Dois anúncios instalados estão dando o que falar, provocando reações as mais diferenciadas, arregalando os olhinhos dos abilolados que se imaginam do Alto sem qualquer responsabilidade terrestre. O primeiro, estampado nos ônibus em Washington, é promovido pela Associação Humanista Americana e diz o seguinte: “Por que acreditar em um Deus? Apenas seja bom, pelo amor de Deus”. O segundo, patrocinado por entidade inglesa, afixado em trinta ônibus, proclama: “Provavelmente Deus não existe. Agora pare de se preocupar e aproveite a vida”.
A cada dia me convenço mais de um ditado popular que diz “Deus escreve certo por linhas tortas”. E torno-me convicto de que os anúncios, aparentemente desacreditadores da existência de um Ser Superior, é um monumental alerta para todas as religiões do mundo. Que continuam apostando na passividade dos seus fiéis, promovendo a mesmice sem perceberem a evolução dos cenários sociais. E portando nostalgias autofágicas, que terminam por disseminar estratégias supérfluas, que desviam milhões para o agnosticismo.
Acredito que os anúncios podem ser entendidos como advertências altamente cutucadoras: que as evangelizações nunca devem estar embasadas no passado, posto que ensejam reproduções e memorizações desnecessárias; que os questionamentos requerem mais de uma resposta, evitando-se o medo do fracasso; que as iniciativas nunca valorizem a incompetência, a ignorância e a baixa-estima, de valia apenas para os domesticadores que nunca postularão a libertação integral dos seres humanos.
Os anúncios são também mordazes. Desafiam os que menosprezam o autoconhecimento, os que não desenvolvem suas habilidades intuitivas, os que abandonam a imaginação e a fantasia e os que não cultivam a visão otimista dos amanhãs desabestalhadores. Parecendo reverenciar os indecisos, eles concordam com o poeta Fernando Pessoa: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Também aplaudindo Harold Jones, um morador septuagenário de Nova York: “A pessoa média só está interessada nos próprios sentimentos e no que o cerca de maneira imediata. A pessoa excepcional sempre quer aprender sobre o mundo além do seu próprio quintal”.
A iniciativa provocativa relembram uma reflexão feita pelo rabino Abraham Joshua Heschel (1907-1972), um dos pensadores religiosos do século XX, que sempre ensejou uma visão lúcida, generosa e transformadora da relação entre o divino e o humano: “Costuma-se culpar a ciência secular e a filosofia anti-religiosa pelo eclipse da religião na sociedade moderna. Seria mais honesto culpar a religião por suas próprias derrotas. Ela decaiu não porque foi contestada, mas porque se tornou irrelevante, enfadonha, opressiva e insípida. Quando a fé é completamente substituída pelo credo, o culto pela disciplina, o amor pelo hábito; quando a crise de hoje é ignorada pelo esplendor do passado; quando a fé se torna um mero objeto herdado em vez de uma fonte de vida ; quando a religião fala somente em nome da autoridade em vez da compaixão, sua mensagem se torna sem sentido”. E que complementou com sabedoria: “Temos que pressionar a consciência religiosa com indagações, obrigando o homem a entender e a desembaralhar o significado do que está acontecendo em sua vida enquanto está inserida no horizonte divino”.
Os anúncios dos ônibus em duas importantes capitais do mundo denunciam a perversão das religiões de fingidas piedades, onde o que se busca é o poder rodeado dos bajuladores de praxe, nunca críticos. Para mim, eles são fecundantemente evangelizadores. Despertarão muitos do anestesiamento e entorpecimento de inteligências e corações sinceros. Tornando-os aptos para o bom combate, ampliando a capacidade de fazer distinções, uma operação elementar e primária da inteligência humana. Ainda que, como dizia Karl Popper, “nós não temos a verdade, só podemos dar pitacos”.
A cada dia me convenço mais de um ditado popular que diz “Deus escreve certo por linhas tortas”. E torno-me convicto de que os anúncios, aparentemente desacreditadores da existência de um Ser Superior, é um monumental alerta para todas as religiões do mundo. Que continuam apostando na passividade dos seus fiéis, promovendo a mesmice sem perceberem a evolução dos cenários sociais. E portando nostalgias autofágicas, que terminam por disseminar estratégias supérfluas, que desviam milhões para o agnosticismo.
Acredito que os anúncios podem ser entendidos como advertências altamente cutucadoras: que as evangelizações nunca devem estar embasadas no passado, posto que ensejam reproduções e memorizações desnecessárias; que os questionamentos requerem mais de uma resposta, evitando-se o medo do fracasso; que as iniciativas nunca valorizem a incompetência, a ignorância e a baixa-estima, de valia apenas para os domesticadores que nunca postularão a libertação integral dos seres humanos.
Os anúncios são também mordazes. Desafiam os que menosprezam o autoconhecimento, os que não desenvolvem suas habilidades intuitivas, os que abandonam a imaginação e a fantasia e os que não cultivam a visão otimista dos amanhãs desabestalhadores. Parecendo reverenciar os indecisos, eles concordam com o poeta Fernando Pessoa: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Também aplaudindo Harold Jones, um morador septuagenário de Nova York: “A pessoa média só está interessada nos próprios sentimentos e no que o cerca de maneira imediata. A pessoa excepcional sempre quer aprender sobre o mundo além do seu próprio quintal”.
A iniciativa provocativa relembram uma reflexão feita pelo rabino Abraham Joshua Heschel (1907-1972), um dos pensadores religiosos do século XX, que sempre ensejou uma visão lúcida, generosa e transformadora da relação entre o divino e o humano: “Costuma-se culpar a ciência secular e a filosofia anti-religiosa pelo eclipse da religião na sociedade moderna. Seria mais honesto culpar a religião por suas próprias derrotas. Ela decaiu não porque foi contestada, mas porque se tornou irrelevante, enfadonha, opressiva e insípida. Quando a fé é completamente substituída pelo credo, o culto pela disciplina, o amor pelo hábito; quando a crise de hoje é ignorada pelo esplendor do passado; quando a fé se torna um mero objeto herdado em vez de uma fonte de vida ; quando a religião fala somente em nome da autoridade em vez da compaixão, sua mensagem se torna sem sentido”. E que complementou com sabedoria: “Temos que pressionar a consciência religiosa com indagações, obrigando o homem a entender e a desembaralhar o significado do que está acontecendo em sua vida enquanto está inserida no horizonte divino”.
Os anúncios dos ônibus em duas importantes capitais do mundo denunciam a perversão das religiões de fingidas piedades, onde o que se busca é o poder rodeado dos bajuladores de praxe, nunca críticos. Para mim, eles são fecundantemente evangelizadores. Despertarão muitos do anestesiamento e entorpecimento de inteligências e corações sinceros. Tornando-os aptos para o bom combate, ampliando a capacidade de fazer distinções, uma operação elementar e primária da inteligência humana. Ainda que, como dizia Karl Popper, “nós não temos a verdade, só podemos dar pitacos”.

Um comentário:
E dando um breve pitaco, diria que se nós cristãos evangelizadores, ( como na grande maioria nos vemos), poderiamos ter a coragem de assim como eles, estampar em outdoors, busdoors, ou seja em que tipo de mídia for, o amor do Deus a quem servimos e amamos, colocando os seus ensinamentos de forma mais exposta. Na verdade enquanto muitos de nós cristãos nos comportamos como um clube fechado, estaremos recebendo esse tipo de cutucada, pra acordamos verdadeiramente pra Jesus!
Paz e Bem Rev.
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