado como instrumento de manipulação de interesses não-nacionais, ainda que perceba que uma integração latino-americano consistente, duradoura e não-demagógica, seja o caminho mais saudável para os amanhãs da América do Sul.
Atualmente, diante da crise financeira internacional, onde muitos “ispertos” se estropiaram, urge evitar que o povo simples, fatigado, sofrido deste país, ainda impotente diante das corrupções descaradas e dos favorecimentos espúrios, inclusive acontecidos no Norte do Brasil, enxergue nos “quatro do apocalipse” acima citados os restauradores do desenvolvimento libertário desta parte do mundo.
Ajudemos o presidente Inácio a não mais retornar para o interior da caverna, onde ainda se encontram multidões, inclusive líderes que se sentiram quase beatificados por ter osculado, no Forum Social Mundial, as barbas de um cubano pra lá de desconhecido, também ignorante do beijo de Judas.
Na crise, busquemos reduzir as neuroses e os desequilíbrios psíquicos e religiosos. Evitando o marasmo, a cultura de fingimento e os sepulcros caiados, tão causticamente denunciados pelo Homão da Galiléia, em sua estadia entre nós.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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